5 de maio de 2017

Errante

Errante
Suzette Rizzo

Busquei a porta dourada
e percebi não ter nascido 
para transporta-la.
Tenho lá algumas intuições,
vez em quando inspiração aos versos,
boa vontade, esperanças...


Porém realizações refreadas
pelo universo.

Busquei resposta aos carmas
e fiz o que pude para encontra-la
em meus aposentos interiores
atolado em magoas .
Não poderia ter cruzado
o limiar do ocultismo,
por maior fosse a  vontade
de  chegar ao lugar buscado.
Então, prossigo meu caminho,
atravessando portas estreitas,
pontes bichadas,
sentindo desde o inicio
esta alma trancada!


















4 de maio de 2017

Sinopse


Sinopse
Suzette Rizzo

Resumindo:
Enterradas as lembranças
no subterrâneo da alma.
E não deixarei que as unhas cavem,
nem mesmo
a superfície do passado.
Não há mais tempo de restaurar o destino,
muito menos atira-lo aos corvos
visitantes dos telhados.




Deslumbre



Deslumbre
Suzette

Quisera gritar como adolescente da casa vizinha,
correr do Bicho papão
como na infância minha,
retornar alguns anos quando a vida era esperança
e o sonho, ilusão audaz.
Quisera o tempo parasse de voar
que a luz me estacionasse
no tempo que não se caminha
nem pra frente nem pra trás.
Quisera gritar, cantar, dançar,
chorar pela avenida, aquela,
numa tarde de chuva grossa,
sentir o que era espontâneo
e eu chamava de amor.





Indagação



Indagação
Suzette Rizzo

Por ele, fiz o que pude e não
nos tempos de privação.
Por ele, vaguei madrugadas,
por ruas perigosas,
querendo salva-lo das contravenções.
Fiz de tudo...
E ele por quê não se cuidou?
Não correu dos riscos, da má vida,
não se aquietou em seu canto,
não aceitou a provação merecida?
Foi uma grande punição 
e pergunto aos seres dos céus
desde o triste acontecido,
por quê ele se deixou morrer,
por quê matou meu sonho paradisíaco!




3 de maio de 2017

Carmas



Carmas

Eu e meus carmas todos,
apontando-me o dedo,
olhando-me feio,
repreendendo-me.
Pergunto até quando as provações,
até quando as tensões,
até quando o ruir definitivo
dos meus castelos
e a lembrança daquele sorriso...
Até quando meu castigo?
Suzette Rizzo






Papel amassado


Papel amassado
Suzette Rizzo


Não me largue na beira da vida,
solitária, órfã...
Não me vire as costas,
não me feche portas,
pelo menos não ainda,
não agora.
Depois, quem sabe dele, do amanhã!
Quem pode apostar no melhor, na cura,
na continuidade do tempo...
Quanto a isso somos leigos.
Não, por favor, não me jogue fora
como se eu fosse um papel amassado
de um poema mal feito.






1 de maio de 2017

Uma noite a mais

Uma noite a mais
Suzette Rizzo


Lá fora as mariposas,
na mesa um vinho barato
(onde andará o saca-rolhas)?
Pra variar a MPB do momento,
algumas canções nostálgicas
e os versos meu unguento, 
sustento da alma sem companhia.


Lá fora, nem mais gente
ou qualquer movimento,
hoje, nem lua de outono
ou brilho de estrelas...
aqui a escuridão da sala,
a solidão escorrida do telhado 
às paredes do quarto.

Minha boca está cerrada,
o corpo, peito e tato  
penetrado pelo frio.
Que droga a rotina agora,
nem porquês, nem talvez...
Droga de vida emborrachada
como sobra de pão francês! 




Nostalgia



Nostalgia
Suzette Rizzo

Saudade da fartura de abraços,
dos feriados prolongados,
da rotina que une,
do beijo acostumado,
da noite em que vimos de perto,
o primeiro vaga-lume.
Marquei mil páginas da
nossa história,
os melhores atos, noites, papos,
que pena encerrados em pouco tempo.

Saudade viu?
Dos seus cachos alourados,
do corpo acolhedor dos meus pavores
nos maus momentos.
Saudade que alenta o presente tempo,
ameniza sempre,
meu circo dos horrores.





30 de abril de 2017

Traumas

Traumas
Suzette Rizzo

Pularia a má fase,
apagaria quase todas
para não ter que recorda-las
nem assisti-las,
nas noites preenchidas da reprise
de coisas tristes ou tolas.
Pularia muitos degraus,
poças d´agua, tardes frias,
fases de dor, ondas de calor.



E podaria mais da metade da infância
e da adolescência riscaria uma a uma
as páginas deste caderno,
para não correr riscos, sentir ciscos,
retornar infernos.
De resto, uma amnésia seria ideal,
Inclusive do atual.
April 30, 2017 Suzette Rizzo

Escrevo muito simples e muito nu. Por isso fere.
Sou uma paisagem cinzenta e azul.
Elevo-me na fonte seca e na luz fria

Clarice Lispector


Deborah Blando

A Maçã - Deborah Blando - (Raul Seixas -- Coelho) 

Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais

Se eu te amo e tu me amas
E outra vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita é tua beleza
Como podes ficar preso
Como um santo no altar

Quando eu te escolhi
Para ficar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter teu corpo tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar

Quando eu te escolhi
Para ficar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter teu corpo
Tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais

Se esse amor
Ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre, amor
Vai se gastar

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar

O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que a beleza de deitar





29 de abril de 2017

A parte boa

A parte boa
Suzette Rizzo

Faz poesia pra mim !
Musica, carinho,
olhar de paixão, tesão
para eu ser capaz
de ser mais audaz,
nesta estrada da vida.




Toca violão, guitarra,
meu corpo
e se deixa louco...
nos gestos, nos atos, palavras...
à luz das estrelas vadias,
nos versos madrugada,
da sua alma para a minha !


Vai contando aventuras
feito historia infantil
para eu dormir feliz...
mulher de quem me fascina
e adoça os delírios
da minha sina.


Faz galanteio, café,
trás pra mim adoçado,
com paz e presença...
eu quero em câmera lenta,
a visão desse quadro...
cada lembrança e a cama
sempre desfeita.


Depois, relaxa meus sonhos,
sedentos deste ideal, do real
e , acorda o desejo dormido,
por não termos ainda vivido
de modo informal,
o proibido.


E não desapareça, prometa,
como o sol que atravessa a rua,
deixando fria a calçada...
E por favor, me proteja,
para que eu seja forte e controlada,
paciente e resignada,
com esse seu jeito dispersivo que  me leva
a beira da loucura !

Suzette Rizzo-95





Culpas

Culpas
Suzette Rizzo


Tenho culpa das palavras que disse ou digo e jamais deveria liberar,
culpa das amarras interiores
que apenas soltei no choro,
muitas culpas fabricadas pelos outros...
Algumas culpas ingênuas,
outras ampliadas por quem gosta de culpar.
Mas a culpa que o outro induz
não é a culpa real da alma,




as culpas são bifurcadas,
não podem se entrelaçar.
Culpa, culpa, mea culpa...
Luto, luto e luto 
pra não me culpar de tudo.
2016






27 de abril de 2017

24 de abril de 2017

Blecaute

Blecaute
Suzette Rizzo

Falei tanto do amor,
das ausências, das paixões,
da grande dor!
Cansei da imaturidade,
dos versos juvenis,
do desejo de ser matriz...



Não revejo, não relembro,
não reviveria nenhum daqueles romances
irrelevantes.
Percebo hoje o que vivi... 
Foram eles, tipo sensação apavorante
de quarto escuro 
ou então roda gigante.

2017






23 de abril de 2017

Tanto faz


Tanto faz
Suzette Rizzo

Tanto faz o meu temor,
o choro compulsivo,
a dor do meu destino,
nascimento, meio, fim...
Tanto faz o que veio em mim
e se agita,
se o tempo grita cansaços

ou se a flor da essência anda murcha,
se algo por dentro se entrega,
se a vida me agarra a unha.
Tanto faz!
Se serei uma menos,
se ainda sou uma a mais.

2015

Escuros meus

Escuros meus

Não insisto nem persisto,
não quero esperanças vãs...
Observo a pele, as unhas curtas,
a falta de tudo por dentro,
o amargo sem mel,
o céu sem manhãs.
Não te escuto,
não mais te sugo como um vampiro
planando legiões sombrias...
Te penso vivo, alma livre,
de anjo socorrista,
as mãos segurando as minhas.
Mais que nunca te preciso. 




Suzette Rizzo - 04 2016