19 de maio de 2014


Vem não, José!
Suzette Rizzo

Vem não,
sem essa de dilema aquoso
pra cima de mim.
Vai verter a insanidade,
noutra parte.
Tá esfomeado, Joseph ?
Pega na adega um vin sec
saboreia com montanhas de escargot
e convida uma boboca,
pra pousar de deslumbrada
na sua tenda de amor.

Suzette Rizzo

18 de maio de 2014


Emoções 
Suzette Rizzo 


Havia reciprocidade
no cheiro, no gosto,
no encaixe do corpo,
no banho quase morno...



Havia além de prazer na fuga das tardes...
na cerveja esquecida,
aquecida das mãos
naqueles finais.

Momentos mágicos, extravasados,
desejoso do outro mais que tudo,
perdidos contudo
nesse dilema do proibido.

Só não havia contentamento na despedida...
Cada qual pra sua vida
carregando as culpas
de simples mortais. 

Incrível não haver saudade
depois de tanto!
Mas não há.

17 de maio de 2014




Através dos tempos,
através dos olhos,
a alma 
Suzette Rizzo 
 
Esse olhar só teu, menino,
rompe barreiras, segredos,
penetra e escorre por dentro
feito veia que arrebenta
pra  gerar choros e medos.

Esse olhar só teu,
a procura de surpresas,
é de ego estraçalhado
vadiando pelas noites
desatando as almas presas.

Esse teu olhar, menino,
é o motim da lua nova
a parte boa da cerveja,
é mesmo tema pra poeta,
a cor que expele incertezas.
  
Esse teu olhar, menino,
vai sugando as emoções
de quem precisa de estima
e se entrega em desatino
só prá ter uma ilusão.

Esse olhar só teu menino
corta como dente quebrado...
Fere e marca feito faca
mas, adoça, cola e fala
intensamente a luz dos astros       


Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados

Amor oculto
Suzette Rizzo

Cala...
não nega, nem afirma
para bom entendedor o silencio
basta.
Mas, eu, como péssima fingidora
nessas coisas de amor oculto...
revelo no olhar, sem querer,
tudo que ele quer ler

Vou seguindo por este caminho 
temerosa do luar.,.
o mundo ainda ruindo,
sem que eu possa nem gritar.
E ele mudo,
mostrando  seus olhos profundos..
tentando cruzar os meus,
mas inda estou fora do mundo.

O que ele não sabe é da profecia...
ou o anjo me iludira?
O que não pressente é que rotina,
ou estressa ou aproxima.
Assim mesmo, vamos indo...
Ele, mudo, e eu, do meu jeito,
pedindo... pedindo,
pouco... pouquinho...
esperando dele muito!

Suzette Rizzo 
May 16, 2014






Ascendente sol
Suzette Rizzo

Escapa um soluço neste curso,
agora sem direção...
soluço afogado,
ilhado,
das lembranças do coração.



Perturbados sentimentos os teus!
Correram rápido a outra ponta
da cidade,
deixando  teus olhares, palavras,
meu ser enfeitiçado
e horas amargadas.

Quisera excluir-me do mundo...
não mais me entroso tamanho paralelo.
Há  somente desencontros, desamor...
por mais que se encaixem,
alguns iguais desencantados.

Era sentimento etéreo,
mas gritou o grave da frase-feita
e o agudo desesperado do fim.
Sentimento pulsante,
agora embalsamado
no peito angustiado...
E pensar que ao redor de nós já dançaram  
sensações flutuantes!

Sentimento forte, fortalecedor,
brotado a luz da lua,
morto ao nascer do sol.
O teu ascendente sol...
Calor do mundo !

E aprendo nestes dias,
como somos desiguais
em nossa vida noturna.
Escoro-me neste amontoado de travesseiros 
para chorar lamentos,
desgostosa da minha sentimentalidade,
ancorada neste corpo
vestido de saudade...

Enquanto certamente descansas,
músculos todos relaxados,
aquele mesmo sorriso
planejador de aventuras...
De madrugadas morenas,
em novo ponto da cidade.



15 de maio de 2014


A vida no Mundo
(Oposição)
                 Suzette Rizzo

A vida não é um poema de Tagore
nem o desencadear de um vento visitante...

Não é, creia, um drama temporário
nem a linda canção dos pássaros.

A vida é o lar carcerário,
um tempo quase sempre trágico.

Saiba, a vida fura como estiletes
fere com unhas de bruxa,

dilacera como os caninos das feras
ingere como a morte ingere, nossa alma.

Vida é poema deficiente,
capaz de deleitar a vista

e ao mesmo tempo esmagar--nos
ensandecidamente

Porque o mundo segundo Nietzsche
é um monstro paranóico e lamacento
e somos  irmãos de quem disse.

Vida é sonho caído da estrela
que o mundo escorraça

e o chão freia,
em meio ao todo de mentes doentes

E os ideais espatifados no solo
não são de um meteoro

ou rápido cometa
sofrendo de vez a queda

Além disso, vida é só perda
e é lenta como um burrico
empacado em frente a cerca.
                                            Suzette Rizzo

Arremesso
Suzette Rizzo

Nem pude responder,
senão indignar-me.
Cadê o romantismo  igual ao meu,
o carinho exagerado,
a delicadeza das palavras...
enfim, a poesia...
Nem foi pra mim, nem foi sentir
e subitamente tudo se escafedeu.
Não pude aquietar-me
e deveria,
mas não quis ser legião.
nem poderia
se fui anjo nas tardes frias.
Não pude deixar de lado
encerrar-me atrás das grades
enterrar-me sem poesia.
Se fiz o que não podia,
e fui alvo de zombaria...
Ora!
Vomitei  selvageria!

14 de maio de 2014

Retrocesso
Suzette Rizzo

Procurava o Caminho do Meio;
a retidão, o equilíbrio...
nem tanto ao céu nem tanto a terra.
Procurava aperfeiçoar meu jeito,
afastar o exaurido,
sonhos de amor deslumbrados,
virar a esquina, deixar para trás
erros parecidos.


O resultado foi oposto...
Forcei  a barra, afastei o pressuposto
e quando dei por mim
estava pálida, infeliz,
voltando pelo caminho conhecido,
desarrumando a casa,
sentindo ódio do novo.
Procurava o Caminho do Meio,
pensei ter achado o bom tesouro,
errei o passo... regredi tão feio!


13 de maio de 2014

Buraco negro
Suzette Rizzo
                               (Depressão)

Meus sonhos dormem
no espaço vago do universo,
sequer passagem de naves...
onde os anjos não chegam
e os sons não despertam versos 

Ilusões todas apagadas,
distantes
da possibilidade de alcance, 
fugidas da mente exausta
da insone e cruel verdade. 

Vago no deserto céu,
onde os mundos não nascem,
onde Deus escolheu
pra ser caos e negrura,
livre arbítrio da desventura,
circulando neste espaço. 

Aqui, o sonho não cabe...
a luz não atravessa,
e transporto-me a esse buraco
entre seres que não vejo...
Onde a alma se esquarteja
e não mais encontra os pedaços.
                                 Suzette Rizzo


11 de maio de 2014

Pedradas
Suzette Rizzo

Algumas poucas boas lembranças
encobertas pelo nevoeiro,
ocupam a mente agora pasma...
Pareço uma alma paralisada
como nuvem mantendo as chuvas 
bem guardadas.  
Hoje, meu único objetivo,
é ser alcançada por figuras
menos tempestivas... mais civilizadas.

E o tempo, esse inimigo
aliciador da memória e fatos semi-vivos,
agarra sentimentos
com unhas de águia,
trazendo dos confins
momentos explosivos,
pedradas.

Nada substituindo minutos ingratos,
por outros velozes, sensatos...
Continuo por entre paisagens
cada vez mais mortas,
como um espelho que reflete
a triste mutação das formas.

Bom seria amar lembranças!
Tê-las ao alcance,
sem qualquer desnível,
isentas de qualquer sombra que ofuscasse
fases vencidas,
as engolidas e soltas no vai e vem
por ondas revoltas do mar da vida.

Desejo às vezes tudo, menos o vazio!  
Viesse à lembrança o inicio dos tombos,
das dores açucaradas,
das doses menos amargas,
outras com gosto de coisa bronca,
qualquer escapismo...
Fatos da mesma alma imobilizada,
ferida a pedradas,
de quem quer sonhar e não sonha.

Suzette Rizzo