31 de dezembro de 2013

Declaração
Suzette Rizzo

Escrevo a minha vontade
de gritar...
Você não ouve, mas grito
alto, aflito...
E digito coisas desconexas,
pois falta coragem
de colocar pingos nos is,
dizer com todas as letras
meu delírio.
Você não percebe, mas xingo.
Escrevo tudo o que sinto
ou não sinto
e troco letras, modifico o tema
e você nem se da conta disso.
Nem quando danço as mãos no teclado,
nem se canto meu poema.
Só sei que escrevo:
Lagrimas, saudade, sentimentos...
e você, nem consegue notar
meus lamentos.
Mas escrevo tudo, todo o tempo
e você nem imagina o quanto escrevo,
o quanto penso.
Às vezes nem sei o que digo,
apenas prossigo
mesmo distorcido.
Porque a minha vontade
é escrever a alma... com calma
pra você entender.
E você, escreve... escreve...
sem saber de mim,
muito menos que escrevo pra você.

2010


30 de dezembro de 2013



SERÁ QUE SAUDADE
MORRE ?
Suzette Rizzo
 
Quanta saudade do amor
que transforma tempestade
em noite linda!
Amor que veste a alma de alegria,
a boca de sorrisos
e o pulmão de ares limpos!
 
Amei tanto em minha vida!
Perdi medos, corri riscos,
vi o céu em cada teto,
conversei com anjos discretos,
no paraíso dos meus sentidos!
 
Quanta saudade do amor!
Que nasceu de areia
e se auto-destruiu,
vazando das minhas veias,
o sentir que se esvaiu.
 
Quanta saudade da poesia
que vinha não sei de onde
e mágica, acontecia;
vestindo as noites  do luar
que o sonho atiça.
 
Quanta saudade das cores,
das tardes refletindo o crepúsculo,
em teus olhos claros.
 
Será que um dia esta saudade morrerá também,
assim como morreu o mais lindo sentimento,
deixando meu peito inapto?


Enamorando 
Suzette Rizzo

Nasci...
Nesse namoro de palavras doces,
poesia pura com fortaleza de abraço.
Namorava enfim,
retendo olhares que só eu vi,
ouvindo a reprise das frases lindas,
sentindo os gestos, o laço
e a sutileza de um lago perto de mim,
como se eu fosse uma orquídea
brotando dele para a vida,
ajudada por querubins.
Nasci em todos os sentidos...
Sob o calor do sol,
energizando a alma mal alimentada
do vital,
reencarnada e desatada do mal.
Nasci, nesse namoro desejado,
nos tantos dias enamorados
aguardando a soltura da minha vez.
Não sei de fato o que houve...
Morreu? Talvez!

October 22, 2013
Dueto: Nel Meirelles e Suzette Rizzo

                                                                                                              

ESPERA

Nel Meirelles

vou ficar sentado na borda do arco-íris.
vou ver em cada estrela a única estrela que existe.
vou desnudar as cores
e fazer delas meu verde-azul-esperança.
vou escrever em pedaços
todos os recantos do meu coração,
embrulhar em papel de horizonte
e te dar de presente.
no passado ou no presente.

Nel Meirelles
25 01 2005



JÁ TE OUVI...
Suzette Rizzo

e descerei numa nuvem cor-de-rosa,
carregada de estrelinhas brancas
para enfeitar teu arco-íris
de novas esperanças.
Depois, molharemos nossos pés beira-mar
sob a chuva de verão:
O menino que és e eu.
E como duas crianças
cataremos conchinhas de sonhos.
Sonhos poéticos... apenas sonhos,
em que o tempo do verbo
não conta !

Suzette Rizzo
25 01 2005


O canto da cigarra
Suzette Rizzo


Sinto frio nas noites vazias,
entre sonhos foscos,
eu, minha arritmia,
silencio rondando paredes
entre pensares loucos.
Lá fora canta uma cigarra
como a dizer-me algo
e esse algo desliza barrancos
ao som das citaras dos anjos,
agora longe muito longe
para que eu não possa mais escutar.
Ouço mantras para aliviar
mas não tenho paz...
Meu universo ainda pulsa
tentando explicar que momentos morrem,
almas gêmeas inexistem
e que o sonho escorre como chuva,
evapora e seca  e se enterra
na terra do nunca.

Suzette Rizzo _ October 21, 2013

29 de dezembro de 2013

Última Vereda
Suzette Rizzo

É tão longe o Paraíso,
tão difícil chegar lá
e eu já farejei tantos atalhos
pisei tantos espinhos...
Sei , nenhum verso
desembocou de fato
numa acolhida de ninho.
Porém, tenho sonhado
as flores desse caminho
sentido o perfume das  laterais.
Na verdade me sinto tão louca!
É certo que a derrota mate a alma
que mora nesta roupa!

December 29, 2013


28 de dezembro de 2013

Liberando a alma
Suzette Rizzo

Penso em liberar minha alma. 

Que ela voe alem dos horizontes 
e procure um recanto de paz.
Afasto-a de montes gelados
onde eu não estaria jamais.
Mas talvez ela não goste deste calor
não goste das grandes cidades,
nem goste de mar...
Talvez ela goste dos altares
e eu, das palestras espirituais.
Preciso liberar esta alma,
e sempre peço em voz alta
que se vá.
No entanto, nasceu comigo 
e tem caminhado lado a lado
acorrentada a meus problemas,
aos frios das casas vazias,
às noites sensitivas...
Não por querer, mas firo esta alma
todos os dias...
E assim mesmo ela fica, 
enroscada em minha vida

Autora: Suzette Rizzo

SEXTO SENTIDO
Suzette Rizzo

Neutralizou forças...
e a pieguice do ser,
desandou depressão crônica.

Porém, não foi a primeira fase
arrepiante,
nem enjoou mais que outras... 

Contudo, entediou-se das visões
rotineiras...
e quis enxergar a beleza do invisível
de qualquer maneira.

E foi uma invasão de ansiedades...
ramificou-se a expectativa
por todos os cantos... 

E a janela do sexto sentido ,
dilatou-se para além da vida
direto aos encantos. 

Foi então, que num rápido flash,
viu ao lado da cama,
o olhar interrogativo do menino,
que havia sido seu homem querido. 

¨Por que pensar tanto?
Pra quê arrastar-me 
de volta? ¨
Foi o que entendeu...
deixando o anjo amado
_partir de vez_

Suzette Rizzo 
Sagitarianismo
Suzette Rizzo

Formidável seria,
dar-me a chance de um grito único...
Aquele que rasga recordações,
atira longe o coração,
rejuvenesce as feições...
Liberta interiores afogados.



Seria um salto da morte para a vida,
o enxergar pós cegueira absoluta...
A força máxima rebentando amarras...
O esvazio do lixo embolorado...
Da latinha de coca cola
ingerida de vez,
matando a sede secular.


Seria bom esvoaçar desejos...
Voar pra longe deste habitat
massacrador da minha pessoa...
Escancarar meu riso esquecido...
Pular dentro de nova canoa...
Remar sem destino.


Seria honesto escoar verdades...
Lavar impurezas do tempo...
Esgotar-me completamente
do acumulo de reticências...
E deixar-me levar pelo vento
junto à minha consciência.


Seria bom, sentir o gosto
dos bons frutos...
E este enjôo de tudo, escapulido...
Abrindo espaço a razão encarcerada...
E então, vestir-me do branco da paz
e da gloria de ter vencido.


Formidável seria,
viver outra vez um sonho imaturo,
com sabor desconhecido...
Contudo, estes desejos serão eternos, 
a clausura é o real inferno
do meu sagitarianismo.
Suzette Rizzo

22 de dezembro de 2013

PALÁCIO SONHO
Suzette Rizzo


As copas das árvores
se fecharam
e vi o rendado verde
de fundo azul do céu.
Caminhei
sob o sombreado
da minha rua...
virando  aos poucos
aquela página
e o cenário enluarado,
que logo seria um sonho,
como hoje é!

Fechei as janelas do
apartamento
dando adeus
a imensidão noturna
e as constelações
da noite limpa.

Gravei tudo
minuciosamente...
Tranquei
a porta do palácio-sonho
e, hoje, ainda dói lembrar...
Do aniquilamento total,
do ruir de tudo sobre mim...
Fase essa que ousa viver
imortal !


Arrebatamento
Suzette Rizzo

Escrevo devaneios,
sonhos de esteio,
poemas-desequilíbrio,
amontoado de sentimentos...
Permito que falem por mim
estes loucos pensamentos.

Perdeu um pouco a graça
sonhar anjos que se foram,
perdi o pique, o rebolado,
o sonho em série,
o epílogo comportado.

Chega dessa história!
Bom seria transportar-me 
a outro universo ou abaixo da terra,
girar como um pião,
sobretudo assombrar lá de cima
o jardim das mentiras.


Tudo é possível
Suzette Rizzo

É possível sobreviver aos trancos,
acostumar-se a falta de amigos
e, se bastar à escrita,
é possível sonhar sem mais ideais
ou caminhar sem meta.
Tudo é possível!
Desde que o sofrimento
não devaste da alma a fé
e a alma não se abasteça de vazios.
Tudo é possível com crença
e a solidão pode ser
sustentáculo do poema.
As manhãs acontecem,
os pássaros cantam,
qualquer passado enobrece,
qualquer poema enaltece,
qualquer vento arrasta sentimentos,
qualquer água lava tormentos,
qualquer vida dilata a rima,
qualquer coração faz poema.
É só querer dividir,
estar dentro de si,
escancarar o portal do dom,
deixar o secreto fluir.
Sou poeta assim.
Parindo meus sentimentos
com ou sem dor,
alimentando a mel  o prazer de ter
esses filhos de mim.
                                  Suzette Rizzo




A TUA POESIA
Suzette Rizzo

A tua poesia consome minhas tristezas...
Arrasta meus pensamentos às estrelas...
Mas, o teu olhar de fome, me atira
sem dúvida alguma
à fogueira.

Ah! Poeta...
capaz de morder  com palavras...
Homem, capaz de aquecer noites geladas...
Divides minha alma em duas:
Uma te quer...  Outra se guarda !

Suzette Rizzo 
Á Fernando Pessoa
Suzette Rizzo
(Perdão pelo atrevimento)

Se houvesses tido um cãozinho
não amarias tanto um tinteiro,
nem a semi-escuridão do teu cantinho.
Não estarias só em teu quarto,
sentindo a terrível solidão
que adentra a alma dos poetas.
Nos intervalos ririas com teu cão,
abraçaria-o de peito aberto
brincarias até a exaustão.
Faria poemas para ele,
entenderias ainda mais
o quão ínfima é a humana criatura,
serias mais feliz neste navegar da vida
do pulmão versus ar, sempre em luta.
Se houvesses amado um cãozinho
tal companhia não te oprimiria
e a solidão não o desolaria.
Tantas coisas, melhorariam amigo!
Não a sensibilidade ou a emoção...
Nunca precisaste disso...
Poeta nasce e morre alma e coração.
Contudo, te faltou calor Fernando,

um animal de estimação.

21 de dezembro de 2013

Nada está morto

Nada está morto
Suzette Rizzo

Alimento a alma deste amor
que descarna desejos,
seca outros beijos,
me acalma. 

E nada esqueço
que  tenha vivido,
com esse amor tanto querido,
mesmo tendo ele partido,
pra cumprir amargo carma. 

E nada evapora
na madrugada,
nem o tempo acorda a emoção,
de prosseguir a caminhada
neste plano de ilusão. 


E te dou colo, atenção,
muitas preces
e,  nossa recordação
parece domina,
toda e qualquer sensação. 

E  mato tua sede
com amor real
afastando-te de todo o mal,
encobrindo com o meu,
teu carente coração. 

Tens gosto de mel e de sal,
amargo-doce
que molha a boca,
apego de igual pra igual. 

E que me importa
se estas morto...
Se rasgo o céu das noites
e em mim te recolho.
                     Suzette Rizzo





ÊXTASE
Suzette Rizzo 

Você é para mim obra de arte, 
figura mística,
profeta das galáxias,
Apolo deste mundo...
É um ser incomum,
dotado de valores incomuns,
descobridor do noturno
às estrelas,
esse poema exótico
que flui dos seus olhos,
após as cachaças com groselha.
            
Você é para mim o chefe
dos deuses,
musas e assexuados anjos
e é nada mais, nada menos
que o sol da terra,
o vento Equador
e, decididamente,
o mais lindo arcanjo;

Quando sorri ares menino,
sussurra em meu ouvido
espalhando poções de amor.

Suzette Rizzo




Do céu de Goiás
Suzette Rizzo

Despencou uma a uma, todas as estrelas
do céu de Goiás, 
na noite em que o mundo abocanhou
meu sonho esperado de paz. 

Desabaram como fossem  de fogo,
queimando-me as esperanças,
arraigando vinganças
de tudo
na vida estranha  

Tanta estrada...  tanta pressa
pra cair na piscina depois do café,
suprir tantos anos rezados
com fé... 

E depois, voltar depressa,
cair feio do sonho, do ninho,
sentindo os trancos da estrada
e da vida,
tão duramente escalada... 

E a alma ? Tombada ...
Entre as pedras do caminho. 

Suzette Rizzo