7 de fevereiro de 2015

Desencaixe



Desencaixe
Suzette Rizzo

Não me encaixo neste mundo...
Sinto mal estar
com boa maioria de pessoas,
palavras e atitudes.
É como se algo espinhoso
se aproximasse,
como se tudo fosse oposto,
como se tudo me machucasse.
Não me encaixo nos olhares
dos outros
e desgostam do meu jeito, todos.
Há uma diferença, não no corpo,
mas neste meu todo.
Não sei o que há comigo
muito menos com os outros.
Falam, falam, 
discutem, arrotam opiniões,
e eu, raras vezes ouço.


Suzette Rizzo_ February 08, 2010


Agora




Agora 
Suzette Rizzo


Amor meu!
Preparo idéias,
busco motivos,
escuto futilidades
e escrevo,  escrevo  
temas repetidos.

Pra fugir do freqüente
questiono, leio, estudo,
ouço palestras sobre  tudo
e tornei-me amante da ufologia...
Vasculho  religiões, teosofia,
cosmologia, literatura, psicologia
busco a minha filosofia.

Continuo sem profissão alguma,  
é certo!
Apenas existi, morri, 
revivi,  te espero.
Enquanto isso?  Faço versos!

Observando uma imagem...


Observando uma imagem
da Rosa Mística
Suzette Rizzo


Quisera em meu interior
templo tranqüilo,
oceano de boas surpresas,
onde ajoelhasse o meu destino
cheio de gratidão
por eu ter nascido.

Apesar de não ser assim,
meu exterior enxerga a suavidade das cores
com olhos de pássaro
e sinto a mãe natureza
embalar a beleza
deste mundo abençoado.

Todos os meus sentidos
vivem de forma intensa
a força do amor,
reinante desde o principio
em tudo que sou.

E mesmo tendo
minha própria religiosidade,
é com muita angústia
que me vejo parte,
desta humanidade infratora
das leis do criador...

E causadora das lágrimas que rolam
dos olhos tristes e aflitos,
da imagem da Rosa Mística
sentindo por nós grande dor.

5 de fevereiro de 2015

Zumbi


Zumbi
Suzette Rizzo

Tenho sede e boca seca,
fome pouca, vista nublada...
A solidão esparrama morte
pelas paredes,nos sonhos,
nas manhãs ensolaradas... 
Já não espero, nem abro os olhos
para a vida sem graça,
empanturrada de magoas
na alma desalentada.

Estou zumbi andando pela casa,
um zumbi que fala com ninguém
e mesmo assim fala... fala... fala,
o tempo todo, a noite inteira,
como se tivesse outro
e esse outro me bastasse.
(Bastasse)?

Há tempos temo um pouco de tudo,
apavoro-me com novos dias.
Pareço mais uma folha amarelada,
estorricada pelo tempo,
levada pelo vento
sei lá pra onde.

Uma babel de cargas dificultosas,
rejeições,
depressão sempre ativada, 
olhar pedinte de socorro... 
E se existo ainda nesta vida,
só quem me vê, são meus cachorros.


Tuesday, May 22, 2012 

Piedade


Piedade
Suzette Rizzo



Tenho a alma amofinada!
Pena de tanta gente!
Pena demais dos bichos magros,
judiados, pena do gado,
dos seres esfomeados,
das vidas doentes!
Tenho pena das campas mal cuidadas.
pena do mundo,
da terra que abraço,
do azul que adorna o espaço...




Tenho tanta pena de Deus!
Dono quem sabe, de uma voz embargada,
por tudo que vê.


Thursday, February 05, 2014

4 de fevereiro de 2015

Ardência


ARDÊNCIA
Suzette Rizzo

Arde...  o tempo percorrido
sem qualquer sentido
e a estupidez da vida
acumulando magoas
e gemidos 

Arde...   o momento bom
que vai passando
as vestimentas escuras da lua
a estrela que invade os olhos
e depois se esconde.




Arde...   este fogo de ânsias
inexplicavelmente aceso,
ridiculamente alastrado,
ardor de músculo distendido
e interior carbonizado.

Arde...   o olhar, o meu,
que jamais se afunda em outro
e a minha alma que se queima
ardentemente abismada
desse fogo doido.

Arde...    tudo arde nestas noites:
A pele, os nervos em frangalhos,
a cabeça misturando tudo
e até a impressão
daquela mordida dolorida,
que infelizmente curto!


Autora:
Suzette Rizzo
Direitos Reservados

2 de fevereiro de 2015

Desejo sem asas


Desejo sem asas
Suzette Rizzo

Não quero dançar contigo o balé da vida,
nem mais sonhar estrelas lilases
enfeitando nosso amor.

Não quero conseguir realizar passeios astrais
com quem apenas causou
dor e dor.




Quero sim, apagar estes sonhos absurdos 
e tudo que machucou.
Tentar me recompor é isso que eu quero.

Ser alma aliviada
descansar os olhos da tal madrugada
que me logrou

É isso que eu quero, rir à-toa.
Mas não posso, pois este desejo de esquecer
pesa... e não voa

Suzette Rizzo

Carência


Carência
Suzette Rizzo


Sinto tanta saudade de mim!
De sonhar ilusões,            
sentir ansiedade...
E o espelho das verdades
chora comigo,     
acusando-me com olhares feridos.
É esta a  pior carência, amigo! 
  

E se aconchega no íntimo,
causando um torvelinho
de sensações desagradáveis.
A culpa é da vida,
só da vida, amigo querido,
que rápido está se indo.                          

Impossível é viver com otimismo,         
se a alma se faz presente
e mais que antes,
atrofiando sonhos audaciosos,
apontando a certeza do futuro 
melancólico.
E esta carência de vida,
amigo,
não trás sinceros sorrisos...      
  
É possível preencher por instantes,
afastar a figura
que vamos nos tornando,
mas, sabemos do nosso engano,
sabemos tanto de nós mesmos
e desse vazio inconsolável,
assombrando... assombrando
inteiramente estável. 
      
Por isso, entramos
sem qualquer cerimônia,              
por esta única porta aberta...
E nos deparamos com o desejo                   
de expandir, pelo menos,
a dor que nos faz poetas.      


Suzette Rizzo            
 (Para Meu Amigo Si)
Imagem:Raúl Torres Rojas


Amputação


Amputação
(Anos atrás)
Suzette Rizzo

Sinto-me amputada destes dias!
Amputada da vida,
amputada da esperança...
Pareço um robô andando pela casa,
na rua...
pensamento no céu noite e dia,



pensamento embaçado pelo véu
da saudade
e a lágrima caindo na grama molhada
enlameando as palavras.
Sinto-me amputada da terra, do chão,
como se  tudo aqui fosse em vão.
Tenho a impressão que esta alma
resolveu viver na outra dimensão


September 13, 2013

1 de fevereiro de 2015

Nem vital... Nem mortal


NEM VITAL... NEM MORTAL

Suzette Rizzo

Nunca mais fixação 
nem recordar calhordices. 
Não necessito como antes
encontrá-lo ou senti-lo  
nas profundezas de mim. 



Não era vital conservá-lo 
nem mortal esquecê-lo... 

Desandei somente
em sentido contrário, 
provando-me, no entanto, 
o quanto foi arbitrário, 
trazê-lo tão intimamente 
em meu peito.

Autora:
Suzette Rizzo
Todos os direitos reservados
  



Andanças da alma


Andanças da alma
Suzette Rizzo

Andei 
pelos corredores da essência
até o fundo
e, senti tantas sensações,
que me perdi no tempo
entre culpas aflitivas,
mágoas e náuseas,
uma terrível profusão
de sentimentos.

Não foi um longo passeio
e sim uma sugada repentina
entre sono e vigília
há anos luz desta vida.
Algo estranho e reflexivo, 
tanto quanto o sonho que tive um dia
com um símbolo esotérico
aclarando definitivo.

Voltei mais pacifista,
mística,
curiosa, coisa que não sou,
sentindo-me carne, animal e pluma,
assim,  pouco de tudo...
meio xamã, meio espírita,
agnóstica e bruxa.

Desta vez, voltei muitas criaturas,
sentimentos misturados
e uma vontade louca
de equilibrar razão e fé,
distribuir num bom poema
o que não falo pela boca.

Passar a frente a certeza absoluta
de ter sido tudo e muitas vezes...
E porque não???
Se "Elias voltou em João"
e além,
serei mãe do meu cão. 

                          Suzette Rizzo

Agonia


Agonia

Impossibilidades



Impossibilidades
Suzette Rizzo

O alvo das minhas ânsias se esconde
numa distância de cem mil horas,
no fundo da última floresta terrena,
por trás da última porta.

Não seria jamais o dono das telas
de cores descombinadas
que um dia me pintou,


nem aquele imitador de porcelanas chinesas
ou o poeta prepotente cheio de certezas.

O alvo da minha alma
caminha num vagar tranqüilo
do outro lado da calçada
e deposita sonhos em meu travesseiro
quando a noite cerra os cílios.