25 de julho de 2015
Agravamento
Agravamento
Suzette Rizzo
Exauridos estivemos
na vil etapa
das horas perdidas.
Contundidos, estuporados
pela vida, nos entregamos
a planos suicidas.
E aconteceu...
Teu corpo esticado no chão
Teu corpo esticado no chão
morto por assassina mão,
deu fim aos tormentos...
Naturalmente pediste antes de nascer
o tiro perdido...
Junto a teu ser inanimado
meu destino interrompido.
Como fantasma
não mais aquece-me a matéria
nem tranquilizas a noite
abandonada em mim...
Somente atropelas a minha saudade
com a aparição
do seu pontilhado azul
cristalino,
refazendo incabíveis ilusões.
No entanto, nunca mais
abafarei meus penosos gritos
castradores talvez, do teu riso
Mil perdões... te peço... por isso. 24 de julho de 2015
Meia-boca
Meia-boca
Suzette
Rizzo
Não poderia
estampar
a máscara da
felicidade
em minha
cara
porque o
oposto gruda no rosto.
Nem poderia
fingir nunca,
porque a
verdade é meu lema
e essa
bandeira ergo
seja como e
onde for.
Não poderia
ser
uma outra
que não sou
nem mesmo pra
contentar
fantasias de
amor.
Coisa banal
tatuar ares
sorridentes
quem não
tem...
Se a vida
não sorriu,
não sorriu e
ponto final.
Não poderia
ter olhares curiosos
ou
estúpidos,
porque não
acho graça
em
semblantes únicos.
Não posso correr
do meu subconsciente,
nem luzificar
as sombras
da minha
alma.
O emocional
descomedido
faz parte da
minha vida
e me
arrasa...
Minha
sensibilidade máxima
jamais se
acalma.
Nunca virei
à mesa,
não rodei a
baiana...
mas já
me sentei na calçada
e chorei
borrando a
cara.
Sou o
mecanismo
de uma obra
meia boca
por ora
inacabada
23 de julho de 2015
Vinho
Vinho
Suzette Rizzo
Houve uma teia de ressentimentos,
um emaranhado de incertezas
vitimando nossas almas.
Houve desordem na mente e no espírito,
pensamentos laçados
e nenhuma calma.
Houve orgia nas palavras daquele cara
e nas minhas
Houve orgia nas palavras daquele cara
e nas minhas
não mais a paz consagrada...
Apenas a transmutação do dharma
preparando carmas
Houve uma teia embaralhada,
entrelaçando instintos,
frases loucas de vinho tinto
e a dor do fincar de estacas.
Vida e Morte
Vida
e Morte
Suzette
Rizzo
Olhei-me
em teu lago
de
águas claras,
hipnotizei-me
da tua beleza.
Não
poderias ser Narciso
nem
eu uma princesa.
Mas
cravei tuas feições no pensamento
e
tive cem mil pressentimentos
concluídos.
Do
primeiro beijo
ao
derradeiro estampido
21 de julho de 2015
Caráter
Caráter
Suzette
Rizzo
Ilesa! Não sei como!
Se
fui arrastada
por
caminhos pedregosos,
cercada
de gente canalha,
do
mundo refugiada.
Nenhuma
cicatriz exterior,
embora
tenha a alma
marcada
a ferro pela dor.
E
dói avistar no fundo da noite,
na
tela mental do pensar,
cada
bote, toda queda
sentindo
a ferida
coberta
de sal.
Ilesa! Nem acredito!
Parida
como fosse lixo
e
par do bem e da moral.
15
de outubro de 2012
Brasas
Brasas
Suzette
Rizzo
Nem
o vozerio identificável
na
minha cabeça
expulsa
os traumas maduros,
deleta
as entortadas setas
ou
me livra dos tantos venenos
que
o mundo me fez ingerir.
Não
cessam de gritar tormentos,
nem
se deixam escoar no tempo,
que
sinto vazio fugir.
Neste
deserto de mim
mora
o eco de um berro
que
eu berro sem voz
ou
consolo de afins.
Há
fogo no interior do meu céu,
sim!
July 8, 2012
20 de julho de 2015
Asas
Asas
Suzette Rizzo
Tenho asas
quando o sono se aconchega
e desprezo então meu corpo,
pesado das tristezas que
carrego
e vôo e vôo...
Tenho asas leves, de plumas,
olhos de pássaro,
observadores, discretos...
Vou pra longe, num passeio longo
e sonho e sonho...
Sou tudo menos esta carcaça
e quanto às lembranças felizes,
tão esporádicas,
à noite voltam...
sempre voltam...
Tenho asas para escapulir da
terra,
deste mundo insano e cruel,
desta selva humana que detesto,
longe, tão longe do céu.
Tenho asas e dou graças
de poder voar madrugadas,
visitar os anjos de luz que
volitam
além dos últimos véus.
November
16, 2010
Acomodação
Acomodação
Suzette Rizzo
Deixei pra
viver depois
e o
tempo abocanhou
a minha
vida!
Esperei
acontecessem por si
as coisas
que eu quis
E o que eu
quis se desfez
no tempo
que perdi.
Agora,
apaixono-me sim,
pela ânsia
do amor.
Por
criaturas que não posso ter,
por tudo
que não posso mais.
Porque o
tempo, aos poucos,
roubará de
mim o exterior!
Então, nem
mais sonho ilusões terrenas
Sinto-me
nos braços no infinito, apenas.
Caminhando
por entre os túneis celestiais,
cujo olhar
escorrega tristemente
em meus
restos vitais!
Ouço a
melodia da madrugada
trazendo pra
dentro a saudade
das coisas
que não concluí;
na
esperança de conseguir
acontecessem
por si!
Suzette Rizzo
Almas tolas
Almas
tolas
Suzette
Rizzo
E se carência não existisse,
tão pouco solidão?
Se eu tivesse realmente me apaixonado
e se a química batesse...
Então, meu Deus,
pobre da minha alma!
Quantas vezes será,
que a mesma história se repete,
as mesmas palavras são ditas
e a cigarra aparece no meio da noite
que a mesma história se repete,
as mesmas palavras são ditas
e a cigarra aparece no meio da noite
perto da grande pedra...
Meu Deus!
Meu Deus!
Quantas vezes os lobos ladraram
dentro dos sonhos,
quantas vezes se fez infeliz
quantas vezes foi incluso, excluso,
quantas virou as costas,
o celular se perdeu,
o e mail deu defeito
(e por outra)... saiu fora.
Quantas vezes, falou do limbo,
(do seu)
do escuro,
das crenças,
dos mantras,
da meditação que nunca fez,
pelo menos não pra valer.
Quantas vezes embarcou
nesse ou naquele navio,
quantos será que ele foi?
E eu caí nessa armadilha,
entrei de cabeça (eu e elas todas)
Meus Deus!
Quantas ALMAS sós e tolas!
Suzette Rizzo
February 22 2014
19 de julho de 2015
Além do limite
Além do limite
Suzette Rizzo
Estou a mais neste cenário,
por isso o céu me expulsa aos poucos.
Sou contra tudo e quase todos!
Ninguém nunca se afunda
nesta alma estranha, detenta...
E se alguém foi par em outras eras,
nem se lembra .
Estou fatigando com meus poemas
de palavras melancólicas,
pensamentos simbólicos,
repetindo e repetindo
o velho/novo tema!
o velho/novo tema!
Estou sobrecarregando este cenário,
mas a alma teima... teima...
neste destino arbitrário .
neste destino arbitrário .
18 de julho de 2015
Sustentação
Sustentação
Suzette Rizzo
Sou alimentada pela natureza,
pela paisagem noturna,
pelo céu
crepuscular,
pela beleza dos animais.
Sou nutrida por sentimentos
gerados por esta alma sensível,
sustentada por amores que tive,
pela brisa do tempo.
E bebo da fonte da magia,
bebo cada fantasia,
satisfaço-me no vento.
Do ser humano bebo a sabedoria
de alguns,
a poesia de outros...
E acredites ou não,
bebo, saboreio ou vomito de mim
experimentos todos
Saturday,
July 18, 2015
Xô pensamento!
Xô pensamento!
Suzette
Rizzo
Xô
pensamento!
Leva
o olhar frustrado,
a
criança que fui faz tempo,
o
passado que arde,
a
decepção de granito,
caindo
do céu da tarde.
Leva
pra longe esse ontem
atormentador,
aquele
tempo de amor,
leva
embora o arco íris
da
manhã feliz,
o
nome escrito no muro da esquina
com
pedaço de giz...
Arrasta
pra longe, de vez,
estas
noites solitárias,
madrugadas
impregnadas
de
lembranças vitais,
palavras
insensatas...
Xô
pensamento!
Leva
no vento tudo isso,
para
eu poder encontrar Narciso,
cair
no lago iluminado
e
apagar tempos malditos.
17 de julho de 2015
Viagem terrena
Viagem terrena
Suzette Rizzo
Viajei pelos pântanos do sofrimento
por entre paisagens de amores murchados...
atolei-me em lamaçais,
rolei abismos
abandonados,
trancafiei-me entre muros de horror.
Vivi assim por um tempo e depois,
envolta no invólucro do espírito,
atravessando vales transcendentais,
permiti-me conhecer além
fugir dos mortais.
Vivi tudo,
do amor ao pavor de amar,
do desejo a desmoralização de mim mesma,
da credulidade a conseqüência
da carência de todas as fomes a aceitação
da insegurança a desilusão total
Entrei de cabeça nessa luta de condições
pensamentos, situações diversas
e tentei arrancar a venda dos olhos...
Implorei a chance da evolução,
e concluí enfim:
Que livre arbítrio
gera contravenção.
16 de julho de 2015
Comandada
Comandada
Suzette
Rizzo
Testam-me,
não
sei quem, de onde vem,
qual
lugar reside quem me testa.
Sinto-me
espreitada,
dominada,
contaminada
regulada
por algo
que
me apara arestas.
Desconheço
a minha real identidade
e
exceto saber-me poeta de alma
quem
me testa devora-me o sono,
a
vida, a calma.
Não
sei em qual esquadra vim
ou
em que mundo estou...
Se
é ele simulado, paralelo,
fabricado...
Talvez
seja mesmo algo computado,
qualquer
molde infeliz
avaliado
de tempos em tempos,
quem
sabe uma amostra a mais
tipo
robô da Matrix.
Posso
pensar mais o quê,
se
levam-me a agir como não quero
e
não consigo ser feliz ?
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