23 de maio de 2014

Amores
Suzette Rizzo

Nem parece real
ter caminhado por ruas desertas
cantarolando a canção do Dusek.
Madrugada quente, madrugada fria,
anos repetidos... torpor...
o coração transbordando
poemas de amor.


Esperanças e sonhos borbulhando   
todo o tempo,
um aperto, no entanto, por dentro,
de uma saudade chorosa,
de olhar embaçado,
antecipados tormentos

Nem parece real
ter amado outro, um dia,
de modo semelhante...
ter esquecido tudo aquilo,
os momentos cálidos,
todo e qualquer desmaio 
sob o azul celeste...
Nem lembro ter amado antes,
nem parece!

Madrugada quente,
madrugada gelada de inverno
outro olhar enfraquecendo as pernas,
transformando em céus meus infernos.
O resto trancafiou-se por si 
no calabouço
definhando o que era eterno


Desaponto
Suzette Rizzo

Juras, mentiras, cilada,
escolha péssima ou melhor
(léxica).
E pensar, caí em outros ardis
e esta essência ainda é crédula.
É minha a culpa, o termo ‘acontece’
é desculpa amarela, da terra.
Para o futuro esperteza,
olho aberto,
porque o mundo é sempre fera.



Quantas palavras (cruzadas)
sem pé nem cabeça,
quanta  simulação,
paciência de santo,
é óbvio...  exigiu destreza!
Puxa! Decepção!
Quanta chuva fazendo lama
no meu chão!

21 de maio de 2014











Tão Chatos
Suzette Rizzo

Quem vai ligar?
Para este meu tédio crônico,
a estes versos biônicos,
compulsivos, catatônicos
Quem vai ligar?
para os meus abstratos,
paixões perfumadas
de puro extrato,
às vantagens, desvantagens
do meu destino ingrato.














Quem vai ligar?
Nem eu me importo
com pensares desidratados,
insignificantes...
tão chatos!

19 de maio de 2014


Não aceito
Suzette Rizzo

Viajas
não sei ao certo,
Se por cenários fantásticos
ou ainda repousas
num leito acolhedor.
Viajas daqui, de mim, da vida
levam-te a outra margem,
verás outras essências,
viverás nova etapa,
formas distintas, a paz sonhada.

Viajas
e nada levaste de teu,
nada que guardavas,
nem livros, CDs...
E teus sonhos opacos
agora desfilam na minha cabeça.
Foram poucos os teus sonhos,
simples sonhos e desejos,
muita apatia e magoas.

Viajas de mim e de ti
daquele corpo que vestias,
vitorioso sim
das devastadoras ironias.
Viajas meu irmão...
E embora
 conhecedora dos meus deveres
para que tenha a paz merecida,
não consigo, não aceito
tua repente despedida,
não aceito não.

Suzette Rizzo 
(Para meu irmão falecido em 22 janeiro 2009)


Vem não, José!
Suzette Rizzo

Vem não,
sem essa de dilema aquoso
pra cima de mim.
Vai verter a insanidade,
noutra parte.
Tá esfomeado, Joseph ?
Pega na adega um vin sec
saboreia com montanhas de escargot
e convida uma boboca,
pra pousar de deslumbrada
na sua tenda de amor.

Suzette Rizzo

18 de maio de 2014


Emoções 
Suzette Rizzo 


Havia reciprocidade
no cheiro, no gosto,
no encaixe do corpo,
no banho quase morno...



Havia além de prazer na fuga das tardes...
na cerveja esquecida,
aquecida das mãos
naqueles finais.

Momentos mágicos, extravasados,
desejoso do outro mais que tudo,
perdidos contudo
nesse dilema do proibido.

Só não havia contentamento na despedida...
Cada qual pra sua vida
carregando as culpas
de simples mortais. 

Incrível não haver saudade
depois de tanto!
Mas não há.

17 de maio de 2014




Através dos tempos,
através dos olhos,
a alma 
Suzette Rizzo 
 
Esse olhar só teu, menino,
rompe barreiras, segredos,
penetra e escorre por dentro
feito veia que arrebenta
pra  gerar choros e medos.

Esse olhar só teu,
a procura de surpresas,
é de ego estraçalhado
vadiando pelas noites
desatando as almas presas.

Esse teu olhar, menino,
é o motim da lua nova
a parte boa da cerveja,
é mesmo tema pra poeta,
a cor que expele incertezas.
  
Esse teu olhar, menino,
vai sugando as emoções
de quem precisa de estima
e se entrega em desatino
só prá ter uma ilusão.

Esse olhar só teu menino
corta como dente quebrado...
Fere e marca feito faca
mas, adoça, cola e fala
intensamente a luz dos astros       


Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados

Amor oculto
Suzette Rizzo

Cala...
não nega, nem afirma
para bom entendedor o silencio
basta.
Mas, eu, como péssima fingidora
nessas coisas de amor oculto...
revelo no olhar, sem querer,
tudo que ele quer ler

Vou seguindo por este caminho 
temerosa do luar.,.
o mundo ainda ruindo,
sem que eu possa nem gritar.
E ele mudo,
mostrando  seus olhos profundos..
tentando cruzar os meus,
mas inda estou fora do mundo.

O que ele não sabe é da profecia...
ou o anjo me iludira?
O que não pressente é que rotina,
ou estressa ou aproxima.
Assim mesmo, vamos indo...
Ele, mudo, e eu, do meu jeito,
pedindo... pedindo,
pouco... pouquinho...
esperando dele muito!

Suzette Rizzo 
May 16, 2014






Ascendente sol
Suzette Rizzo

Escapa um soluço neste curso,
agora sem direção...
soluço afogado,
ilhado,
das lembranças do coração.



Perturbados sentimentos os teus!
Correram rápido a outra ponta
da cidade,
deixando  teus olhares, palavras,
meu ser enfeitiçado
e horas amargadas.

Quisera excluir-me do mundo...
não mais me entroso tamanho paralelo.
Há  somente desencontros, desamor...
por mais que se encaixem,
alguns iguais desencantados.

Era sentimento etéreo,
mas gritou o grave da frase-feita
e o agudo desesperado do fim.
Sentimento pulsante,
agora embalsamado
no peito angustiado...
E pensar que ao redor de nós já dançaram  
sensações flutuantes!

Sentimento forte, fortalecedor,
brotado a luz da lua,
morto ao nascer do sol.
O teu ascendente sol...
Calor do mundo !

E aprendo nestes dias,
como somos desiguais
em nossa vida noturna.
Escoro-me neste amontoado de travesseiros 
para chorar lamentos,
desgostosa da minha sentimentalidade,
ancorada neste corpo
vestido de saudade...

Enquanto certamente descansas,
músculos todos relaxados,
aquele mesmo sorriso
planejador de aventuras...
De madrugadas morenas,
em novo ponto da cidade.



15 de maio de 2014


A vida no Mundo
(Oposição)
                 Suzette Rizzo

A vida não é um poema de Tagore
nem o desencadear de um vento visitante...

Não é, creia, um drama temporário
nem a linda canção dos pássaros.

A vida é o lar carcerário,
um tempo quase sempre trágico.

Saiba, a vida fura como estiletes
fere com unhas de bruxa,

dilacera como os caninos das feras
ingere como a morte ingere, nossa alma.

Vida é poema deficiente,
capaz de deleitar a vista

e ao mesmo tempo esmagar--nos
ensandecidamente

Porque o mundo segundo Nietzsche
é um monstro paranóico e lamacento
e somos  irmãos de quem disse.

Vida é sonho caído da estrela
que o mundo escorraça

e o chão freia,
em meio ao todo de mentes doentes

E os ideais espatifados no solo
não são de um meteoro

ou rápido cometa
sofrendo de vez a queda

Além disso, vida é só perda
e é lenta como um burrico
empacado em frente a cerca.
                                            Suzette Rizzo

Arremesso
Suzette Rizzo

Nem pude responder,
senão indignar-me.
Cadê o romantismo  igual ao meu,
o carinho exagerado,
a delicadeza das palavras...
enfim, a poesia...
Nem foi pra mim, nem foi sentir
e subitamente tudo se escafedeu.
Não pude aquietar-me
e deveria,
mas não quis ser legião.
nem poderia
se fui anjo nas tardes frias.
Não pude deixar de lado
encerrar-me atrás das grades
enterrar-me sem poesia.
Se fiz o que não podia,
e fui alvo de zombaria...
Ora!
Vomitei  selvageria!