21 de junho de 2014

Colapso
Suzette Rizzo

Este mundo
em que as vontades se envergam
como galhos das arvores
nas tempestades,
consome qualquer habitante.
Mundo aclive
em que eu pelo menos
rolo abismos
e sempre caio de onde estive.

Mundo ardido de fogueiras...
e o coração pobre coitado
fatalmente fulminado.
Pergunto-me por que
não passa logo uma nave
e me tira da ilusão-entrave;
Melhor é ser abduzida.
Aguardo um extraterrestre,
ou um intraterrestre, sei lá,
que de mim se enterneça
e aperte os eixos da minha cabeça...
Ou então,
regule as hélices da minha vida,
para eu funcionar sem mais esta fadiga
de viver neste planeta.




Pensamentos de um feriado
(...e um dia, alguém cantou pra mim)
Suzette Rizzo


Vejo o meu mundo preenchido
de coisas materiais...
Olho em volta da sala,
de outros aposentos,
sinto falta de um ser qualquer
para conversar
e nem mesmo ouço a voz do vento.
Não é uma solidão como outras,
não uma simples solidão.
É um vazio totalizado,
sem remédio, sem família,
vazio cada vez mais intensificado.

Enxergo agora tudo tudo muito estranho!

O planeta parece gigante
e eu tão minúscula, indefesa,
entregue nas mãos do universo,
que não sei o que fará comigo
daqui em frente,
nem mesmo se cavarei de mim 
futuros versos.
Difícil sentir o interior tão deserto,
cercado de fases tristes 
e em tudo ver tolices, crendices,
ter consciência dos meus restos.


Suzette Rizzo_January 25, 2010

Pensamentos feridos
Suzette Rizzo

Reduzida, muda, tristonha,
caminho meio tonta entre as dores
que surgem
nas sombras da calçada.
Há uma vitrine
na lateral do bar da esquina
e nela, vejo alguém de face pálida.
Serei eu essa figura tão miúda,
relaxada?
Serão meus estes apáticos pensares,
negativos, moribundos
e o tropeção na sarjeta,
os pés na poça d’água...?
Corro do vidro e de outros mais adiante,
abaixo a cabeça envergonhada,
entro em casa...

Nunca mais caminharei pelas tardes,
nunca mais verei esta figura
nem mesmo no azulejo,

nem nos sonhos, nem metade.

20 de junho de 2014


SONHOS DE PAZ
Suzette Rizzo

Não impeça meu caminho,
eu quero cair na vala,
no abismo.
Não se interponha
e coloque as chaves nas portas,
decidi buscar outro destino.

Não finja esse choro desonesto,
conheço seus temores,
transformam-se em castigo.
Vamos, saia da minha frente,
seja uma vez decente
chegou sua hora de sofrer.
De preferência não deixe nada doer,
pois não vou olhar para trás,
pretendo correr, correr, correr...
Até desmaiar na calçada
ser levada por alguém
pelo atalho do mar.
E lá, afogarei este passado,
enterrarei nas areias
meus sonhos asfixiados.
Chega!
Chega de acordar meus
últimos sonhos,
de viver com meus cães,
solitária, mas em paz.



CREDULIDADE
Suzette Rizzo

Acreditei que quando se arrependesse,
traria de volta o meu sorriso
a lua em minha janela,
o mar em meus sonhos,
o suprir das minhas carências.

Depois, acreditei que quando voltasse,
trouxesse o final da melancolia,
do negrume das tristezas,
e flores pela casa,
em homenagem a nossa consciência.

Acreditei em tantas coisas!
Não senti qualquer verdade,
nem a mesma fortaleza no abraço...
E essas suas mentiras e omissões
mastigaram meu futuro,
envergaram meus poemas
para baixo.


CICLOS...
ou "gritos da alma"
Suzette Rizzo

Gritam neste silencio,
as vidas da minha alma,
todas gravadas e vinculadas aos
meus sonhos de sempre,
nesta longa e fria estrada. 

Impossível voltar atrás,
acertar erros canibalistas,
pirataria...
Não posso mais escorrer
entre as pedras,
almejar o reino que eu não era
e, contudo, seria. 

Posso sim,
caminhar em frente,
apontar para o alto a flecha
do signo em que nasci...
E o resto, o lado ferino, 
pequeno,
deixar para sempre aqui... 

Certamente, 
junto a meus ossos em pó,
alimento das vidas de tudo...
E posso viver mais
um ponto do ciclo
que um dia se fechará,
para  ser novamente, meu inicio.


Suzette Rizzo
Ambição
Suzette Rizzo

Apenas, te queria presente,
fazer-me alívio aos teus flagelos,
exterminar tuas inseguranças,
afastar tua solidão.

Ah! Te queria bem perto,
poder extenuar tuas mágoas,
perdoar tuas falhas, apagar teus medos
realizar teus anseios.

Queria amparar teus passos,
situar em mim teu espaço,
expulsar tuas tensões,
relaxar teu desgaste.

Queria tornar realizável,
esta carência minha de mimar,
quem enche meus olhos de mar
e mistérios que são abraços.

Queria, como eu queria ser,
quem teu coração escolhe...
Para desequilibradamente,
seguir teu rastro !
                    Suzette Rizzo


Alta madrugada
Suzette Rizzo

Chama...
acorda meu sonho,
meu voo...
faz-me sonâmbula, amante,
mulher que morre de amor.

Abro a porta meio adormecida,
é tão tarde!

Mas o que importa é que ele chega,
fazendo do meu corpo a sua cama,
o fim da noite agitada,
o descanso da sua vida.

E canta um laraialara,  repetido
na lembrança,
porém, exibindo o desejo
e, a imensa vontade que o faz amável,
jeito mesmo singular
de dar-me amor.

Acorda-me de vez, tamanha doidice !
Enrolando-se em minhas pernas,
jogando-me pra lá e pra cá
como se eu fosse inflável,
contorcionista,
levezinha e maleável.

Deixo-me levar.
Mal tenho tempo
de gritar esta estúpida paixão.
Adormece em meu peito,
ouvindo meu coração.

Suzette Rizzo





Escavação
Suzette Rizzo

Cavo um buraco na alma
 
para desenterrar vitórias,
existidas talvez, há milênios.
Ou será ilusão?


Toda noite escavo meu poço profundo,
procurando uma vida oposta a esta,
de paz, 
acontecida talvez em outro mundo
menos glutão.
Em mim, apenas a má premonição,
 
desenhando impossibilidade e morte
dos sonhos bons.
E de resto,
nem bastou esfolar  a sola dos pés
nestas décadas
ou vasculhar  a vida para encontrar
 
a ponta do fio da meada.
Esperança vã, me deparar
com uma mera conquista.
Concluo:
 
Algo não quer  que esta alma triunfe
ou exista.

19 de junho de 2014


Sucata
Suzette Rizzo

No canto da vida,
no meio do entulho,
a alma sucata
a cabeça enferrujada,
eu, agora nada.

Assim é
quando o mundo estraçalha...
quando a água engasga
quando a porta esmaga a alma
quando tudo vira lata.

Assim é
o desânimo desgovernado,
o destino freado...
histórias todas mal resolvidas

Estou lá no ferro velho
da avenida poluída.

Suzette Rizzo
September 11 2009

SHIRRA

Shirra
Suzette Rizzo

Se foi!
Era o anjo que me guiava, protegia
e me alegrava.
Era anjo no olhar, um olhar que dizia
um olhar que amava.
Se foi, sofredora,
sem choro, gemidos altos,
silenciosamente...
O focinho  entre as patinhas
entregue a dor.
Shirra era luz, iluminou...
Dormiu minha amadinha,
acordou eu sei, num lindo jardim,
o meu amor.


June 18, 2014

17 de junho de 2014

SUAVES RECORDAÇÕES
Suzette Rizzo
  
Dançou a beira de um lago,
transou ao som dos pássaros!
Foram poucos os momentos prazerosos.
Os amores transbordam mágoas
incham olhos ácidos.

Compôs e cantou demais romantismo,
gravado no media player do computador.
Fez um poema cósmico,
mil outros confusos,
mas, cada frase foi de amor.

Não mais viveu,
quando a solidão tomou posse
e o passado perdeu-se-lhe dos olhos.
Não mais chorou
emoções materiais,
quando a alma não mais regou,
o jardim do coração !

Suzette Rizzo 
*Todos os Direitos Reservados*