14 de junho de 2015

Além


Além
Suzette Rizzo


Quando o mundo cobrir-se de lírios
e o campo aberto for  colírio
às minhas visões,
lá no alto daquela montanha,
ao lado da casinha branca,
verei a chuva morna
regar as flores ,
das minhas almejadas emoções.

*



E tu...  lá estará, sorrindo brilhos
de noite estrelada,
de lua clara e nova
a refletir no imenso oceano...

*
E, então, liberada de tudo,
te abraçarei com asas de pluma
e te direi para todo o sempre...
O quanto te amo!


Suzette Rizzo

Inquietação



Enfisema pulmonar
(Inquietação)
Suzette Rizzo

Apreensiva
entre um turbilhão de pensares estranhos,
tentando calcular meu tamanho,
a antiguidade do meu ser
por quanto tempo tacanho,
permaneço no meu canto,
distante  do meu rebanho.

Inquieta
observando a solidez da lua,


o poder dos astros,
a luz que enfeita o olhar,
abre a mente,
sustenta o mastro,
permaneço horas sem conta
entre fases e fatos

Depois adormeço,
janela entre aberta,
travesseiro alto,
alguma dificuldade de respirar,
imaginando ares do campo,
frescor das águas,
vida sem medo e sem magoas...
Recomeço.

Sunday, June 14, 2015


13 de junho de 2015

Ousadia virtual


Ousadia virtual
Suzette Rizzo

Sonhei um paraíso
e acabei conhecendo Narciso...
Milhares de anos querendo
realizar um sonho antigo
e então...  realizado foi,
chamuscado porém,
restado como as cinzas
o que pensei fosse amor.
Sonhei tanto
e esses sonhos ultrapassaram
os receios...
Arrisquei
caminhar sobre as nuvens
mesmo no solo duro da ilusão... 
inventei 
uma química que não existiria
pois afinal fui ousada,
nesse sonho retido
na minha emoção











Brio?

Brio?
Suzette Rizzo

Mal comigo,
com esses lapsos
que me fazem perdoar tão fácil.
Seria  defeito?
Falta de brio?
Queria tê-lo integral!
Na verdade, não posso esquecer
meus gemidos,
a dor esfaqueando o peito,
a morte da minha vida.
Por isso teria de lembrar
que o tal acontecido
pode se repetir,
se continuar navegando
na mesmíssima canoa
Poderei ter as mesmas decepções
com as mesmas pessoas.
Ah! Não sei se carrego mágoas
e nada ou muito de brio...
Meus sentimentos mais orgulhosos
jazem sob os passos dados
dos tempos frios.


October 28, 2007

12 de junho de 2015

Tem gente...


Bloqueio




Bloqueio
Suzette Rizzo

No peito guardei pedras,
nos olhos nuvens densas,
na pele invernos gélidos,
cama fria...
Trago no pensamento, 
negruras e fantasmas
e às vezes me odeio intenso
por ter retido na memória  
fases hemorrágicas.

Sofri sem anestesia!
Guardei tanta dor!




Preenchi esta alma
 por mais mil vidas futuras,
que por mim recusaria.
Abomino muitos desses rostos,
permanecem  como encostos.
É crônica esta fobia,
maldita a melancolia
e nada derreteu
nada implodiu de vez.

Nem penso em reatar meu cordão,
para voltar um dia...
Não quero mais sangrar esta essência 
nem através da psicografia.


September 14, 2012



10 de junho de 2015

Bueiro


Bueiro
Suzette Rizzo

Aqueles versos de amor,
voaram pela janela
numa tarde ventania.
Arrastados,
seguiram seu caminho,
e caímos no bueiro:
Você primeiro,
depois  a minha poesia.
Nunca mais escrevi seus olhos,
nunca mais desenhei  passagens,
fases boas ou não.
Tudo no bueiro:
Você e minha inspiração.






Depuração




Depuração
Suzette Rizzo

Onde estarão os pares,
a semelhança no pensar,
onde os filhos que tive
noutras vidas,
onde estarão os acertos
se os desacertos desgovernados
espremeram sem dó
por todos os lados esta alma ácida?
Onde estarão os familiares,
aqueles todos desencarnados?
Onde estarão guardadas
as profissões do passado,
o aprendizado vivido,
onde estará escondido,
(se é que tive algum dia)
meu lado vivo?
O que sei é que de bom,
algumas coisas o Universo me concede,
na hora H sempre consigo.

July 12, 2011

Desencantos


Desencantos
Suzette Rizzo

Desencantos são tão frios
tão injustos,
assim cercando com seus vazios
o futuro arredio...
Impõem escudos e viseiras,
perguntas sem respostas,
portas trancadas da alma
que justamente se revolta.

Desencantos queimam as ilusões,
roubam esperanças, alegrias
nos derrubam no chão.
São tão repentinos esses desencantos,
reais choques térmicos
de sol e geleira,
doendo a vida inteira.

Desequilibrados os pensamentos,
confundem-se entre si
e choram, lamentam
e  de tão intenso parecem ser
o fim de tudo.

Mas... alguns passos adiante
sempre haverá um vulto
a se aproximar...
Uma estrela fazendo sinal,
outra historia a germinar.









Desfecho

Desfecho
Suzette Rizzo

Um certo sabor exótico
encontrar no depósito
das lembranças
razões e resumo das fases diversas
de um  tempo utópico.

Mas é bom tapar ouvidos
aos sons mais atrevidos
daquela voz,

misturando o que foi dito
de bom ou ardido.

O melhor mesmo é deixar dormir
o que secou,
seguir  a estrada das surpresas,
atropelar desastrosos vínculos.

Fechar a porta,
a caixa,
o exaurido,
viver novo inicio.





Borralho





Borralho
Suzette Rizzo

Só pra viver e não ver
o destino em branco,
talvez...
Só pra mordiscar o lábio
de raiva e tentar desta vez
um xingamento classe A ?
Quanta conversa repetida,
e que desfile idiota eu veria,
pior que tudo, eu já sabia.
Tento voltar a ter paz,
mas algum tempo atrás
se pudesse embrulharia minha alma
no sulfite A4...
e o vento que me levasse
pra longe da lembrança do anfiteatro
em que assisti três  atos
mal representados.

Pior!
Pra reviver sentimentos carcomidos
fiz-me  borralho
foi isso!



9 de junho de 2015

Autenticidade

Autenticidade
Suzette Rizzo

Não invento esperanças,
gostaria de vê-las esparramadas
por todos os cantos
dos poucos acontecimentos.
Não invento sonhos,
apenas sonho  
caminhando por entre lembranças
de rostos perdidos no espaço
das coisas findas ou não.
Não invento emoções,
sinto-as,
nesses devaneios carregados
de algumas boas saudades
e desejos tantos e profundos,
sensações agora
de vazio, adversidades
e um ou outro flash bom.

Não invento a má vida,
ela é,
quando observo o mundo
e sinto essa vil realidade
sob meus pés.


January 11, 2013


Auge das coisas

Auge das coisas
Suzette Rizzo

Cheguei ao ápice da saudade,
da depressão,
das coisas tão chatas da vida,
das gordas desilusões.
Amei até o ápice do amor,
calei-me até o ápice do silêncio,
fantasiei-me de algo que não sou.
Atingi a pouco
 o ápice melancólico do pássaro
que viu a porta da gaiola aberta
e de medo não voou.

                     October 14, 2012

Atropelos



Atropelos
Suzette Rizzo

O decair envergonha,
o não ter impulsiona quando possível
ou desanima de modo incrível.
Ah! Minha história possui
um pouco de tudo,
um pouco de qualquer sentimento,
um misto de atropelamentos.



Vida a meu ver é um Contêiner
que pode parar na hora H
ou passar por cima.
Vida é meio que vento...
aragem embelezando as folhas
ou tempestade destruidora.
Já estive a beira do abismo,
já estive no alto do mundo.
E só sei que perder inibe,
pois há quem despreze
e há quem que pise.
Mas reconheço:
Um pouco por culpa do destino
outro pouco dos meus deslizes.


8 de junho de 2015

Afora



Afora
Suzette Rizzo

É óbvio gostar de ouvir suavidades
a ser espetada por mentiras
com jeito de verdade.

Mas...

Por isso a casa é vazia, a cama é fria
e me abro sinceramente em cada poesia.

Jamais ouso despertar desejos nos outros,
tão pouco camuflar meus receios
que são maiores que os sonhos,
e falsos beijos.

Raramente me entrego a fantasias
pois repetidas se tornam sofridas.

Mas, há pouco, entreguei-me a delírios,
detectei  sarcasmos e espinhos
e desisti  então do amor,
fonte da vida

6 de junho de 2015

Agora não



AGORA NÃO
Suzette Rizzo 


Por ora,
não estou disposta a mergulhar
o túnel do tempo,
nem sentir a poesia aflorando
por entre as paredes
daquela fase ruim!

Ficarão suspensas
as recaídas e fantasias...

E quando, outra vez,
a vida brotar das águas
e delas eu renascer,





esquecida da dor mais outra vez,
então, sim, farei  novamente,
poesia pra você!


Suzette Rizzo


David Carradine


5 de junho de 2015

A pedra e eu


A PEDRA E EU
Suzette Rizzo

Estéreis os seus sentimentos...
Não progridem,
não procriam...
apenas revelam inexistência...

São como pedras sós,
que não se unem nem se dividem
e são frias, imóveis...
(serão vivas)?

Mas, se uma pedra não ouve
e não vê,
permanece eternamente onde estiver
numa exagerada paciência
(estará morta)?




Olha!
Entre você e a pedra
não há mesmo,
nenhuma diferença,


Autora:Suzette Rizzo
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