3 de maio de 2014

CONCEPÇÃO DO AMOR
Suzette Rizzo


Como fosse o primeiro beijo,
assim senti a tua boca
e  arrepios na nuca...
Flutuei, cega e surda,
conhecendo o Paraíso
e o balsamo das luzes
de estrelas coloridas.
Minha alma despertava
para a vida !

Depois, a felicidade se fez
amiga intima,
causando leveza e torpor...
Sorrisos vinham de dentro
interiorizando sons de sinos,
que os anjos também ouviam
e comigo festejavam,
porque então, nascia o amor.

Primeiras sensações...
Primeira melodia celestial
adentrando meus ouvidos...

O amor, possui asas azuis
que sobrevoam além
dos horizontes,
por entre os reinos do infinito.

E eu, mulher vivida,
abduzida por amarguras,
habitante da penumbra da terra,
senti meu caminhar em nuvens
de sonhos,
como jamais pensei, pudesse sentir.
Compreendi...
O amor é uma viagem  às Altas Esferas !

Não mais verti aquelas lágrimas
amargas!
As águas de mim, caiam adocicadas,
simplesmente emocionadas !
E eu, que sofrera tantas perdas
e caminhara por entre os espinhos
dos meus carmas,
estava lívida como uma borboleta
e duas vezes apaixonada...

Por aquela criatura, surgida
entre tempestades
e apaixonada pelo amor;
Com suas vestes de sol
e beleza sublimada !

Suzette Rizzo
A cara da infelicidade
Suzette Rizzo

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Assim é!
Uma musica antiga cutucando a vida
mostrando-a vencida
e sempre ele, o maldito destino
preparando armadilhas...
Fartei-me dos difíceis testes divinos,
da ilusão alimentando o corpo,
da carne entregue a infernos
e o mundo preparando os botes...

Por fim,
sempre mais um pouco
da mesma alma dolorida
vertendo ainda a melancolia...
Agora enfastiada
querendo pouso!


2 de maio de 2014


  
   

Algemas
Suzette Rizzo

Eu queria sorrir,
mostrar a pontinha dos dentes
e nenhum músculo se mexe.
Eu queria sair,
deixar em casa esta maldita solidão
e a dor de ferroada
deste vazio de mim.
Impeço qualquer pensamento
anticristão,
já expeli toda vingança,
calafetei meus desejos e defeitos,
ressuscitei meu Não.
Eu queria pouco, mas a alma grita
lembrando a ultima incisão...
e nenhum músculo se atreve
a buscar mera ilusão


1 de maio de 2014


Dueto : Eu e Nel

ESPERA
Nel Meirelles

vou ficar sentado na borda do arco-íris.
vou ver em cada estrela a única estrela que existe.
vou desnudar as cores
e fazer delas meu verde-azul-esperança.
vou escrever em pedaços
todos os recantos do meu coração,
embrulhar em papel de horizonte
e te dar de presente.
no passado ou no presente.
*Nel Meirelles*
25 01 2005



JÁ TE OUVI...
Suzette Rizzo

e descerei numa nuvem cor-de-rosa,
carregada de estrelinhas brancas
para enfeitar teu arco-íris
de novas esperanças.
Depois, molharemos nossos pés beira-mar
sob a chuva de verão:
O menino que és e eu.
E como duas crianças
cataremos conchinhas de sonhos.
Sonhos poéticos... apenas sonhos,
em que o tempo do verbo
não conta !
*Suzette Rizzo*

25 01 2005


E MORRE UMA ESTRELA
Suzette Rizzo

E morreu aquela estrela
que brilhava intenso.
Morreu também a lua cheia,
a nova
e o abacateiro,
refresco aos meus olhos
chorosos.

Estão mortas as noites  
calmas... 
os sonhos agradáveis, 
as luzes de néon  
daquela rua, 
cujas nuvens desabam lembranças  
sempre retornáveis.


Meus olhos não param
de buscar visões
para o meu poema.
Meu peito geme
emoções
e perco-me nesta estrada
de pedras,
na alma deserta
da madrugada.

Quanto te procuro 
e não te vejo em meus escuros! 
Não sei onde estás, 
nem onde fica a tal ponte
e, não sei porque tenho agora 
sonhado mais com o teu mundo, 
no suave azul do céu!





Mergulho
Suzette Rizzo

Mergulhas em quaisquer águas,
azuis, cinzentas, turvas, de chuva...
Tenho pena dessa busca,
quando penso na torpeza,
sinônimo do que és...

Mergulhas no poema alheio
para sonhar desejos despudorados
e extrair outros, mais outros...
e assim concluir seu todo.
Aplaudes a ti mesmo,
representando repetidas mentiras
nesse anfiteatro fantasioso,

em que purgas versos tolos.

30 de abril de 2014

Saudade
Suzette Rizzo

Saudade inquebrável, de pedra,
calcada no peito,
só lascada do grito...


Saudade pardacenta,
misturada ao árido deserto
de um poema endurecido.

Saudade tormenta,
de mares agitados...
devoradora desta alma solitária.

Saudade que o sol dilata,
a tarde fareja
e como ácido ferve quando a noite chega

Saudade debulhada,
misturada ao desespero, torturada...
pingando incessante na minha cabeça...
na pedra que não fura ou cambaleia.

Texto: Saudade

Autoria: Suzette Rizzo



COISAS SIMPLES
Suzette Rizzo


Lembro daquele boneco
de olhos expressivos
comprado naquela loja
da rua Álvaro de Farias...
Do Gordo e do Magro de porcelana,
enfeitando a estante...
Da sua paixão por corujas,
dos CDs da Ella Fitzgerald
e Shirley Bassey
nas horas de descanso...
E lembro-me do cachimbo com fumo de maça,
tentativa que não deu certo.

Nada tenho mais.
Vendi aquelas coisas todas interessantes ou não...
Precisei!
Todos os seus livros,
até mesmo os do Cony...
e o pingüim de geladeira,
que brincadeira!
De cara fechei no armário
da cozinha, pra ninguém ver.

São agora lembranças bem guardadas
no pensamento.
De concreto, nem esperança,
nem tempo mais pra esperar.

Suzette Rizzo



29 de abril de 2014


Repouso
Suzette Rizzo

Repousa nos pensamentos
um longínquo sentimento de amor.
Seria drástico não fosse lógico,
seria bom não fosse trágico,
o desabar das ilusões.


Todo o entendimento ruma
estrada abaixo...
todas as convicções derrotadas,
todos os bons sentimentos remoídos
reduzidos a pó e do pó a nada.

Descanso a mente do incerto...
Sou pensadora convicta das modificações
que o tempo ensina.

Arreada, desisto do deslumbramento,
das esperanças e da minha crença,

por ora em detrimento.



Meu lema
             Suzette Rizzo 

Não poderia estampar
a máscara da felicidade
em minha cara
porque o oposto gruda no rosto.
Nem poderia fingir nunca,
porque a verdade é meu lema
e essa bandeira ergo
seja como e onde for.



Não poderia ser
uma outra que não sou
nem mesmo pra contentar
fantasias de amor.

Coisa  banal
tatuar ares sorridentes
quem não tem...
Se a vida não sorriu,
não sorriu, ponto final.


Não poderia ter olhares curiosos
ou estúpidos...
acho sem graça
semblantes únicos.

Não posso correr
do meu sub consciente,
nem luzificar as sombras
da minha alma.
O emocional descomedido
faz parte da minha vida
e me arrasa...
Minha sensibilidade máxima
jamais se acalma.

Mas, nunca virei a mesa,
nem rodei a baiana...
somente sento na calçada
e choro borrando a cara.
Talvez eu seja o mecanismo
de uma obra meia boca
por ora inacabada.



Acorrentados
Suzette Rizzo

Estou no pensamento
daquele que me lembra
alguns momentos.
E preenchemos certo espaço
que jamais será vago
nem levará pra longe
seja fraco ou forte o vento.
Existimos e estaremos interligados,
almas conjuntas que somos ,
corrente cujos elos
no tempo se juntam. 
Não há como secar
sentimentos vazantes
do oceano das essências
de ânsias semelhantes.
Por hora o que há
é matéria individual
por ora desagregada,
cada qual moldada a outra massa,
par ou não da densidade.
De nós, creio, muito sobra,
embora sejamos sombras
aguardando a soltura
e revelação de tudo.
Além disso, temos sim, 
a graça e o poder
de imaginarmos asas
a sobrevoar nossos mundos,
tal anjos ou bruxos.