3 de março de 2018
28 de fevereiro de 2018
Sonho exposto - Suzette Rizzo
Sigo em frente...
sou tua costela e a
sombra da Eva
que te pertence.
Te guardo em meus
braços,
te prendo no abraço,
balbucio uma canção
misturada a oração.
E adormeces
pensando nela...
na outra que é cria
do teu novo coração.
Observo teu globo
ocular sob as pálpebras
a dançar mais
apressado,
e sorris meio de
lado,
carregando de vez
meu sono
e o
futuro deletado
para baixo do
colchão.
Meu peito é
furacão,
devastando a vida
inteira
de uma estrada contramão.
Não posso voltar
atrás,
muito mesmo
recomeçar
em qualquer outro
lugar.
Esfarelo-me
lentamente,
misturando-me
a teu corpo de barro
frio.
Serás sempre aquele
Adão,
a minha sempre
metade
e eu já sou o pó
varrido.
Estás limpo da minha
carne,
e cortaste as tuas
unhas,
preparando outro
amanhã.
Suzette Rizzo
Chico Buarque – Joana Francesa
Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Je me dit loucura e de torpor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Je me dit prazer e de pavor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise
Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Je me dit preguiça e de calor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord
27 de fevereiro de 2018
Olhar de poeta - Suzette Rizzo
Poeta,
ama
o jeito de olhar e a cor,
não
só trás em si DNA de poeta,
quando
é, fala do amor que dói,
da
dor que corrói.
Poeta,
admira o que ninguém vê,
plaina
sob as nuvens de um jardim
e
sonha, sonha...
Afinal,
ser poeta
é
vestir o ar de poesia,
possuir
um escoador de sonhos
de
seu interior...
É
por isso que ele versa
tantas
íris, tanta cor!
Suzette
Rizzo
25 de fevereiro de 2018
Abertamente falando – Suzette Rizzo
Não tenho muito pra te dar,
exceto algumas palavras escritas,
outras monossilabicamente ditas...
Se quiser posso fazer carinhos,
buscar café sempre quentinho,
sem perturbar tua vida.
Posso um tempo ser assim!
Porque depois
vou querer seu tempo,
ele todo,
pois quanto a mim
passarei um rodo,
em qualquer período ruim
Suzette Rizzo -February
25, 2018
Ardil – Suzette Rizzo
Jamais
quis aburguesar nossas vidas,
ser a mesma
rotina,
duvidar
com olhares de chinesinha.
Jamais
quis acionar alavancas
do ciúme
e esperei
realizar esperanças,
aromatizar
estações,
nunca espalhar
negrumes
em nosso jardim
de vaga-lumes.
Sonhei tanto, tanto!
Ouvi coro, ouvi banjo
e não és anjo, nem lume!
21 de fevereiro de 2018
19 de fevereiro de 2018
Poesia (Hey You) – Suzette Rizzo
Gosto
da poesia entendível,
aquela
que a alma dita enquanto a lágrima escorre
ou
o riso floresce.
Gosto
da poesia que diz alguma coisa,
não
aquela que apenas reúne palavras
ininteligíveis...
Poesia mesmo, sai do fundo e acresce!
Ei você!
Gosto
de poesia que adentra a alma e encanta,
sobretudo,
fosforesce!
Suzette
Rizzo - February 19, 2018
6 de fevereiro de 2018
Enganação - Suzette Rizzo
Tua
poesia era um banquete para a minha alma,
tão
melodiosa que a canção se repetia
e
mesmo em vigília a ouvia.
Tua
poesia era berço, alento das noites frias...
Mormaço
no verão, frescor de vento leve,
refrigério, luz, compasso.
Tua
poesia era minha (pensei), estava em mim
como
o ar que eu respirava, braços que abraçavam,
preenchendo
meu corpo todo de suave torpor
Tua
poesia não era minha,
descobri
e morri ...
Foi
ela que me matou.
Suzette Rizzo - 24 -2 -15
Travessuras poéticas - Suzette Rizzo
Mesmo
que se esparrame
como
chamas,
paixão
sem dono e sempre acesa,
é
somente insatisfação
de
poeta sem direção!
Seus
versos indefinidos
saqueiam
palavras, que afiadas
gracejam
palavras doces...
É
o mundo do poeta
catador
de tudo e nada!
Amaria
andar sangrado,
sentindo
o vento que soprasse a dor,
mas
cadê a ventura da dor?
Ah!
Nada além de travessuras!
Mero
poeta libertário,
consumido
por chamas estéreis,
imune
as amarras e queimaduras!
Friday, February 27, 2015
31 de janeiro de 2018
Ruínas – Suzette Rizzo
Esta alma
semi afogada no rio da vida,
estendeu
as mãos
para
aqueles que jamais conheceram
as profundezas
das águas
ou a comiseração.
Não
importa o que escrevi ou escreva,
alguns
talvez leiam depois
e
acredito poucos abarcarão
o
ritmo deste coração.
E assim,
naqueles dias de alma semi afogada,
alagada,
saturada...
quem conheci
ou há muito conhecia
não
me ergueu daquele chão!
Suzette Rizzo - 2017
Nona hora – Suzette Rizzo
Coloco
tudo em seus lugares,
cada
etapa da vida, cada cilada
cada
qual em seu espaço.
Coloco
a vida na estrada
e
vivo momentos flores,
noites
enlameadas.
Atravessei
dias mais dias,
massacrei-me
como uva nos lagares,
desvesti-me
das surpresas
e
na nona hora gritei:
Eu
nem vivi meu Deus!!!
Não
sei o que vale ou valeu,
se
o tempo devasta a vida
se
coisa por coisa morreu.
Suzette Rizzo -January 30,
2018
30 de janeiro de 2018
Das profundezas – Suzette Rizzo
Penso tristezas...
Não para atraí-las,
mas sim chora-las.
Talvez para que
também se espalhem
por este mesmo chão
onde os duros marcham
e os bons se debatem.
Penso tristezas de
quatro patas,
de guelras, de asas,
na tristeza interior de algumas criaturas,
no universo choroso
lamentando os seres escuros,
esses que nada sabem
do amor,
esses que não se
importam
e apenas vivem por
viver,
para então morrer,
sem saber que estão
mortos para o depois
Suzette Rizzo - January 30, 2018
28 de janeiro de 2018
A vida no Mundo (Oposição) - Suzette Rizzo
A vida não é um poema de Tagore
nem o desencadear de um vento visitante...
É, creia, um drama temporário
não a linda canção dos pássaros.
A vida é o lar carcerário,
um tempo quase sempre trágico.
Saiba, a vida fura como estiletes
fere com unhas de bruxa,
dilacera como os caninos das feras
ingere como a morte ingere, nossa alma.
Vida é poema deficiente,
capaz de deleitar a vista
e ao mesmo tempo esmagar--nos
medíocre e ensandecidamente
Porque o mundo segundo Nietzsche
é um monstro paranoico e lamacento
e somos irmãos de
quem disse.
Vida é sonho caído da estrela
que o mundo escorraça
e o chão freia,
em meio ao todo de mentes doentes
E os ideais espatifados no solo
não são de um meteoro
ou rápido cometa
sofrendo de vez a queda
Além disso, vida é só perda
e é lenta como um burrico
empacado em frente a cerca.
Suzette Rizzo
2003
26 de janeiro de 2018
Sem abertura - Suzette Rizzo
Vetado falar de transtornos,
da vida feia,
das dúvidas de um modo geral.
Vetado externar asneiras,
poetar grandes paixões,
escusas verdadeiras.
Vetado sonhar acordada
consciente das vontades,
cantar ideais de felicidade.
Vetado viver a dose deliberada,
transbordar o rio da saudade
condicionada.
Vetado plantar sentimentos,
colher possibilidades
substituir nostalgia por novidade.
Sem abertura!
Clausura inalterável,
estímulos vetados.
Suzette Rizzo - 2006
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