27 de janeiro de 2014


Desvairada
Suzette Rizzo

Amorteceu seus gritos de independência
por medo de ser só.
Adormeceu sonhos inteiros no coração ativo
por medo da tentativa.
Nem viveu, tamanho pavor da vida.

Desvairada!
Perdeu brilhos do olhar de tanta dor,
progressivamente enclausurou-se em si mesma,
repudiando carinhos dos que surgiram
por medo do  depois.

Desvairada!
Cercou-se de solidão, minguando o futuro,
espremendo carências no peito,
expulsando sonhos claros do seu túmulo.

Desvairada !
Ancorou suas atitudes,
arrancou a seta e a flecha do seu signo
e afogou suas estrelas, na lamaceira
do destino

Desvairada!
Adormece entre lágrimas de arrependimento,
sentindo a umidade do travesseiro
e ainda o medo, esse mau companheiro,
colado no pensamento.

Suzette Rizzo

26 de janeiro de 2014

Anseios
Suzette Rizzo
 
 
Nada acontece,
mas a palma da minha mão
formiga sem parar
e o coração dispara...
Acho que é a alma acordando
o corpo,
espantando qualquer pessimismo,
instigando o novo.
Nada acontece
alem do formigamento,
mas de mim brotam anseios


olhos e ouvidos atentos,
descanso aos freios.
Não sei porque creio nessa bobagem,
mas creio.

Amortização

Suzette Rizzo


Ando  por ai,
passo leve e vagaroso...
não há pressa de chegar
a ponto algum.
Não há pra onde
dirigir meus sonhos
e as ilusões já não são
ânsias bisonhas...
Agora voam
para além dos horizontes,
onde vivem
as verdades mais estranhas.
Mas não é pra lá que me dirijo
Estou sem combustível
até pra isso.

Suzette Rizzo



Bla bla bla...
Suzette Rizzo
 
 
Fazer trouxa dos bagulhos
atira-los no oceano,
desencaixotar esperanças
quando entrar novo ano.
Porém, nada é tão simples,
vem à tona por si,
nas ondas,
toda essa bagulhada.
Desengavetam-se recordações
seculares
nunca esfriadas,
a espera de soluções.
E que a dica venha do além,
daqui da terra não vem nada,
só teoria-refrão.

Suzette Rizzo


Longe
Suzette Rizzo 

Brotarão flores da minha pele,
das sementes deste sentir
regado a lágrimas.

Estarão gravadas as dores
expelidas da alma ao papel
e só lerão meus dons alguns poetas.

O mundo minimizará meu ser,
mas serei um anjo bom
a pirilampear versos.

Os espirituosos gracejarão
como sempre os sentimentos...
Não importa, nem hoje moro

no mesmo universo...
E  lá, onde vou, existe paz,
nem se ouve a voz dos ventos, é certo!

 September 24, 2012  

Perturbação
Suzette Rizzo

Ia passando como há muito,
pelos espelhos grandes e pequeninos
sem a mínima questão de reparar
em mim.




Seguia simplesmente, nem buscando optar
entre a bifurcação no meu destino,
seguia apenas!
E de repente,
me vi desenrolando novo tema.

Notei, graças a Deus,
uma estrela orientadora...
Ela não quer que eu perceba nem sinta,
o reprisar do mesmo frio a vida inteira.
E não fosse essa estrela em minha cela,
teria sem dúvida escorregado de vez
para dentro das ilusões piegas.

Sunday, January 26, 2014


Dia ou noite... tanto faz
Suzette Rizzo



Incapaz de fechar os olhos
perco-os no teto
como a buscar um anjo
e com ele dividir
o ardido do meu berro.

É solidão infinita demais
e o temor invade
a noite rançosa,
mal cheirosa como bílis (amarela).
Um mosquito sobrevoa e escapa
pela fresta da janela.

Amanhece tempestade
e pensamentos circulam
por entre as mesmas telas.
São sufocantes as passagens...
O caminhão freia e apaga as visões;
A noite nem se esconde
com ou sem pressa.

 Sunday, January 26, 2014


25 de janeiro de 2014

Verdades ocultas
Suzette Rizzo


Mesmo misturando estações,
há um verso
ou
única palavra
a despir vontades de dizer isso ou aquilo.
Mesmo embaralhando sentimentos,
historietas, reciprocidades ou não,
é o jeito de embaralhar a escancarar
a intenção.
Portanto, Deus e o diabo se diferem,
mas serpente e demo são iguais,
de alma e transgressão.

Sunday, January 26, 2014
  


Anseios irrealizáveis
 Suzette Rizzo

Só queria descontrair
nervos, músculos,
chegar ao sonho sem disputas.
Existir sem receios,
sem preconceitos,
livre da austeridade dos princípios,
bem longe dos martírios,
sentir-me leve e serena
ser eu mesma.
Daria tudo para esquecer
fases pontiagudas,
matar de mim as dores
e noites de vigilância,
cuja alma se inquieta desde a infância.
Daria tudo para me deparar
cara a cara com meu sonho
e daria tudo para ser envolvida
por uma réstia de luz reconfortante,
daquele olhar tristonho que um dia,
'não faz tanto tempo'
invadiu-me por completo
de sol e poesia.


Saturday, January 25, 2014


Página virada
Suzette Rizzo


Havia reciprocidade
no cheiro, no gosto,
no encaixe do corpo,
no banho quase morno.
Havia além de prazer, na fuga das tardes...
na cerveja esquecida
aquecida das mãos,
naqueles finais.
Momentos mágicos do amor estravazado,
desejoso do outro mais que tudo,
perdidos contudo
nesse dilema do proibido.
Só não havia contentamento na despedida,
cada qual p'ra sua vida...
carregando as culpas
de simples mortais. 
Incrível não haver saudade
depois de tanto!
Mas não há.
Suzette Rizzo _ December 08, 2008
Importa sim
Suzette Rizzo
 
Não importa 
se os braços dele são fortes,
se os ombros são largos,
mas importa sim, 
se as palavras escapam entre suspiros.
Ele não se importa comigo
 mesmo assim me inspiro.
 
Importa a personalidade,
o caráter,
a moral, os sentimentos...
e estudo essa alma amada
que não sabe nada disso.

Importa ler e saber
de que modo acontece
a construção dos seus versos.
Vasculhar o interior de quem amo,
esse homem incorreto.
 
Importa conhecer a fundo
quem jamais poderia ser  meu par,
realizar meu sonho de abraços
ouvir gemido em meus ouvidos.
 
Tudo tão incrível!
Estou certa de nada ser possível
e mesmo assim me inspiro.
 
Suzette Rizzo
(Escrito em 2010 para algum poeta).

 

24 de janeiro de 2014




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O tempo passa e colhes e colhes maças
rubras e pecaminosas.
Não prefiro os pecados originais,
nem pecados.
Por isso não existo para este mundo
onde os mortais possuem baú de cascas
ao lado da cama.
Não faço parte dessa escalada, creia!

Suzette Rizzo


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Buscas
Suzette Rizzo



Procuro palavras sadias
cujo prazeres do corpo fiquem de fora.
Procuro coisa mais elevada, de verdade,
não gente seduzida pela emboscada.
Procuro identificação real,
não futilidades em geral
nem respostas de calçada.
Procuro tranqüilidade, confiança mútua,
momentos conscientes.









Procuro a sensação das coisas mágicas,
efeito de guelras
em águas e ares não poluentes.
Procuro sentimentos,  
não sentidos viciados em mentes indecentes.

Friday, January 24, 2014

23 de janeiro de 2014

AMEI ASSIM
 Suzette Rizzo


Engoli  como um licor,
saboreei como uma manjar
e guardei em meus ouvidos
a voz do sonho,
como fosse uma canção,
ecoando levemente
em baixo som.








Deitei na grama como fosse nuvem,
adormeci como um anjo pequenino,
dancei tal qual  bailarina,
e amei ,como se amar fosse levitar
sobre os raios do luar.


Vivi um sonho-poesia,
sentindo a fragrância do amor
infiltrar-se nesta essência,
mansamente;
Como quem bebe água da fonte
e sacia-se completamente.


E de nada valeu amar assim,
pra ele ou pra mim

                                Suzette Rizzo


Ô vidinha!
Suzette Rizzo

Fugiu na madrugada,
silenciosamente !
Quem diria fosse o inverso
do homem sensato, respeitado,
casado comigo!
E não é que sensato,
era tudo que não era?





Fugiu para os braços da outra!
Aliás, depois disso,
todos fugiram para as outras.
Falta de sorte a minha!
Tão equilibrados, atenciosos
e não é que sinceridade
era tudo que não tinham?

Mas, eu não fugi!
Suportei e muito bem:
Lágrimas ressentidas,
alma partida ao meio,
e tudo isso sem esteio,
sem esconderijo,
sem ombro aos lamentos,
sem destino.

Vida é assim!
Cabeçada pós cabeçada
e madrugadas solitárias.
Ô! saudade angustiada
essa minha!
Só queria apagar este filme,
das minhas linhas
e a palavra traição da nossa língua.

Suzette Rizzo_2004


DESILUSÃO
Suzette Rizzo

Túnel interminável,
manhã detestável...
Ai, que frio,
que medo de subir a serra,
pegar a estrada,
ver fantasmas,
morrer no caminho,
no meio de tudo !





Onde estou, meu Deus !
Esperando o quê,
querendo afinal, porque ?
Ninguém pode desejar
nada tão distante,
nem esperar o bonde
onde ele não passa !

Pareço
um monte de merda
esborrachada...
Quando tento filosofar
entre a sujeira
das calçadas !

Suzette Rizzo


CONFUSO SER... ESTE QUE SOU
Suzette Rizzo

 




Fica a energia,
a sensação da presença
e no ar aquela magia.
 
Sento-me no tapete perto do som,
sentindo a umidade dos olhos dele
em minhas mãos...
 
 
Perco muito tempo
equilibrando pensamentos,
racionais ou não.
 
E com fúria, odeio a resignação,
conduta irreparável
às minhas perdas...
 
Tento, em vão, afugentar o tédio, a saudade
e este sentimento de possessão,
que nunca se afasta, nem me deixa.
 
Então, odeio com tudo que posso,
este querer desorientado, irreprimível e camuflado,
temendo ser violado, sem que eu perceba .

Suzette Rizzo
*