15 de maio de 2014


A vida no Mundo
(Oposição)
                 Suzette Rizzo

A vida não é um poema de Tagore
nem o desencadear de um vento visitante...

Não é, creia, um drama temporário
nem a linda canção dos pássaros.

A vida é o lar carcerário,
um tempo quase sempre trágico.

Saiba, a vida fura como estiletes
fere com unhas de bruxa,

dilacera como os caninos das feras
ingere como a morte ingere, nossa alma.

Vida é poema deficiente,
capaz de deleitar a vista

e ao mesmo tempo esmagar--nos
ensandecidamente

Porque o mundo segundo Nietzsche
é um monstro paranóico e lamacento
e somos  irmãos de quem disse.

Vida é sonho caído da estrela
que o mundo escorraça

e o chão freia,
em meio ao todo de mentes doentes

E os ideais espatifados no solo
não são de um meteoro

ou rápido cometa
sofrendo de vez a queda

Além disso, vida é só perda
e é lenta como um burrico
empacado em frente a cerca.
                                            Suzette Rizzo

Arremesso
Suzette Rizzo

Nem pude responder,
senão indignar-me.
Cadê o romantismo  igual ao meu,
o carinho exagerado,
a delicadeza das palavras...
enfim, a poesia...
Nem foi pra mim, nem foi sentir
e subitamente tudo se escafedeu.
Não pude aquietar-me
e deveria,
mas não quis ser legião.
nem poderia
se fui anjo nas tardes frias.
Não pude deixar de lado
encerrar-me atrás das grades
enterrar-me sem poesia.
Se fiz o que não podia,
e fui alvo de zombaria...
Ora!
Vomitei  selvageria!

14 de maio de 2014

Retrocesso
Suzette Rizzo

Procurava o Caminho do Meio;
a retidão, o equilíbrio...
nem tanto ao céu nem tanto a terra.
Procurava aperfeiçoar meu jeito,
afastar o exaurido,
sonhos de amor deslumbrados,
virar a esquina, deixar para trás
erros parecidos.


O resultado foi oposto...
Forcei  a barra, afastei o pressuposto
e quando dei por mim
estava pálida, infeliz,
voltando pelo caminho conhecido,
desarrumando a casa,
sentindo ódio do novo.
Procurava o Caminho do Meio,
pensei ter achado o bom tesouro,
errei o passo... regredi tão feio!


13 de maio de 2014

Buraco negro
Suzette Rizzo
                               (Depressão)

Meus sonhos dormem
no espaço vago do universo,
sequer passagem de naves...
onde os anjos não chegam
e os sons não despertam versos 

Ilusões todas apagadas,
distantes
da possibilidade de alcance, 
fugidas da mente exausta
da insone e cruel verdade. 

Vago no deserto céu,
onde os mundos não nascem,
onde Deus escolheu
pra ser caos e negrura,
livre arbítrio da desventura,
circulando neste espaço. 

Aqui, o sonho não cabe...
a luz não atravessa,
e transporto-me a esse buraco
entre seres que não vejo...
Onde a alma se esquarteja
e não mais encontra os pedaços.
                                 Suzette Rizzo


11 de maio de 2014

Pedradas
Suzette Rizzo

Algumas poucas boas lembranças
encobertas pelo nevoeiro,
ocupam a mente agora pasma...
Pareço uma alma paralisada
como nuvem mantendo as chuvas 
bem guardadas.  
Hoje, meu único objetivo,
é ser alcançada por figuras
menos tempestivas... mais civilizadas.

E o tempo, esse inimigo
aliciador da memória e fatos semi-vivos,
agarra sentimentos
com unhas de águia,
trazendo dos confins
momentos explosivos,
pedradas.

Nada substituindo minutos ingratos,
por outros velozes, sensatos...
Continuo por entre paisagens
cada vez mais mortas,
como um espelho que reflete
a triste mutação das formas.

Bom seria amar lembranças!
Tê-las ao alcance,
sem qualquer desnível,
isentas de qualquer sombra que ofuscasse
fases vencidas,
as engolidas e soltas no vai e vem
por ondas revoltas do mar da vida.

Desejo às vezes tudo, menos o vazio!  
Viesse à lembrança o inicio dos tombos,
das dores açucaradas,
das doses menos amargas,
outras com gosto de coisa bronca,
qualquer escapismo...
Fatos da mesma alma imobilizada,
ferida a pedradas,
de quem quer sonhar e não sonha.

Suzette Rizzo

10 de maio de 2014

CERTA DECEPÇÃO
Suzette Rizzo

Ele disse uma vez,
quando já namorava a
falsa amiga :
Essa é a musica,
minha e dela...

Mas, há uma outra que
gosto...
---------- e essa
será nossa! 

O tempo foi passando...
Casaram-se, eu também...
E cada qual viveu sua
vida. 

Um dia, ele retornou
e bla,bla,bla,
bi,bi,bi,bó,bó,bó...
tivemos um caso! 

Perguntei, certa vez,
quando no rádio do
carro,
tocou a musica que era
nossa... 

Lembra?
De que?
E perguntei: Você gosta
dessa musica?
Não, gosto não!
Nem mentiu! 

E foi assim que percebi,
ter  acreditado  nessa coisa,
que nunca existiu!

                    Suzette Rizzo
Escolhas
                         Suzette Rizzo

Escolhas !
Jamais alcançam as mãos da Realização
e essa, ri de mim
e lá do alto atira aguilhões
como quem diz: Não persista!
E já nem tenho interesses, apenas
vontades diminutas e possíveis
cuja luta apenas sustenta sonhos.
Não ouço tal conselho... 
Sonhar não pode estar impedido!
Escolho novas e pequenas ilusões,
preciso disso.
Ergo meus olhos pedintes
e lá de cima o espírito das Realizações
encolhe as mãos e nem me recebe...
Como se assim dissesse:
Tempo perdido! Esquece!!!

9 de maio de 2014



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Que os pássaros cantem
meu recado,
o mar devore
meus destroços
e este amor tenha sido,
meu último fracasso.
Suzette Rizzo


Inferno-mundo
                  Suzette Rizzo 

Se fosse bom! Ah, se fosse!
Mas o bom do mundo é só visual
e a quem enxerga
e não mora nos becos da noite
esmagando almas mortais

Inferno-mundo... cujas garras
rasgam vidas inteiras...
Mestre da selvageria humana,
olhos de imã,
hipocrisia bem definida.

Todas as suas ousadias
são coisas, são doidas...
És um tripudiador de amanhãs,
um fazedor de gente mutilada,
menos das doces lembranças sãs.

Mundo serpente... maligno
como um dragão piromaníaco
dos poucos sonhos bons;
És o devorador do imo e do amor,
desde a história da maça.


5 de maio de 2014

O "escrevedor"
Suzette Rizzo

Não é quem inspira,
um homem só
sangrando pelos olhos
um breu insatisfação.

Simula...  derrama
hipocrisias,
debruça-se sobre o escarne,
escarra um tema estendido,
ilusório,
ora a Deus ora a besta,
mas o tesão é pela carne.
Faz de conta e escorre, escorre  
a devassidão nata,
sobre o velório
de quem depois enterra.
Confecciona pra tonto ver,
no fundo da falsa escuridão,
poesias descarrego,
versos podridão...
Não sofre amarras, sofre nada,
nega as falhas, ditos...
flecha,  renega
e é livre como um morcego
a cata de sangue novo
em musa cega.

3 de maio de 2014

CONCEPÇÃO DO AMOR
Suzette Rizzo


Como fosse o primeiro beijo,
assim senti a tua boca
e  arrepios na nuca...
Flutuei, cega e surda,
conhecendo o Paraíso
e o balsamo das luzes
de estrelas coloridas.
Minha alma despertava
para a vida !

Depois, a felicidade se fez
amiga intima,
causando leveza e torpor...
Sorrisos vinham de dentro
interiorizando sons de sinos,
que os anjos também ouviam
e comigo festejavam,
porque então, nascia o amor.

Primeiras sensações...
Primeira melodia celestial
adentrando meus ouvidos...

O amor, possui asas azuis
que sobrevoam além
dos horizontes,
por entre os reinos do infinito.

E eu, mulher vivida,
abduzida por amarguras,
habitante da penumbra da terra,
senti meu caminhar em nuvens
de sonhos,
como jamais pensei, pudesse sentir.
Compreendi...
O amor é uma viagem  às Altas Esferas !

Não mais verti aquelas lágrimas
amargas!
As águas de mim, caiam adocicadas,
simplesmente emocionadas !
E eu, que sofrera tantas perdas
e caminhara por entre os espinhos
dos meus carmas,
estava lívida como uma borboleta
e duas vezes apaixonada...

Por aquela criatura, surgida
entre tempestades
e apaixonada pelo amor;
Com suas vestes de sol
e beleza sublimada !

Suzette Rizzo
A cara da infelicidade
Suzette Rizzo

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Assim é!
Uma musica antiga cutucando a vida
mostrando-a vencida
e sempre ele, o maldito destino
preparando armadilhas...
Fartei-me dos difíceis testes divinos,
da ilusão alimentando o corpo,
da carne entregue a infernos
e o mundo preparando os botes...

Por fim,
sempre mais um pouco
da mesma alma dolorida
vertendo ainda a melancolia...
Agora enfastiada
querendo pouso!