19 de janeiro de 2018
Na Pele ( Elza Soares e Pitty)
Olhe dentro dos meus olhos
Olhe bem pra minha cara
Você vê que eu vivi muito
Você pensa que eu nem vi nada
Olhe bem pra essa curva,
do meu riso raso e roto
Veja essa boca muda
Disfarçando o desgosto
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales
Na pele leito de rio
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales
Na pele leito de rio
Contemple o desenho fundo
Dessas minhas jovens rugas
Conquistadas a duras penas
Entre aventuras e fugas
Observe a face turva
O olhar tentado e atento
Se essas são marcas externas
Imagine as de dentro
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales
Na pele leito de rio
Elza Soares e Pitty
18 de janeiro de 2018
Veneno – Suzette Rizzo
Não
posso aceitar o tal frasco do veneno
que a
avó alertou após o AVC.
‘No
terreno, enterrado,
um
mal para nós e você’.
Será
que ela viu?
Será
que alguém disse?
Será
um problema de vidas passadas
guardado na sub consciência,
pulando
pra fora na hora triste?
Mas o
fato é que ingerimos
o tal
veneno da adversidade.
Sofremos
todos, morreram todos
e eu
continuo sentindo os males
em
cada casualidade.
Suzette
Rizzo
17 de janeiro de 2018
Ligação – Suzette Rizzo
Em
plena marulhada,
esta
alma não cessa de agitar sonhos,
remar
por dentro e recuar,
confusamente
irritada,
perseverantemente semi afogada
no
vai e vem daquele amar.
Esta
alma relembra tempos de sol,
resfria-se
das lágrimas,
nem
é lama nem é pó...
Somente
alma salgada,
da
outra tão coligada
lembrança
que inda dá nó .
Suzette
Rizzo
16 de janeiro de 2018
Ocultação – Suzette Rizzo
Sinto:
Os
seres que fui nas entranhas,
o
hoje que abocanha,
a
morte que agora se assanha,
e
o restante é papo chato, furado,
do
viver da criança.
Estou
mosca de aranha,
teia
danificada,
criatura
enganada
e
o olhar desconfiança
a
desviar das lanças...
No
fundo, sou apenas poeta do meu rio,
cobertor
do meu frio,
traída
como Oiá,
guerreira
como Iansã.
Suzette
Rizzo
14 de janeiro de 2018
Apego – Suzette Rizzo
Tenho
apego aos meus poemas,
são
meus os pensamentos
e
sinto-me alguém quando escrevo.
Se
pudesse esparramaria versos
por
teus dias,
escreveria
infinitamente sentimentos diversos,
desejos
(os meus) aos teus, inversos
e
até publicaria em tua alma
meus
sonhos discretos.
Se
eu pudesse degelar corações
com
meu poema acalorado,
de
alegria riscaria os céus
como
um cometa desvairado!
Suzette
Rizzo - January 12, 2018
13 de janeiro de 2018
Peregrinando - Suzette Rizzo
Penso seriamente,
vasculho conhecimentos
escrevo o que
aprendo,
converso idiotices.
Busco meus
semelhantes,
sentimentos profundos
pensamentos parecidos...
Pergunto onde
estão os seres
despreocupados com
futilidades,
onde estão os
mais preparados
as mentes mais receptoras
das grandes
verdades.
Não tenho com
quem falar.
Estou só neste
planeta decrépito,
primitivo,
cruel.
Morando neste
buraco
vestindo esta
roupa de carne
entre seres vazios,
que andam de ré.
Suzette Rizzo
Respeitem os Direitos Autorais
Escolha – Suzette Rizzo
Há muito desisti
de votar.
Pago multas,
pequenas multas
que me permitem
não escolher
nenhum desses
farsantes.
Não aceito
imposição, é também isso!
Afinal,
democracia ou ainda não?
Saturei-me dessa
politicagem imatura,
dessa imutabilidade
mental
do valor do ser
ao poder,
da mistificação,
do povo e seus
ridículos louvores.
Não votarei
mais!
Se não encontro
convicção, voto não!
Suzette Rizzo - Tuesday,
January 04, 2018
10 de janeiro de 2018
Empréstimo – Suzette Rizzo
Empresta-me tua festa
para que eu sorria
a ilusão que resta.
Empresta-me tua alegria,
cansei dos espinhos,
do cinzento céu desta terra,
guerras arcaicas,
das chuvas e ventanias...
Empresta vai?
Carisma, ternura, magia!
Cansei de chorar!
- Suzette Rizzo -
Uma noite a mais - Suzette Rizzo
Lá
fora as mariposas,
na
mesa um vinho barato
(onde
andará o saca-rolhas)?
Pra
variar a MPB do momento,
algumas
canções nostálgicas
e os
versos, meu unguento,
sustento
da alma sem companhia.
Lá
fora, nem mais gente
ou
qualquer movimento,
hoje,
nem lua de outono
ou
brilho de estrelas...
Aqui
a escuridão da sala,
a
solidão escorrida do telhado
às
paredes do quarto.
Minha
boca está cerrada,
corpo, peito e tato
penetrados pelo frio.
Que
droga a rotina, agora,
sem
porquês, sem talvez...
Droga
de vida emborrachada
como
sobra de pão francês!
Suzette Rizzo
8 de janeiro de 2018
Truculências – Suzette Rizzo
Meus
pensamentos possuem garras,
recordações
assassinas,
visão
borrada, esquálida.
É
assim como adentrar porões,
fixar
os olhos nas paredes pálidas,
e
chorar fases crisálidas.
Mas
meus pensamentos possuem garras
e
lá estou renascendo asas quebradas,
recordações
reprimidas,
tiranias
sofridas.
Meus
pensamentos possuem aço amolado,
estragos,
retalhos...
viu
só?
Além
de unhas afiadas.
Suzette Rizzo - January 3,
2018
Voragem – Suzette Rizzo
Poderia me engolir
qualquer redemoinho
junto a sina mau escrita.
Saudade do pouco aconchego,
dos defeitos, do cheiro,
dele inteiro...
Mas, na verdade, o que falta
é aquela companhia,
papo bom, mente aberta, poesia...
Agora, silencio, sala deserta,
portas fechadas,
vida sem janelas.
Saudade
da sensação de ninho,
eu, seu pardalzinho!
No presente, jejum de tudo,
som de coisas quebradas,
lacuna gelada,
dissolução de alma,
corpo caindo,
sensação redemoinho!
Suzette Rizzo -
January 08, 2018
6 de janeiro de 2018
quando o poeta dorme - nanamerij
quando
o poeta dorme...
os
sonhos vagam
sem
rédeas
sem
regras
sem
rumos
quando
o poeta dorme...
os
sonhos voam libertos
revirando
almas áridas
desfazendo
vontades tortas
acordando
tantas noites mortas
o
homem triste - canta
o
amante perdido- volta
a
mulher amada - retorna
a
moça feia - se enfeita
o
menino pobre - enriquece
a
vida se faz inteira....qualquer desejo acontece
quando
o poeta dorme...empresta sonhos
- nanamerij -
Cérebro submisso – Suzette Rizzo
Revoaram, revoaram... e por
fim se foram
todas aquelas
visões perseguidoras.
Hoje, posso até
recordá-las em conversas,
mas, não mais
afetam meus sentimentos
recordações
perversas.
Será verdade? Ou
quero que seja assim.
Penso também,
estar pensando
no atual em demasia,
cristalizando novas
ironias
e bom seria
se também revoassem
estas coisas
adversas.
No entanto,
seria preciso desativar
essa parte da
mente
que me permite sofrimentos,
deixa-la correr
junto aos ventos,
deslembrar seria
alento!
Difícil lidar
com isso!
Difícil
desmemorizar lampejos
se acompanhados
do cortejo
dos mesmos desejos
inimigos
deste cérebro a
eles submisso.
Suzette Rizzo - January 6, 2018
4 de janeiro de 2018
Esteio - Suzette Rizzo
Sinto teu cheiro
espalhado no ar.
Pergunto a amiga
em visita:
Sentes?
Diz que não,
claro!
Quem ama sou eu
e portanto quem
sente o cheiro dele
sou eu.
Conversamos
então
e nem percebo a minha
falta de educação,
assim distante,
pensamento na saudade,
saudade
hospedeira da cuca e da atenção.
A amiga fala e
eu penso,
sentindo teu
cheiro no ar, o calor das mãos...
A visita se vai e
te observo no canto da sala
escorando a
ilusão!
Suzette Rizzo
3 de janeiro de 2018
Secreto - Suzette Rizzo
Odeio os humanos!
Não
gosto mesmo
da pior espécie de hominídeo ...
Odeio
mesmo a cuca dos homens!
Exceto os moralizados,
os verdadeiramente escritores,
os verdadeiramente escritores,
aqueles
poucos e capazes
de enfatizar no papel o intelecto,
não
apenas seus falsos pensares e atos.
Odeio
a espécie dos ditos sensatos!
Bem,
quero dizer com isso e somente:
Odeio
os machos e seus cactos.
Suzette
Rizzo - Tuesday, January 02, 2018
Sou assim ( II ) - Suzette Rizzo
Pesquisadora de
misticismos,
investigadora do
meu íntimo,
amante das
minhas explorações,
escrevedora do
que sinto.
Não sigo à risca
a palavra alheia
seja qual for...
Creio em minha consciência,
acho a saída de labirintos,
arco todas as
consequências.
Meu pensar não
teme os trampolins.
Sou assim, dona
de mim!
Suzette Rizzo
May 23, 2017
Art : Mandala * Edna Feitosa
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