14 de junho de 2014


Recado
Suzette Rizzo

Meus pés caminham  
sobre arei a grossa
entre seres que desforram em mim
a cura das suas lesões,
qualificando-me do que eles são,
por vezes me chamando “mártir”
pelo silencio que me afoga
e chora tensões.



Ando em feridas...  id, ego, físico,
doloridamente empanturrada
de tanta má emoção,
sob as rédeas dos seres inábeis,
omissos. 

Amor, manda daí do Cosmo
o patuá do seu Orixá,
para eu poder limpar o sal desta lágrima
que te afasta
e me cerca de perigos.

13 de junho de 2014

Enganação
Suzette Rizzo

Acontece alguém que te eleva
e depois te derruba.
Alguem que a gente não distingue
porque a alma é camuflada,
Tipo carisma que brinca
com  almas apaixonadas.
Acontece alguém que se mascara,
e alguém que é meio sádico
e meio carrasco,
que é doente e não sabe.

Ah! Não me aconteça mais
alguém compulsivo por saias
e não surja ninguém mascarado
de homem  ideal...
Estou proibida de açúcar e de sal.


12 de junho de 2014




Total insatisfação
Suzette Rizzo


Não quero mais
esta carência que destrói,
aumenta a fome,
envelhece, desgosta,
enxota a vida que sobra.


Não quero este desanimo,
da solidão tamanha
mal cabendo em mim.
Odeio o silencio do computador,
a ausência de um rosto-motivação
este meu ser consumido,
entre o mato do jardim


Odeio esta casa,
a vida da casa,
moribunda, sem graça,
espalhando raiva
nos aposentos
apatia em minha cara.


Os dentes da  insatisfação
roem meu vulto,
expulsam até meus fantasmas,
afastam-me de tudo.
Não quero mais ser alma solitária,
nem viver neste sepulcro.






Absurdo
Suzette Rizzo

Apego absurdo,
transformador do meu  mundo,
deixando-te ser tudo!

Faz tempo alucina
e já deveria ter escapado
do peito fecundo.

Deveria estar de vez encerrado,
enterrado,
e eu, nem de luto!


Suzette Rizzo 

10 de junho de 2014


Invenções
Suzette Rizzo 

Invento um céu de verão
para agrupar estrelas
e uma imensa lua
de um tempo que não volta.
Invento passos,
um vulto em meu quarto,
pés na soleira da porta
e horas, muitas horas
de beijos e abraços.
Invento dentro de um verso
o amor que sempre quero
e não virá.

Invento, apenas invento o sol lá fora
e uma paz que nunca mais
retornará.
Entediada de sonhos vãos,
invento outro ser em mim
e  novo amor em seu lugar.

September 04, 2007



Reconfortando (me)
Suzette Rizzo

Alguém pode cantar pra mim
do fundo do coração?
Pode me amar isento de traição?
Eu queria, queria tanto um raio de sol
sobre a cabeça a constelação
uma noite sem nó.
Alguém pode desatar as magoas,
secar-me as lágrimas,
atravessar comigo o paraíso
de mãos dadas?
Eu quis tanto amar  alguém
ao ritmo da poesia,
limpar-me da poeira,
das besteiras, ironias...
Quis tantas poucas coisas, 
que loucura!
E o tempo mostrou-me quão tolas
são as ilusões maturas!



Demissão
Suzette Rizzo

Dispenso todas as rosas cor de rosa
que distribuístes por aí,
tenho uma rosa amarela
guardada em meu livro favorito...
Uma rosa que não morre, uma rosa viva.
Dispenso todas as rosas cor de rosa
que enfeitam paginas,
eu tenho a rosa vermelha que boiou no vinho,
de ciúme, por amor,
revivida e restaurada, depois.
Dispenso toda reprise, toda bebida amarga,
toda rosa sangrada,
toda morte mil vezes morrida pelo mesmo motivo.
Dispenso quem se divide,
dispenso quem mente,
quem descolore o arco Iris dos meus olhos
e noutra ponta recomeça incandescente.

October 14, 2013 _ Suzette Rizzo


7 de junho de 2014


Bloqueio
Suzette Rizzo

No peito guardei pedras,
nos olhos nuvens densas,
na pele invernos gelados,
cama fria...
Guardei no pensamento, 
negruras e fantasmas
e às vezes me odeio
por ter retido na memória  
fases hemorrágicas.

Sofri sem anestesia !
Guardei tanta dor!

Preenchi esta alma
 por mais mil vidas futuras,
que por mim recusaria.
Odeio muitos desses rostos,
permanecem   como encostos.
É crônica esta fobia,
maldita a melancolia
e nada derreteu
nada implodiu de vez.

Nem penso em reatar meu cordão,
para voltar um dia...
Não quero mais sangrar esta essência 
nem através da psicografia.

September 14, 2012

6 de junho de 2014


Grande mal
Suzette Rizzo


Carência cega os quatro cantos da visão,
machuca...  agita o coração,
desanda sonhos.

Carência não abre mão da companhia,
não aceita ironias.

Arrancam-lhe a alma, aniquilam digitais,
tatuam lágrimas, ares tristonhos,
mas carência prefere tudo
ao vazio medonho.

Carência não busca, se enterra
e assim fica
até que alguém surja.

Carência é estopo
trave no olho,
solidão arrepiante, injuria.

Cuidado moço!
Carência é coisa grave
quando surta.


5 de junho de 2014

Serafins
Suzette Rizzo


Liberei minha luz
para que liberasses a tua
ofuscada por versos frios.
Mas, por entre caminhos noturnos
estando tu sobre a pedra,
alguém te confundiu com anjo
quando te viu.
Daí em diante,
dois perniciosos Serafins,
emaranham-se nas negras asas,
deglutem-se e incendeiam-se
até o próximo fim.

1 de junho de 2014



Um dia... uma noite
Suzette Rizzo


Um dia,
meu sonho escapuliu,
andou ruas escuras,
atravessou avenidas,
sobrevoou esta cidade Paulista
pousou onde havia vida 
e te encontrou afinal.

Nessa noite fui feliz.
Nessa noite meu sonho acordou
e viveu na superfície da terra
sob as estrelas do céu.
Nessa noite flutuei e entendi,
que a vontade é como abelha
atraída pelo mel.

Nessa noite os sonhos descansaram...
Não precisei deles para voar...
Encontrei o sorriso par do meu.

Nessa noite não andei a esmo,
nem chorei de solidão, não desta vez.
Nessa noite fui ao Éden... viajei nos olhos teus.



VALEU MESMO
Suzette Rizzo


Foi um largo tempo,
numa mesma direção...
Sem notar atalhos
ou querer desvios.
Um longo e estúpido
trajeto,
de equilibrar-me nos trilhos,
pois não era o certo,
em meu delírio de pensar
correto.

Orgulho-me de ser sobrevivente!
Valeu ser justa,
pensar espiritualmente alto.
A consciência adormece
tranqüilamente,
sem sobressaltos.

Vazios
Suzette Rizzo

As arvores estão silenciosas,
o tempo emudeceu meus sonhos
e esconderam-se de frio
todos os pensamentos ! 

Estar observando a vida lá fora,
não é mais como fazer um poema
perto da lareira,
ou simplesmente imaginar
a voz da madrugada,
ecoando a história de tantas almas ! 

Agora, as arvores estão sombrias
e o tempo é tão nebuloso,
que uma lareira aconchegante,
despertaria apenas o desejo do calor
daquele,  
cujo poema precisa arder entre chamas
e deixar de existir ! 

É preciso exterminá-lo de vez !
Da alma, do corpo, do pensamento,
para que ele não me rasgue,
nem me afogue na salmoura
e outra vez... satisfeito do alimento,
simplesmente vire as costas,
limpando a boca !

Suzette Rizzo _November 12, 2000