5 de agosto de 2014

 Vida enferrujada
Suzette Rizzo 

 Ah ! Eu queria fazer malabarismos,
meu próprio exorcismo,
abrir janelas,
poetar com romantismo,
ouvir os sinos das catedrais...
e queria mais...
Que as minhas pernas suportassem
outra corrida maluca...
não atrás da vida que perco
por ti
e só desta vez, eu corresse  em frente...
pra valer,
arrebentando o muro que me isola do futuro, 
esconjurando de vez o ruim
que colaste em minha alma
e nem pude perceber!

Suzette Rizzo
2oo4







Mereço
Suzette Rizzo 


Andam sumidos seus olhos
e a noite, assim sem eles, não passa...
Meus pés se queimam
sobre as culpas que são tantas
e, sinto, estou andando sobre as larvas
dos erros da minha conduta. 




Dramaticidade de poeta,
dirão alguns ...
o interior travando lutas,
o remorso cravado à mente,
aguardando uma chuva de estacas,
bem merecida.
E eu, vampirizo sim, seus sonhos,
como se pudesse sangrá-los junto aos meus,
para suportar melhor este peso no peito. 

E que tenham toneladas, todos eles...
arquem-me as costas
e as lágrimas queimem estes olhos inchados
da última lembrança sua ...lacrimejada.
Sei o preço que cabe ao meu pensar distorcido...
filho da possessão maldita! 

Seus olhos estão sumidos...
dilacera-me o peito,
mas eu mereço!

Suzette Rizzo _ 2oo1


29 de julho de 2014


Simples
Suzette Rizzo

O coração fala fácil
assim como bate fácil,
mesmo arrítmico.
Sentimentos não rebuscam
palavras,
nem buscam além do acessível.
Se acaso os dizeres
se emaranham,
acredite, a alma mente...
Mas, a intuição da gente,
esse pensar místico,
sopra no ouvido,
cutuca e desmente
e flecha o cupido.

28 de julho de 2014


Cores
Suzette Rizzo

Se os azuis sugam,
os verdes devoram como plantas carnívoras,
mas eu nunca menti.
O céu é o céu
a mata virgem é mata virgem.
Nunca me confundi,
ou misturei cores e sentimentos
por maior que venha a inspiração.


Amor ido é amor ido,
amor morto amor morto,
meus versos não adubam nem afligem
ou causam desconforto.
Se os azuis te desesperam
os verdes me recuperam
de um futuro torto


26 de julho de 2014


Importâncias
Suzette Rizzo

NÃO IMPORTA COMO ERA EXTERIORMENTE,
O QUE CONTOU FOI O IMPACTO,
O OLHAR DANÇANDO NO OUTRO,
OS SENTIMENTOS QUE SE ABRIRAM
COMO OS BOTÕES DAS ROSAS,
EM NOSSO JARDIM QUE ERA UM TODO. 

O QUE MAIS LEMBRO, DENTRE TANTAS LEMBRANÇAS,
É A MISTURA INTERIOR,
DO JEITO CARENTE E CRIANÇA.
OUTRAS VEZES CONSCIENTE, MADURO,
OS CÍLIOS LONGOS NOS OLHOS CERRADOS
E O SORRISO DE ESPERANÇA. 

O QUE MAIS LEMBRO É A LAGRIMA
ESCORRENDO PELO ROSTO,
CAINDO NA ROUPA, NO TAPETE,
VERDEJANDO MUITO MAIS O OLHAR,
MEU MUNDO E A VISÃO MISTERIOSA
DE ARCANJO, DE HOMEM-DEUS,

CRIATURA IMPAR, CAPAZ DE SENTIR E CHORAR. 

O QUE MAIS LEMBRO É DE CERTO ABRAÇO,
UM PEDIDO DE PERDÃO MAREJADO,
UM BEIJO ESTRANHO, GELADO,
COM GOSTO DE ADEUS, DE PERIGO,
QUE O MEU DOM INTUITIVO
GRITOU DESESPERADO. 

O QUE MAIS LEMBRO  É DELE MESMO...
DO ANDAR, DO JEITO DE FALAR,
ESPANTAR TRISTEZAS APÓS CHORAR
E, DAS MÃOS QUE SE UNIÃO PARA REZAR...
SIM , ELE ERA TODO DESAJUSTADO,
POR TODOS APAIXONADO,
MAS, REZAVA E AGRADECIA PELA VIDA,
QUE ERA FRIA, SEM FUTURO, SEM VIDA. 

E ELE DANÇAVA COMO NINGUÉM...
ERA ADMIRADO COMO NINGUÉM,
CARISMÁTICO,  BONITO, BOA CRIATURA,
CAPAZ DE SE DAR, SOCORRER,
SER PAR NA DESVENTURA. 

AH! LEMBRO TODOS OS DIAS,
LEMBRO TODAS AS NOITES... LEMBRO DE TUDO
E, NOSSAS LAGRIMAS SE MISTURAM,
ENTRELAÇANDO NOSSOS SERES,
NUM CANTO QUALQUER DO FUTURO. 

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Os olhos do poeta,
vêem o céu por dentro,
enxergam abaixo dos oceanos,
transportam-se para os altos das serras,
além das estradas,
beiram rios de dores
e vagam... vagam...  
entre musas variadas.


Os olhos do poeta
são mais que tudo
imaginadores!


Suzette Rizzo




Viciosidade
Suzette Rizzo

A gente se habitua ao pouco
porque o pouco torna-se tudo.
O pouco vira muito
quando a intensidade
e a assiduidade tomam conta
quando o tempo vaga junto.
A gente se perde no meio do caminho,
sente falta dos passos dados,
sente falta do que era nada
e era tudo.



Então a gente procura o dia
debaixo da cama,
a noite no poema ,
e o celular que jaz no criado mudo.
E a gente se perde,
a vida perde o sentido e é tal qual
quando a gente engorda
e nenhuma roupa serve.

25 de julho de 2014


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Em branco
o coração, a vontade,
o poema final
Em branco a história,
de ontem de hoje,
da vida acidental.
Em branco meu céu,
meu chão,
meu arsenal.


Em branco tudo,
até a noite de piche
coberta de sal


Suzette Rizzo

24 de julho de 2014



Jiló
Suzette Rizzo

As palavras dele, de jiló,
coisa que detesto,
esverdearam os vidros do bar
e da espuma da cerveja !

E esse verde mal pintado,
poluiu mais a avenida,
rolou pelas mesas...
ruindo assim castelos,
sonhos e estrelas !

E o sorriso que era lindo,
ficou lindo e só...
Piscando feito um farol
que é só farol!

E no meu interior,
o vazio invadindo...
Cercando imagens,
sons, paredes,
borrando tudo de musgo,
de amargo... De verde !

Suzette Rizzo

(Do meu baú)

Comigo foi assim



Comigo foi assim
Suzette Rizzo


Acontece...
Entra na vida, na essência,
se acomoda
e a gente recebe,
retorna o recebido,
entrega-se, crê no incrível
e se conforma até
com o  inatingível.

Acontece...
A decepção,
o final,
e depois as descobertas.
E então, a gente se pergunta:
O que era aquilo?
Quem era aquele sem meta,
a despertar sentimentos?
Contador de histórias,
jogador,
canalha,
poeta?


abril 18, 2014

Noção

Noção
Suzette Rizzo

Não há pensamento positivo
que descarregue na vida
realizações... (só lampejos)
e por mais ardentes e nobres
sejam os desejos.
Não há otimismo que vença o traçado
não há suficiência de ofensas
ao agastado.
Quisera eu saber o real significado
de alguns fatos cadentes
romperem sólidas correntes

23 de julho de 2014



Lapidação
Suzette Rizzo


É necessário palavras certas
polimento para descartar
os desamados.

É necessário senso, sobretudo,
o que falta aos seres
deste mundo



Acho que morro de todas as dores
quando alguém me finge
e a verdade escapa e me atinge.


Dúvidas
Suzette Rizzo

Começo a duvidar dos pensamentos...
São emaranhados de incertezas
e caminhos sem setas

Começo a duvidar dos sonhos
surgido no sono para iludir
Começo a duvidar das minhas pernas.


Ô corrida incerta!
Será mesmo que nasci?
Ou será que morri, ao pisar aqui!

21 de julho de 2014




Conclusão
Suzette Rizzo

Certeza dói mais, sem dúvida!
Nasce quando o fogo crepita
e queima a imaginação.
Mas, é preciso esperar tanto
para assistir
a volta do parafuso, de fato,
que o melhor
é esfregar a alma com força,
até esfolar a desilusão...


Então, purificar águas turvas,
rasgar velhas páginas,
permitir-se cavar novo espaço
verter novas lágrimas.

12 de julho de 2014



Vestimentas
Suzette Rizzo 

O pensar percorre instintos
e é ele a abrir os braços,
estreitar outro corpo,
beijar a boca,
cantar poemas.
Mas há também outro instinto,
aquele que se diverte,
que se mostra ou se derrete,
mas tem alma e corpo inerte.
O pensar escorrega
nas entrelinhas,
faz beicinho, franze a testa,
investe em si e enfim,
quase sempre se perde.


Saturday, July, 2014


Pensando
Suzette Rizzo

Se encontrasse a pele certa, vibraria
de desejo e alegria.
Se encontrasse a alma gêmea, triunfaria.
Mas encontro o poeta,
despejando palavras certas,
nestes ouvidos cansados das ironias.
E a pele que tanto importa,
permanece fria!

Se eu encontrasse o animo da vida
que dia a dia se perde
diante os atos dos outros,
não teria tanto medo do agouro
que sonhei um dia.
Se encontrasse a miscigenação
dos sentimentos
e vomitasse os lamentos, sacudiria
a alma sem balanço, sem mais dança,
sem mais tempo