14 de março de 2015

Etapas


Etapas
Suzette Rizzo 

Não mais escorrego  palavras,
elas travam minha fala.
Não mais levito pensamentos,
estão presos com amarras.
Não mais vivo a vida
sem pensar na morte,
não mais espero nada
nunca tive sorte.


Não mais sinto alegrias
mas, é preciso e finjo, finjo
pelo menos leveza,
se bem que totalmente mentirosa.
Agora me desmancho
e esparramo o pó
das etapas todas mortas.

Mistérios* Milton Nascimento


Mistérios


Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo pra te incendiar

Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio pra me levar
Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar
Vida breve, natureza
Quem mandou, coração?
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo pra te ensinar

13 de março de 2015

Início



Início
Suzette Rizzo

Alcanço a vontade
correndo atrás de mim mesma, 
subindo aqueles lances de escada
da história de nós dois
e caio das asas da ex felicidade
depois,
direto sobre o vulto
escorregadio da saudade...





Sinto o gosto,
engulo dos restos de nós,
lágrima e pó. 

Tormento



Tormento
Suzette Rizzo

Maldito relógio
que me faz pensar tanto,
nesses seus muitos momentos
jamais solitários !
Persigo os ponteiros,
querendo que os bares se fechem
e se ocupem nos motéis,
todos os quartos !


Fixa no teto,
mentalizo calçadas
e traço no ar
seu caminho pra casa...
E você vem, docilmente,
de mãos dadas comigo
sem relutar...  

Que ilusão !
Há anos, olho para este relógio
notando a preguiça dos ponteiros
que parecem simplesmente odiar-me
causando tanto tormento ! 

Porque você sempre se ausenta,
demais ! 

Suzette Rizzo



11 de março de 2015

Quando o poeta dorme - Ana Merij




quando o poeta dorme
anamerij

quando o poeta dorme...
os sonhos vagam
sem rédeas
sem regras
sem rumos

quando o poeta dorme...
os sonhos voam libertos

revirando almas áridas
desfazendo vontades tortas
acordando tantas  noites mortas

o homem triste - canta
o amante perdido- volta
a mulher amada - retorna
a moça feia -   se enfeita
o menino pobre - enriquece

a vida se faz inteira....qualquer desejo acontece

quando o poeta dorme...empresta sonhos
* * * *

8 de março de 2015

Pedras... Tropeços


Pedras... tropeços...
Suzette Rizzo 



Desvio-me das pedras,
de pessoas miscigenadas
de alma-roca.
Desvio-me, mas atravessam elas
minha estrada,
em todas as minhas horas.
Tento imantar novas esperanças,
saltar aquelas que não quero,
mas, são pedras tão insistentes
que nelas tropeço.




Desvio-me...  mas passo a vida assim,
dando de encontro
com tudo que não me sustenta.
Não posso mais engolir o que dói
nem desejar o que rói...
Cansei dos tropeços e pedradas
e da vida que mói. 



November 21, 2004

Flores venenosas


Flores venenosas
Suzette Rizzo

O coração pulsa dores
e desajustes da alma
que aos poucos se recompõem.
Por isso, esta solidão temporária,
eu sei, se diluirá no futuro.
O sol renascerá,
e eu, o verei imensamente lindo
e jamais, outra vez, escuros.


Por ora,
não encontro semelhantes
de raciocínio
e não me adapto aos extermínios
deste planeta sombrio.
Por ora,
mergulho os olhos no infinito
para não ver tanta guerra.

Exausta desses povos terrenos
e suas deficiências  de pensamentos
ausência unânime de sentimentos
com os reinos da natureza,
gostaria mesmo de nocauteá-los.

Nem sabem o quanto são coitados!

Estarão muito mais  
enterrados no mausoléu da terra
com seus danos e culpas
tais criaturas impiedosas...
e renascerão da raiz de todos eles
flores venenosas.

Quanto a mim,
rejeito o gosto de argila
e vultos das serpentes seculares, 
cravados nestes milênios
impregnados de insanidades
   


Saturday, November 22, 2008 

3 de março de 2015

No portão



No portão
Suzette Rizzo

Delineei–te por trás das pálpebras,  
exaustas da visão da sala sombria.
Deitei-me no tapete vermelho
e tentei extrair tua voz,
do vazio ao meu ouvido.

Só podia ser mentira!

Não te irias assim sem mais nem menos,
só porque expulso por mim
numa hora de fúria.
Na verdade, na excitação,
nem me lembrei da outra,
espreitando no portão.



Fuga


Fuga
Suzette Rizzo


Dormir, fugir,
é o sonho de uma insone
intolerante às lembranças, 
lambuzadas da má sorte
de patéticas manhãs.
Se pudesse arrastar a alma,
a levaria aos portais da calma,
e...  talvez adormecesse de mim
aquele moço,
entre nuvens sem rosto,
sem gosto...

2 de março de 2015

Caminhos da vida


Caminhos da vida
Suzette Rizzo

Vou indo magoa afora,
nestes caminhos que me foram reservados
entre um turbilhão de desenganos e monotonia.

Resignada ao entrave,
apesar do tédio maldito
trancando-me a sete chaves,
vou inventando paraísos,
compreendendo,
aprendendo,
quase dissecando sentimentos,
contagiando (que dó!) meus cachorros...

E nesta apatia sem remédio,
desaconchegada neste verão sempre inverno,
vou lapidando o nome eterno.

Estou surda ao sermão do viaduto,
já fiz e rezei tudo e a nada fiz jus.
Perdi-me entre meu luto
e a saudade fixada na cúpula
do meu abajur. 

Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados 

O que haverá?


O que haverá
Suzette Rizzo

Que haverá amanhã,
hoje à noite,
daqui a pouco,
de bom,
de leve
ou desgosto?
Haverá uma ponta de ilusão,
uma pequena sensação de felicidade?



Que haverá em meu sonho?
Terei um?
Daqueles bons,  
de saudade satisfeita,
amor antigo,
paixão que deleita...
Que haverá na madrugada...
uma noite estreita?
Um túnel,
uma passagem de agulha,
coisa alguma?
Que haverá nesta alma além de lembranças,
além da constância desta angústia
de nada saber
cravada nas entranhas!

1 de março de 2015

No verão passado


No verão passado
Suzette Rizzo

Peço-me cautela sempre
em meus momentos impacientes  
Ordeno-me que volte a ser o que eu era
antes do dilúvio do verão passado.
Chovi muito por dentro,
asfixiei-me em alagados pensamentos.
Deixei de lado a vigilância
e lanço agora nas palavras
a dor e a raiva daquele afogamento.
Meu lado calmo se perdeu
após um sonho paradisíaco
e traição pelas costas.
Era um sonho tão azul!
Pisei em falso, que droga!
E a mulher que eu era
fechou-se em copas.


Carnaval


Carnaval
Suzette Rizzo

Carnaval é poesia...
luz colorida...
vida da chuva
quando bate na janela
acordando rimas.
Carnaval faz o filhote
quando rodopia,
atrás do seu rabicó.
Carnaval é transpiração,
cabelo molhado de  dançar.
Carnaval, é o Boa noite do coração
aos raios de luar.



Carnaval é alegria...
para o poema  chorar.

RODA DE POESIA IV/2005 - CARNAVAL.
para e-book do Grupo Poesia e Art

Dependência



Dependência
Suzette Rizzo

Nenhum fato mais feliz nesta vida!
Nenhum amor respingando alegrias
na essência sombria.
Analiso os sonhos rasos,
onde refresco os pés da caminhada,
mas o corpo transpira medos,
que vão do intimo a superfície
dos inclusos pensamentos.
Por isso, a solidão é sombra imensa,
mas é dela que dependo;
Assim sendo, qualquer ficção
ou impressão de companhia
é como água da fonte...


Vivo das fantasias que se achegam 
junto ao vento das noites
e matam a sede no meu dia a dia.
O resto é simplesmente açoite!