17 de março de 2015

Manhã de saudade


Manhã de saudade
Suzette Rizzo

É manhã de inverno ensolarado.
Sair do inferno, recuar um pouco
a imaginação,
já foi bom!
É julho, quase agosto,...
E eu, que enfrentei  tantos invernos,
aqui estou, tentando fugir
por aquela estrada, 
mais do que nunca imaginária,
querendo chegar a deserta praia,
entregar-me a mesma emoção.



Foram manhãs de contar  piadas,
manhãs de chá com bolachas,
manhãs de cama desfeita,
despreocupação...
Manhas preguiçosas, gostosas,
manhãs de companheirismo,
satisfação.

E agora, derrapando nesta manhã
perigosa,
de lagrimas grossas
e torturado coração...
manhã sigilosa, silenciosa,
saudosa...
eu, sorrateira caminhante,
passo-a, entupindo novos vasos
da nicotina,
nos anos do coração.

Nem praia, pastel de queijo,
biscoito Waffer com chocolate bem quente
frente a TV,
o bom som da Fitzgerald em CD...
Manhã aflitiva, de sonhos desmanchados ,
fugidios,
de rostos enfumaçados,
canções muito lentas pra chorar...
irreversível passado.

Faz o mesmo sol de inverno !
E eu, tomo um café bem forte...
(Café de mexer com nervos),
nesta manhã de buscar pedaços,
colar estragos...
manhã de pensar;
Onde andarão meus sonhos,
todos aqueles...
ingenuamente fantasiados.

15 de março de 2015

Ressentimentos (separação)


RESSENTIMENTOS
(Separação)
Suzette Rizzo

Ressenti!
Não foi fácil dialogar finais,
expor duras verdades,
sentarmos no sofá recém comprado,
olhar em volta e temer,
tudo aquilo desmoronado. 




Terrível reprimir, tamanho rancor,
ter que olhar com olhos compreensivos,
esparramar  anos sobre os tapetes,
ver pertences, mobília, livros,
sair pela porta... após ele. 

Aconteceu dentro de mim,
um turbilhão de ressentimentos...
Aquele fim, cortara uma vida pela raiz
e não haveria reconciliação,
nem houve recíprocos lamentos...
Ele se foi, como visita de verão. 

Sobrou a garganta dolorida
de um nó bem guardado,
orgulhosamente escondido
impedindo desabafos...
E os olhos?
para sempre ardidos. 

Sobrou no peito
uma dor maldita...
Total desesperança de futuro...
Minha vida?
No terminal e na descida.


Suzette Rizzo

Cadê a musica?


CADÊ A MUSICA?
Suzette Rizzo

Cadê a musica dos deuses,
das douradas esferas,
o enfeite do meu poema,
do azul da aquarela,
de amansar a minha fera !?.

Cadê a musica? Aquela...

Que dançava suave pelo ar,
exalando incensos, fluídos,
descansando meus ouvidos
do atrito terreno, rançoso
poluído...

Cadê a musica? Aquela...

Adoçante, exclusiva...
bailando pautas e notas
num movimento leve e lento,
rítmico, místico,
odor de sais de banho,
sons de beijos atrevidos !?.

Cadê a musica? Aquela...

Que era minha,
navegante de mares celestiais,
ilusões especiais,
ornando de arcos harmoniosos,
 nosso amor carnal ?!

Cadê a musica? Aquela...

Que matou meus motivos,
enterrou minha sina
e esmagou a ilusão de ser
eternamente minha!

Suzette Rizzo
 March 13, 2010


Aparição


Aparição
Suzette Rizzo

Capaz de desnudar sentimentos,
penetrar o oculto,
arrancar lágrimas,
sorrateiramente passa pela porta
do quarto,
mostra-se meio translúcido
energiza-me a alma



e silenciosamente permanece
em mim.
Pelo espelho flagro o olhar
e não é visão...
Emociono-me: É ele sim!


Enfado



Enfado
Suzette Rizzo

Tento estar totalmente abstinente,
entregue a nada,
como se meditasse a noite
entre ondas da enseada.
Apenas alguns segundos
e endurece-me o corpo
adormece-me a alma,
não sinto as águas.


Mas, não gosto desse vazio,
tal e qual
(escarne de poema fingido)
tingindo cores de tudo
de nada.
Totalmente sóbria
encolho pensamentos,
suas pilherias amontoadas
sob o jardim do meu templo
e fora da minha alma.
Devo-me um repouso
e comprimo um a um
os instantes de um tempo
sonso...
Não consigo meditar,
algo atrapalha!
Há uma gruta escura minguando
meu  bem estar
Desgraçadamente penso, penso,
 penso .......
Até a cabeça doer
e a lágrima secar

Desmemoria



Desmemoria
Suzette Rizzo

Embora do fogo
quero que o mar refresque
o que foi incendiado.
Não quero a quentura do teu corpo,
cheiro de vela apagada,
pelo menos até a minha cremação,
não.



Permito sim,
que as chamas queimem então,
pensamentos turvos,
magoas  acumuladas
e eu chegue suave por lá,
sem memória chamuscada.
Por hora, quero ser peixe
respirando dentro d’água

14 de março de 2015

Etapas


Etapas
Suzette Rizzo 

Não mais escorrego  palavras,
elas travam minha fala.
Não mais levito pensamentos,
estão presos com amarras.
Não mais vivo a vida
sem pensar na morte,
não mais espero nada
nunca tive sorte.


Não mais sinto alegrias
mas, é preciso e finjo, finjo
pelo menos leveza,
se bem que totalmente mentirosa.
Agora me desmancho
e esparramo o pó
das etapas todas mortas.

Mistérios* Milton Nascimento


Mistérios


Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo pra te incendiar

Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio pra me levar
Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar
Vida breve, natureza
Quem mandou, coração?
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo pra te ensinar

13 de março de 2015

Início



Início
Suzette Rizzo

Alcanço a vontade
correndo atrás de mim mesma, 
subindo aqueles lances de escada
da história de nós dois
e caio das asas da ex felicidade
depois,
direto sobre o vulto
escorregadio da saudade...





Sinto o gosto,
engulo dos restos de nós,
lágrima e pó. 

Tormento



Tormento
Suzette Rizzo

Maldito relógio
que me faz pensar tanto,
nesses seus muitos momentos
jamais solitários !
Persigo os ponteiros,
querendo que os bares se fechem
e se ocupem nos motéis,
todos os quartos !


Fixa no teto,
mentalizo calçadas
e traço no ar
seu caminho pra casa...
E você vem, docilmente,
de mãos dadas comigo
sem relutar...  

Que ilusão !
Há anos, olho para este relógio
notando a preguiça dos ponteiros
que parecem simplesmente odiar-me
causando tanto tormento ! 

Porque você sempre se ausenta,
demais ! 

Suzette Rizzo



11 de março de 2015

Quando o poeta dorme - Ana Merij




quando o poeta dorme
anamerij

quando o poeta dorme...
os sonhos vagam
sem rédeas
sem regras
sem rumos

quando o poeta dorme...
os sonhos voam libertos

revirando almas áridas
desfazendo vontades tortas
acordando tantas  noites mortas

o homem triste - canta
o amante perdido- volta
a mulher amada - retorna
a moça feia -   se enfeita
o menino pobre - enriquece

a vida se faz inteira....qualquer desejo acontece

quando o poeta dorme...empresta sonhos
* * * *

8 de março de 2015

Pedras... Tropeços


Pedras... tropeços...
Suzette Rizzo 



Desvio-me das pedras,
de pessoas miscigenadas
de alma-roca.
Desvio-me, mas atravessam elas
minha estrada,
em todas as minhas horas.
Tento imantar novas esperanças,
saltar aquelas que não quero,
mas, são pedras tão insistentes
que nelas tropeço.




Desvio-me...  mas passo a vida assim,
dando de encontro
com tudo que não me sustenta.
Não posso mais engolir o que dói
nem desejar o que rói...
Cansei dos tropeços e pedradas
e da vida que mói. 



November 21, 2004

Flores venenosas


Flores venenosas
Suzette Rizzo

O coração pulsa dores
e desajustes da alma
que aos poucos se recompõem.
Por isso, esta solidão temporária,
eu sei, se diluirá no futuro.
O sol renascerá,
e eu, o verei imensamente lindo
e jamais, outra vez, escuros.


Por ora,
não encontro semelhantes
de raciocínio
e não me adapto aos extermínios
deste planeta sombrio.
Por ora,
mergulho os olhos no infinito
para não ver tanta guerra.

Exausta desses povos terrenos
e suas deficiências  de pensamentos
ausência unânime de sentimentos
com os reinos da natureza,
gostaria mesmo de nocauteá-los.

Nem sabem o quanto são coitados!

Estarão muito mais  
enterrados no mausoléu da terra
com seus danos e culpas
tais criaturas impiedosas...
e renascerão da raiz de todos eles
flores venenosas.

Quanto a mim,
rejeito o gosto de argila
e vultos das serpentes seculares, 
cravados nestes milênios
impregnados de insanidades
   


Saturday, November 22, 2008