1 de maio de 2014



E MORRE UMA ESTRELA
Suzette Rizzo

E morreu aquela estrela
que brilhava intenso.
Morreu também a lua cheia,
a nova
e o abacateiro,
refresco aos meus olhos
chorosos.

Estão mortas as noites  
calmas... 
os sonhos agradáveis, 
as luzes de néon  
daquela rua, 
cujas nuvens desabam lembranças  
sempre retornáveis.


Meus olhos não param
de buscar visões
para o meu poema.
Meu peito geme
emoções
e perco-me nesta estrada
de pedras,
na alma deserta
da madrugada.

Quanto te procuro 
e não te vejo em meus escuros! 
Não sei onde estás, 
nem onde fica a tal ponte
e, não sei porque tenho agora 
sonhado mais com o teu mundo, 
no suave azul do céu!





Mergulho
Suzette Rizzo

Mergulhas em quaisquer águas,
azuis, cinzentas, turvas, de chuva...
Tenho pena dessa busca,
quando penso na torpeza,
sinônimo do que és...

Mergulhas no poema alheio
para sonhar desejos despudorados
e extrair outros, mais outros...
e assim concluir seu todo.
Aplaudes a ti mesmo,
representando repetidas mentiras
nesse anfiteatro fantasioso,

em que purgas versos tolos.

30 de abril de 2014

Saudade
Suzette Rizzo

Saudade inquebrável, de pedra,
calcada no peito,
só lascada do grito...


Saudade pardacenta,
misturada ao árido deserto
de um poema endurecido.

Saudade tormenta,
de mares agitados...
devoradora desta alma solitária.

Saudade que o sol dilata,
a tarde fareja
e como ácido ferve quando a noite chega

Saudade debulhada,
misturada ao desespero, torturada...
pingando incessante na minha cabeça...
na pedra que não fura ou cambaleia.

Texto: Saudade

Autoria: Suzette Rizzo



COISAS SIMPLES
Suzette Rizzo


Lembro daquele boneco
de olhos expressivos
comprado naquela loja
da rua Álvaro de Farias...
Do Gordo e do Magro de porcelana,
enfeitando a estante...
Da sua paixão por corujas,
dos CDs da Ella Fitzgerald
e Shirley Bassey
nas horas de descanso...
E lembro-me do cachimbo com fumo de maça,
tentativa que não deu certo.

Nada tenho mais.
Vendi aquelas coisas todas interessantes ou não...
Precisei!
Todos os seus livros,
até mesmo os do Cony...
e o pingüim de geladeira,
que brincadeira!
De cara fechei no armário
da cozinha, pra ninguém ver.

São agora lembranças bem guardadas
no pensamento.
De concreto, nem esperança,
nem tempo mais pra esperar.

Suzette Rizzo



29 de abril de 2014


Repouso
Suzette Rizzo

Repousa nos pensamentos
um longínquo sentimento de amor.
Seria drástico não fosse lógico,
seria bom não fosse trágico,
o desabar das ilusões.


Todo o entendimento ruma
estrada abaixo...
todas as convicções derrotadas,
todos os bons sentimentos remoídos
reduzidos a pó e do pó a nada.

Descanso a mente do incerto...
Sou pensadora convicta das modificações
que o tempo ensina.

Arreada, desisto do deslumbramento,
das esperanças e da minha crença,

por ora em detrimento.



Meu lema
             Suzette Rizzo 

Não poderia estampar
a máscara da felicidade
em minha cara
porque o oposto gruda no rosto.
Nem poderia fingir nunca,
porque a verdade é meu lema
e essa bandeira ergo
seja como e onde for.



Não poderia ser
uma outra que não sou
nem mesmo pra contentar
fantasias de amor.

Coisa  banal
tatuar ares sorridentes
quem não tem...
Se a vida não sorriu,
não sorriu, ponto final.


Não poderia ter olhares curiosos
ou estúpidos...
acho sem graça
semblantes únicos.

Não posso correr
do meu sub consciente,
nem luzificar as sombras
da minha alma.
O emocional descomedido
faz parte da minha vida
e me arrasa...
Minha sensibilidade máxima
jamais se acalma.

Mas, nunca virei a mesa,
nem rodei a baiana...
somente sento na calçada
e choro borrando a cara.
Talvez eu seja o mecanismo
de uma obra meia boca
por ora inacabada.



Acorrentados
Suzette Rizzo

Estou no pensamento
daquele que me lembra
alguns momentos.
E preenchemos certo espaço
que jamais será vago
nem levará pra longe
seja fraco ou forte o vento.
Existimos e estaremos interligados,
almas conjuntas que somos ,
corrente cujos elos
no tempo se juntam. 
Não há como secar
sentimentos vazantes
do oceano das essências
de ânsias semelhantes.
Por hora o que há
é matéria individual
por ora desagregada,
cada qual moldada a outra massa,
par ou não da densidade.
De nós, creio, muito sobra,
embora sejamos sombras
aguardando a soltura
e revelação de tudo.
Além disso, temos sim, 
a graça e o poder
de imaginarmos asas
a sobrevoar nossos mundos,
tal anjos ou bruxos.


Farejando
Suzette Rizzo





Toco o céu com as mãos
e não estou no Himalaia
Daqui deste delírio,
integro-me ao Todo.

Vou além, para lá...
onde se escondem sutilezas.
Muito além da lua e dos planetas
e tão perto que alcanço o pensar
e sinto a boca que me beija.

Toco o ar, aspiro fundo,
recolhendo em mim
meus queridos todos.
Do meu universo transbordam
milhões de estrelas...
E dele caem os versos
que a alma fareja. 
 




ESTA NOITE
Suzette Rizzo  

Esta noite,
meu sonho atravessou
ruas e ruas...
embriagou-se de tanta busca
pelos bares da redondeza. 



Depois, despertada,
uma tristeza aguda
se infiltrou...
Perdi todos os caminhos
das visões iluminadas. 

Mas, esta noite mais que outras,
fui premiada...
Meu sonho subiu escadas,
ultrapassou portas trancadas
e vivi grande apogeu...

Esta noite
meu sonho se deitou
ao lado do teu.

Suzette Rizzo



Como será?
Suzette Rizzo

Não preciso mais sentir dor
para aprender a vida.
Devo ensinar-me  o riso,
algum jeito de sentir
alegrias novatas...
Na verdade fartei-me
de tantas lágrimas.

Certo escritor me disse que o riso
a gente colhe pelo caminho,
fixando o céu, inventando arco Iris,
na imaginação simples
de estarmos vivendo 
dentro de um sonho.

Mas, como será isso?
Pergunto ao meu lado menos insano.
Como será que a alma da gente
sorri com gosto, fingindo não ver

este mundo  profano!?

28 de abril de 2014


Mitos
Suzette Rizzo

Fantasias desembocam
no imenso oceano das emoções,
mas os frios das profundezas
variam nas estações.
Quanto aos desejos,
flutuam sob as águas,
mas afundam
e a cobiça se afoga desamparada:
isenta de salvação.



E as lendas então?
se desmistificam  e de repente
sobram só águas paradas.
Concorda o quanto é lindo apreciar
a perfeição de esculturas que se amam?
Mas a arte exagera,
amor é finito, vive apenas nas estatuas.

E é fato, o autor em seus textos
poetifica maravilhas,
embora omita verdades...  
A arte, não imita tanto a vida,
menos ainda, a vida imita a arte!

Almas se enganam, se estranham,
nem são tão sábias,
os cérebros afinal são tão insanos!
Se fossem os imos ajuizados
não se inspirariam
no falso e pobre humano.

Mentem todos os que
odeiam amorosas ligações
e se ligam afirmando
encontros casuais,
Cedo ou tarde se abrem
exibindo certezas...
Que tolos são os amores carnais!

Além disso, é sempre mito a eternidade
em qualquer tipo de relação.
Meu poeta morto sempre disse:
“Na vida, o que mais existe é drible
e uma seta apontando

esquinas contra mão”.