5 de junho de 2014

Serafins
Suzette Rizzo


Liberei minha luz
para que liberasses a tua
ofuscada por versos frios.
Mas, por entre caminhos noturnos
estando tu sobre a pedra,
alguém te confundiu com anjo
quando te viu.
Daí em diante,
dois perniciosos Serafins,
emaranham-se nas negras asas,
deglutem-se e incendeiam-se
até o próximo fim.

1 de junho de 2014



Um dia... uma noite
Suzette Rizzo


Um dia,
meu sonho escapuliu,
andou ruas escuras,
atravessou avenidas,
sobrevoou esta cidade Paulista
pousou onde havia vida 
e te encontrou afinal.

Nessa noite fui feliz.
Nessa noite meu sonho acordou
e viveu na superfície da terra
sob as estrelas do céu.
Nessa noite flutuei e entendi,
que a vontade é como abelha
atraída pelo mel.

Nessa noite os sonhos descansaram...
Não precisei deles para voar...
Encontrei o sorriso par do meu.

Nessa noite não andei a esmo,
nem chorei de solidão, não desta vez.
Nessa noite fui ao Éden... viajei nos olhos teus.



VALEU MESMO
Suzette Rizzo


Foi um largo tempo,
numa mesma direção...
Sem notar atalhos
ou querer desvios.
Um longo e estúpido
trajeto,
de equilibrar-me nos trilhos,
pois não era o certo,
em meu delírio de pensar
correto.

Orgulho-me de ser sobrevivente!
Valeu ser justa,
pensar espiritualmente alto.
A consciência adormece
tranqüilamente,
sem sobressaltos.

Vazios
Suzette Rizzo

As arvores estão silenciosas,
o tempo emudeceu meus sonhos
e esconderam-se de frio
todos os pensamentos ! 

Estar observando a vida lá fora,
não é mais como fazer um poema
perto da lareira,
ou simplesmente imaginar
a voz da madrugada,
ecoando a história de tantas almas ! 

Agora, as arvores estão sombrias
e o tempo é tão nebuloso,
que uma lareira aconchegante,
despertaria apenas o desejo do calor
daquele,  
cujo poema precisa arder entre chamas
e deixar de existir ! 

É preciso exterminá-lo de vez !
Da alma, do corpo, do pensamento,
para que ele não me rasgue,
nem me afogue na salmoura
e outra vez... satisfeito do alimento,
simplesmente vire as costas,
limpando a boca !

Suzette Rizzo _November 12, 2000

Nebulosidades


31 de maio de 2014


  
Latejo
Suzette Rizzo

Falas em morte
porque estas distante dela
e por isso vês a morte
como fosse vida calma.
De solidão falas muito,
porque não sabes o que é
a real solidão
nem te atormentam as faltas
e o cheiro da vela.
Do escuro, falas tanto
porque nele te entrosas
com a ALMA.
Mas as vezes gostas
quando a penumbra  te cobre
e se aconchegam lembranças
de antes da minha morte...
Eu sei, falas de mim com teus demônios
porque me lembras.
E eu sei... em tuas íris me desenhas,
mesmo que não mais,
eu atice teus hormônios. 

30 de maio de 2014

Sinto vergonha de mim.Cleide Canton.



Prezados
Senhores

Solicito
a retificação do Texto SINTO VERGONHA DE MIM.

O
texto é de minha autoria e não de Ruy Barbosa, encontra-se devidamente
registrado na Biblioteca Nacional e já foi reconhecido até por Rolando Boldrin,
como podem constatar no YouTube, numa gravação do Programa Senhor Brasil. De Ruy
Barbosa é apenas a citação final que, no original, encontra-se corretamente
colocado como manda a Literatura... "entre aspas" e com citação de
autoria.

Deixar
como aqui está contribui para que se propague mais este erro de autoria. Por
favor, comprovem e retifiquem em nome dos Direitos Autorais.

Cordialmente
Cleide
Canton

28 de maio de 2014


Um pouco de mim
Suzette Rizzo 

A minha verdade
não é a sua, nem daquele outro.
Ela coabita o poço do meu todo
juntamente as incertezas,
cruzamento com meu lado louco.
Dai nasce a minha lógica
e só nessa hora,
essa menina se parece
comigo e muito
e bem pouco com os surdos.

A minha verdade é pensada,
repensada, vasculhada
e tem por base a minha história,
encaixada ao principio de tudo.

Não é verdade simbólica, 
um tanto caótica,
talvez quântica,
mas por hora única;
Aprendi que residirei até o fim
nessa cosmologia encrencada
e ela em mim.




Observando
Suzette Rizzo

Sofrimento emocional
é como um carro que passa
numa rua agitada;
O motor ensurdeceu,
passou...  foi nada.

Tempo é isso;
Carro que passa,
carro que morre,
carro que some
no fim  da estrada.

Mas, carros são sucessivos
e  moro nesta vida;
Meu emocional ora se cala ora grita

Uma hora o mundo atropela,
a vida cessa
na curva desta deriva.

A morte leva,  cuida,  faz compressas
e solta aqui a alma velha
revestida.

Lá se foi e lá vem a alma esquecida...
O carro passa,
recomeça a dor da vida.


27 de maio de 2014


Conquista
Suzette Rizzo

Inesperadamente
esse teu gosto invade
e não resisto...
Tanto que é o meu tato que desliza
sobre a textura da pele lisa.
Sensações aquecem a madrugada,
cobre-me de desejos, aqueles contidos,
dão aval as pretensões adormecidas
e desobrigam as reservas.
Por algum tempo sinto o torpor
da vontade estúpida
de pelo menos uma vez
a proximidade de nós.
Contudo, subitamente,
recolhe-se essa avidez
e exatamente como iniciou,
foge por entre as horas.
Lembro, choro a falta futura
o bem e o mal...
Fumaça está meu sonho
de amor imortal.


A POESIA DO PENSAMENTO
                            Suzette Rizzo

O pensamento cria a palavra
e a alma faz poesia...
Por isso afundo-me na essência
e trago de lá minha cria.

E vejo nos pássaros o poema,
sou um deles sobrevoando a terra
por entre as árvores,
beijando as flores,
com olhinhos  assustados,
notando o tamanho dos seres
depredadores.

E sinto-me um cão, um gato,
temendo o ser planetário.
O que farão, quem são eles?
Porque tão pesados,
de pés assustadores,
num repente em meu pulmão
e eu pelos ares.

E sou agora um animal de grande porte
e penso ser tão forte
que nem me preparo ao bote
para defender-me...
Mas esses seres armados, impiedosos,
estão sedentos da minha morte.

E sou também , 
indefesa flor miúda,
paralisada,
gritando sem que alguém ouça:
-Acabo de nascer , não me matem!
Mas, estou  à mercê do homem
que não sabe,
venho da terra viva
como tudo que nasce.

E assim vou indo;
sentindo a dor do mendigo,
do velho deixado no asilo
da criança abandonada
com seus sonhos desiludidos,
impossibilitada de respostas,
entregue ao mundo, esse padrasto,
fazedor da  marginalia

Não há o que eu não sinta
sem ao menos ser atriz.
Incorporo o sofrido e o feliz,
arrancando de mim
a força motriz
para expor o meu amor.

Tenho um mundo cá dentro
esse incompreendido,
inaceitável...
copia do grande carbono do infinito
desse universo bom e mau
ternura ou canibal.

Para entender, cresci e preparo-me;
Serei mais em meus futuros,
agora que o primário é passado
e concluo mais um degrau
do meu ciclo em ascensão
deste meu ser plural.

Ser poeta significa saber sentir,
consentir a alma que venha à tona
liberada completamente.
Ser poeta é saber colocar pra fora
o lado frutificado,
aprisionado por eles,
os duros e incultos
das coisas do coração.

Sou poeta sim!
Porque meus pensamentos
cantam
o panorama da vida,
acompanhada da melodia
da alma escondida.

Suzette Rizzo