10 de setembro de 2014

Borboletas


Borboletas
Suzette Rizzo

Pousavam sobre as hortênsias,
sobrevoando o pequeno jardim
bem cuidado,
colorindo a ternura daquele tempo,
hoje, momento retrato.

Tão bom,
sentir a vida sem receios...
sentar-me à mesa do jantar,
ouvir  vozes amigas,
todos  a minha volta
completando a minha  vida !

Partiram ...
Momentos, família...
e não mais notei borboletas
em outros jardins...
A casa, agora uma Clinica...
e as hortênsias, que dó! 
Junto ao entulho,
entre cacos de tijolos
e borboletas mortas.

Tudo morre...
Ilusões, fantasias e qualquer segundo...
Nada fica,
exceto o tempo presente
e o girar do mundo !

Estou, entre  escombros de tudo...
Em meio a visões descoloridas...
Forçando a lembrança
das vozes queridas
e ouvindo os sons do silencio,
nas horas da minha vida.

Alguma borboleta amarela,
bate as asas
em algum lugar do planeta...
Porém, vivo entre meus despejos,
solidão e vazios... 

E exceto saudade, nada sinto,
nada ouço, nada vejo !

Suzette Rizzo
05/07/00


7 de setembro de 2014


Eis a questão
Suzette Rizzo

Certamente sou mística!
Só não sei se devo viver
nesta ansiedade de enxergar
além do que eu possa apalpar.
Ser místico é bem mais que sentar
em posição de lótus e meditar,
bem mais que ajoelhar no altar,
bem mais, bem mais...


Ser místico significa acreditar
que uma árvore pode curar.
Significa penetrar
o interior do pensamento
e nele flutuar.

Ser místico não será jamais
centrar o corpo entre mil velas,
nem vestir preto, roxo ou branco...
Ser místico é ter alma limpa
nem de Cristo ou Zaratustra...
nem tanto ao céu, nem tanto a terra,
mas no meio e alheio a esta bagunça.

Ser místico é saber com convicção
que uma alma percorre milênios...
e sentir nos tais desenhos que se formam
nas paredes,
não apenas imaginações corriqueiras,
mas existências verdadeiras,
acarinhando nossos sonhos e verdades
ensinadas por inteiro.

Sou mística sim!
Respeito a vida estagiária
e, quando fecho os olhos,
flutuo em meu oceano 
onde se acalmam tormentos.
Assim espero a paz do Cosmo,
dar seus sinais no vento.

O mundo que vejo
no interior dos pensamentos,
é o mundo das verdades,
oposto a este das mentiras.
Mundo em que meias palavras bastam
e, uma tempestade de fluídos
abastece a minha alma
pelo umbigo.

Entregar-me ou não,
eis a questão!

Suzette Rizzo_ 2005

4 de setembro de 2014


PALÁCIO SONHO
Suzette Rizzo


As copas das árvores
se fecharam
e vi o rendado verde
de fundo azul do céu.
Caminhei
sob o sombreado
da minha rua...
virando  aos poucos
aquela página
e o cenário enluarado,
que logo seria um sonho,
como hoje é!

Fechei as janelas do
apartamento,
dando adeus
a imensidão noturna
e as constelações
da noite limpa.

Gravei tudo
minuciosamente...
Tranquei
a porta do palácio-sonho
e, hoje, ainda dói lembrar...
Do aniquilamento total,
do ruir de tudo sobre mim...
Fase essa que ousa viver
imortal !


04 08 2004


Imperecível
Suzette Rizzo

Tentei dissecar as entranhas
desta saudade imperecível,
que jamais esmorece
em qualquer situação...
Impossível !

E querendo afastá-la
atirá-la aos confins, revivo-a
e mal reafirmo a necessidade,
volta aqui...
nem minguada ou estressada
em minha emoção !

Esperança... vestígio último,
amor vivo acendendo a alma,
preenchendo pensamentos,
dias, noites e todas as coisas
deste meu mundo,
sem ele, quase parado !

Tento apagá-lo,
matá-lo dos sonhos,
amordaçar a boca que continua
sentindo e sentindo o beijo...
Beijo que não cessa nos pensamentos!

E nada incinera esta saudade...
E nem mesmo agora
que o passado é morto, 
nada se gasta, nem um pouco ! 

Suzette Rizzo_ O9 12 02

Entre amantes

ENTRE AMANTES
Suzette Rizzo

Entre amantes não há muros,
portas trancadas
ou chuvas de inverno.
Apenas o tempo diminuto
correndo maluco
estrada afora. 

O que há são sucessões de
agoras...
oxalá intermináveis,
pensamentos transportáveis
de um ao outro,
versos imutáveis,
sentidos aguçados 

E... infinitamente, estrelas
que se multiplicam,
salpicando de brilho
o templo do olhar,
o ninho de amor,
a sensação de Paraíso !


Suzette Rizzo

3 de setembro de 2014



O sono dos justos
Suzette Rizzo

É tão triste o engano
e tão leve o despertar!
Tão escura a descoberta,
tão cósmica a consciência
sem peso.
Não gostaria de lembrar
de cada ser trapaceiro
que me rodeou
e o coração sinceramente amou.
Essa parte quando lembrada chumba
a levitação posterior
Mas vida é isso
e a transparência existirá
infelizmente só depois...
Lá onde o pensamento é externo,
impraticável a falsidade,
o segredo escancarado
 e afinal o desvendar
de que nada foi oculto.
Por enquanto me basta
o sono dos justos.

September 3, 2014

23 de agosto de 2014


Apesar...
Suzette Rizzo 

Tinha ferrões nas palavras
e flores nas mãos.
Olhar firme e sedutor,
a boca bem delineada,
rosto de arcanjo,
cachos loiros de anjo
e era ele o meu amor.

Tinha o grave na voz,
fala pontuada,
som baixo, medida certa,
do jeitinho que eu gostava

Primeiro atirou-se a crosta
e depois fora da terra.
Foi ele quem procurou vícios,
espatifou-se como vidro,
mas sou eu a sofrer vazios.

Verdade macabra, porem verdade;
De sonho a pesadelo,
de amor a desespero. 

Então, levou meu sonho,
as flores do campo da sala,
as manhãs que eu tanto amava.

Saudade das mãos macias,
mãos que pra sempre acariciarão
esta minha alma em chagas.

19 de agosto de 2014



Certa via
Suzette Rizzo

O cosmo desabou tudo o que há
num trecho qualquer antes da Fernão Dias
e a lembrança do odor de eucaliptos
sufocou a alma vencida.
As pernas adormecidas
a poesia fora da estrada,
e o retrocesso rápido massacrando
o tempo, a vida, o sonhado.
Essa estrada percorre o pensar
em cada noite mal dormida...
e o sono não varre nunca
aquela má fase da vida


Atrofiamento
Suzette Rizzo

Saudade dos começos,
todos eles.
Enroscar-me nos braços dele,
(do primeiro),
mas o amor sempre tem preço.
Saudade de outro começo,
lá no meio da fase triste,
uma saudade que sempre existe.
Saudade dos mortos,
da solidão acalmada,
e até do ultimo começo
alvoroçando a vida mais amornada.

Começos...
tão leves, tão mágicos...
Matando sede, fome,
atrofiando as dores,
pra depois sentir a alma
mergulhada em puro acido.
Nem sei como posso ainda
tentar versos,
se fugiram de mim palavras,
quando me sugaram das veias
a seiva da ilusão sonhada

18 de agosto de 2014


Breve Visita
Suzette Rizzo 

Restos de ilusão doem até os ossos...
quando  se crava os dentes
em robustos sonhos...
Mas agora, o alvo é somente
o poema que componho.

Alou como um pássaro janela afora
e com ele, todos aqueles planos deslumbrados,
dos coqueirinhos enfileirados no jardim,
os amigos aos pares, aconchegados,
a paz voltando pra mim.

Desabou...  como um cometa fora
de percurso,
machucando a estrela recém nascida,
na testa lisa de um bom futuro.
Pesaram  como sacos de cimento,
impossibilidades imprevistas.

Porque a esperança, peralta criança,
fez-me apenas, como sempre...
Breve visita.


Suzette Rizzo ­_May 14, 2002

11 de agosto de 2014




Conversando com Jesus
Suzette Rizzo


Seguirei Teus passos                         
com boa conduta
e justiça em meus atos...
Seguirei Teu ensino,
trarei o espírito moralizado.

Segurarei Tua mão protetora,
amarei Tua alma redentora         
e abençoarás  eu sei, quem almeja,
um futuro a Teu lado.

E estarei tirando água do poço
para ouvir Teus conselhos...
Serei Verônica para cuidá-Lo...    
Discípulo para segui-Lo
e, certamente, Tomé para vê-Lo.

E hei de sentir Tua presença...
Derramarás sobre mim
a fé necessária
e me darás forças...

E que eu possa passá-la adiante,
aos mais necessitados...
Tenham eles também esta benção,
de saber como eu, amá-Lo !

Suzette Rizzo _  2002