4 de janeiro de 2014

Sonhos?
Suzette Rizzo

Sonhei algo embaraçado,
rumei terras distantes.
Adentrava campos de esmeralda,
solo forrado de folhas vivas,
insetos que os pés não pisavam. 
Os bichos cercavam-me a alma
cantando canções de acalanto...
ouvia-lhes
a voz de amor aos quatro cantos.
Acima da cabeça estrelas móveis,
mescladas,
reluzindo chuvas de outono.
No rio meu reflexo
não  mais de desencanto.



Por dentro a alma serena,
meu signo descansando as patas,
o cachorro lambendo-me as mãos
e uma rua de casas brancas
era a minha  direção.
Sentei-me na pedra lisa
e um duende coroou de flores
minha novíssima vida.
Alguém me sorri
e lê um poema místico...
Acordei perfumada do incenso
que não acendi.

O preço
Suzette Rizzo

Pago alto preço pelo cotidiano,
por isolamento imposto pelo destino,
por bons momentos só por e-mail, 
por lembranças das muitas feridas...

Pago alto preço por amar o proibido,
por tudo que sinto mal resolvido,
ter que ouvir meu próprio grito
guardar todos meus segredos.




Pago alto preço pelos tropeços
acontecidos, malditos...
preexistidos há tantos anos
antes mesmo do renascer.

Pago alto preço
pela sorte do amor acontecido,
pelo céu manso que me cobre
por não ter nada de meu.


Saturday, January 04, 2014

3 de janeiro de 2014

Sonhos despertos
Suzette Rizzo

Viajo no pausado da tua voz,
na mansidão do carinho,
nos desatamentos
desses nossos nós.
Viajo por toda noite insone
e te vejo primeiro
recostado na parede.
Nada estranho, pois  te visualizo
e assim mato esta sede.
Viajo  sim,  no abraço
e adormeço no mormaço
dos teus braços,
enroscada em tua ‘rede’!


Friday, January 03, 2014
Exaustão
Suzette Rizzo

Não quero sentir nenhuma dor,
nem mesmo a dor do amor,
por final de amor ou por tanto amar.
Quero viver mudanças
e que o amor seja
nem fragilidade ou fortaleza,
simplesmente seja
uma doce proeza,
a magia do encantar.
Chega de apunhalar-me,
com infortúnios sombrios
que cercaram este ser de farpados.
Não quero não retroceder,
nem que seja memorizar 
a reclusão do vivido.
Basta!!!
De ouvir em alto tom, 
arder-me no fogo do passado.
... me abraça, ta bom?


Friday, January 03, 2014
SONHAR
SEMPRE VALE A PENA
Suzette Rizzo

A década da minha juventude,
já não era tão romântica.
Mas, quanto a mim,
o mar trazia mensagens,
sonhos molhados
e a lua inspirava ternuras
e todas as coisas puras. 

Nesta década de maturidade,
o mar trás saudades
na mansidão das ondas.
E a lua acorda sensibilidades,
desperta desejo de aventuras
deixando-me a alma tonta. 

Porque um poeta não relaxa;
sempre sonha !

Suzette Rizzo


A importância dos meus poemas
Suzette Rizzo

Prossigo meu percurso,
carregando junto ao peito
meus poemas
e, a saudade do tempo
em que catava conchinhas
beira-mar.
É o refresco da alma
esse relembrar.

Incrível, como um pensamento
filho dos sentimentos,
pai das lembranças dos nossos anos,
são tesouros bem guardados,
apesar do lacrimejo tantas vezes
nos papeis amarelados.

Qualquer outro apego
aos meus pertences, não existe.
Nenhum objeto exceto meus escritos
e daqueles que admiro,
mais novos e antigos.
Nada mais importante,
nem que fizesse escavações
e desvendasse mistérios no Egito.

Prossigo por aqui,
entre os altos e baixos da vida...
Num século atribulado
tamanha ganância,
agarrada aos meus poemas
conturbados,
porem gerados das entranhas.

Suzette Rizzo
Dor do amor
Suzette Rizzo

O quarto é pequeno
e a dor tão grande
que preciso a sala
para desafogar o peito
atolado em lágrimas.


Mas sou tão diminuta debaixo do céu,
que por mais que grite loucamente
nenhum anjo me ouvirá.
Nem a estrela minha fada,
nenhum querubim,
levará esta dor de amar.


Continuo a chorar...
Um dia, se ninguém acudir
meu peito secará.
Mas a dor deste amor,
sei não, se passará.
Suzette Rizzo

2 de janeiro de 2014

Amando tanto!
Suzette Rizzo

Pareço, ora um pássaro leve e pequeno,
planando os ares do meu sonho.
Outras vezes, me sinto um cisne branco
deslizando por um confortante lago azul.

Engraçado!

Sonho-me algo que paira nos ares
com sorriso colado no rosto,
na boca um gosto doce,
bem estar a noite toda,
estou pluma nesse céu.

January 2, 2014


1 de janeiro de 2014

Admissível sim
Suzette Rizzo

Plantei ilusões
neste meu jardim subnutrido
de esperanças
e renasci dessa meia volta
que me faz outra vez criança.
Ah!  Este amor farejado 
transporta-me 
por entre odor de flores,
extermina o asfixiado vazio 
impregnado de amargores.
Não é certo me recolher,
nem certo sufocar o afeto 
ou a fluência das emoções 
do meu ser para o teu.
Extrapolamos palavras e caricias,
nosso jeito volumoso de amar...
Trocamos estrelas e ternuras
que o céu nem ousa reprovar.
Plantei ilusões na alma nua de sonhos,
colho magia em teu olhar castanho.
Ousamos contra a correnteza, 
mas ancorados recebemos do Oceano 
graças e ganhos.

Suzette Rizzo _ November 16, 2013
Néctar
Suzette Rizzo

Prazer é tudo que faz os olhos semi cerrarem-se!
Vem do pensar quando exala perfume,
de palavras que serenizam
e elevam tudo ao cume...
Prazer é o que se sente quando alguém se aproxima
e a alma tremula emoções
como fazem cardumes.

Prazer é tudo e qualquer pensamento,
a gênese num só momento,
é destino que se cumpre!


Wednesday, January 01, 2014
Mortal
Suzette Rizzo

Não me conheço, penso.
E quando me encontro no espelho,
ora me odeio,
ora me beijo.
Minha alma às vezes é como um raio,
uma estrela cadente em pleno curso,
mas sou mais tempo como a lua
que se esconde lentamente.
Não sei se me falta ar
por estar em meio ao fogo,
ou se me incendeio por odiar
este meu jeito louco.
Não me conheço, penso.
Mas desfaleço creia... Se não te tenho!


Wednesday, January 01, 2014
Te peço
Suzette Rizzo

Tem piedade de mim
que tanto quis,
sem perceber o mal que fiz.
Tem piedade do amor real,
dos acontecimentos casuais,
dos caminhos que se cruzam
depois dos Portais.
Tem piedade de mim
perdida nesta estrada,
nestes desejos impossíveis,
piedade
desta borboleta cega de paixão
se debatendo nos muros da ilusão...



Tem piedade deste aflito coração,
que de tão liberto das opressões,
tornou-se desonesto
e de tão amante tornou-se pecador.
Tem piedade eu Te peço, das raízes
que não podem emaranhar-se nesta terra...
Tem piedade do que gotejou sensivelmente
e agora coagula
fechando os vãos da culpa,
pouco a pouco lapidadas com  tanta dor!

Wednesday, January 01, 2014


31 de dezembro de 2013

Declaração
Suzette Rizzo

Escrevo a minha vontade
de gritar...
Você não ouve, mas grito
alto, aflito...
E digito coisas desconexas,
pois falta coragem
de colocar pingos nos is,
dizer com todas as letras
meu delírio.
Você não percebe, mas xingo.
Escrevo tudo o que sinto
ou não sinto
e troco letras, modifico o tema
e você nem se da conta disso.
Nem quando danço as mãos no teclado,
nem se canto meu poema.
Só sei que escrevo:
Lagrimas, saudade, sentimentos...
e você, nem consegue notar
meus lamentos.
Mas escrevo tudo, todo o tempo
e você nem imagina o quanto escrevo,
o quanto penso.
Às vezes nem sei o que digo,
apenas prossigo
mesmo distorcido.
Porque a minha vontade
é escrever a alma... com calma
pra você entender.
E você, escreve... escreve...
sem saber de mim,
muito menos que escrevo pra você.

2010


30 de dezembro de 2013



SERÁ QUE SAUDADE
MORRE ?
Suzette Rizzo
 
Quanta saudade do amor
que transforma tempestade
em noite linda!
Amor que veste a alma de alegria,
a boca de sorrisos
e o pulmão de ares limpos!
 
Amei tanto em minha vida!
Perdi medos, corri riscos,
vi o céu em cada teto,
conversei com anjos discretos,
no paraíso dos meus sentidos!
 
Quanta saudade do amor!
Que nasceu de areia
e se auto-destruiu,
vazando das minhas veias,
o sentir que se esvaiu.
 
Quanta saudade da poesia
que vinha não sei de onde
e mágica, acontecia;
vestindo as noites  do luar
que o sonho atiça.
 
Quanta saudade das cores,
das tardes refletindo o crepúsculo,
em teus olhos claros.
 
Será que um dia esta saudade morrerá também,
assim como morreu o mais lindo sentimento,
deixando meu peito inapto?


Enamorando 
Suzette Rizzo

Nasci...
Nesse namoro de palavras doces,
poesia pura com fortaleza de abraço.
Namorava enfim,
retendo olhares que só eu vi,
ouvindo a reprise das frases lindas,
sentindo os gestos, o laço
e a sutileza de um lago perto de mim,
como se eu fosse uma orquídea
brotando dele para a vida,
ajudada por querubins.
Nasci em todos os sentidos...
Sob o calor do sol,
energizando a alma mal alimentada
do vital,
reencarnada e desatada do mal.
Nasci, nesse namoro desejado,
nos tantos dias enamorados
aguardando a soltura da minha vez.
Não sei de fato o que houve...
Morreu? Talvez!

October 22, 2013
Dueto: Nel Meirelles e Suzette Rizzo

                                                                                                              

ESPERA

Nel Meirelles

vou ficar sentado na borda do arco-íris.
vou ver em cada estrela a única estrela que existe.
vou desnudar as cores
e fazer delas meu verde-azul-esperança.
vou escrever em pedaços
todos os recantos do meu coração,
embrulhar em papel de horizonte
e te dar de presente.
no passado ou no presente.

Nel Meirelles
25 01 2005



JÁ TE OUVI...
Suzette Rizzo

e descerei numa nuvem cor-de-rosa,
carregada de estrelinhas brancas
para enfeitar teu arco-íris
de novas esperanças.
Depois, molharemos nossos pés beira-mar
sob a chuva de verão:
O menino que és e eu.
E como duas crianças
cataremos conchinhas de sonhos.
Sonhos poéticos... apenas sonhos,
em que o tempo do verbo
não conta !

Suzette Rizzo
25 01 2005


O canto da cigarra
Suzette Rizzo


Sinto frio nas noites vazias,
entre sonhos foscos,
eu, minha arritmia,
silencio rondando paredes
entre pensares loucos.
Lá fora canta uma cigarra
como a dizer-me algo
e esse algo desliza barrancos
ao som das citaras dos anjos,
agora longe muito longe
para que eu não possa mais escutar.
Ouço mantras para aliviar
mas não tenho paz...
Meu universo ainda pulsa
tentando explicar que momentos morrem,
almas gêmeas inexistem
e que o sonho escorre como chuva,
evapora e seca  e se enterra
na terra do nunca.

Suzette Rizzo _ October 21, 2013

29 de dezembro de 2013

Última Vereda
Suzette Rizzo

É tão longe o Paraíso,
tão difícil chegar lá
e eu já farejei tantos atalhos
pisei tantos espinhos...
Sei , nenhum verso
desembocou de fato
numa acolhida de ninho.
Porém, tenho sonhado
as flores desse caminho
sentido o perfume das  laterais.
Na verdade me sinto tão louca!
É certo que a derrota mate a alma
que mora nesta roupa!

December 29, 2013