29 de dezembro de 2013

Última Vereda
Suzette Rizzo

É tão longe o Paraíso,
tão difícil chegar lá
e eu já farejei tantos atalhos
pisei tantos espinhos...
Sei , nenhum verso
desembocou de fato
numa acolhida de ninho.
Porém, tenho sonhado
as flores desse caminho
sentido o perfume das  laterais.
Na verdade me sinto tão louca!
É certo que a derrota mate a alma
que mora nesta roupa!

December 29, 2013


28 de dezembro de 2013

Liberando a alma
Suzette Rizzo

Penso em liberar minha alma. 

Que ela voe alem dos horizontes 
e procure um recanto de paz.
Afasto-a de montes gelados
onde eu não estaria jamais.
Mas talvez ela não goste deste calor
não goste das grandes cidades,
nem goste de mar...
Talvez ela goste dos altares
e eu, das palestras espirituais.
Preciso liberar esta alma,
e sempre peço em voz alta
que se vá.
No entanto, nasceu comigo 
e tem caminhado lado a lado
acorrentada a meus problemas,
aos frios das casas vazias,
às noites sensitivas...
Não por querer, mas firo esta alma
todos os dias...
E assim mesmo ela fica, 
enroscada em minha vida

Autora: Suzette Rizzo

SEXTO SENTIDO
Suzette Rizzo

Neutralizou forças...
e a pieguice do ser,
desandou depressão crônica.

Porém, não foi a primeira fase
arrepiante,
nem enjoou mais que outras... 

Contudo, entediou-se das visões
rotineiras...
e quis enxergar a beleza do invisível
de qualquer maneira.

E foi uma invasão de ansiedades...
ramificou-se a expectativa
por todos os cantos... 

E a janela do sexto sentido ,
dilatou-se para além da vida
direto aos encantos. 

Foi então, que num rápido flash,
viu ao lado da cama,
o olhar interrogativo do menino,
que havia sido seu homem querido. 

¨Por que pensar tanto?
Pra quê arrastar-me 
de volta? ¨
Foi o que entendeu...
deixando o anjo amado
_partir de vez_

Suzette Rizzo 
Sagitarianismo
Suzette Rizzo

Formidável seria,
dar-me a chance de um grito único...
Aquele que rasga recordações,
atira longe o coração,
rejuvenesce as feições...
Liberta interiores afogados.



Seria um salto da morte para a vida,
o enxergar pós cegueira absoluta...
A força máxima rebentando amarras...
O esvazio do lixo embolorado...
Da latinha de coca cola
ingerida de vez,
matando a sede secular.


Seria bom esvoaçar desejos...
Voar pra longe deste habitat
massacrador da minha pessoa...
Escancarar meu riso esquecido...
Pular dentro de nova canoa...
Remar sem destino.


Seria honesto escoar verdades...
Lavar impurezas do tempo...
Esgotar-me completamente
do acumulo de reticências...
E deixar-me levar pelo vento
junto à minha consciência.


Seria bom, sentir o gosto
dos bons frutos...
E este enjôo de tudo, escapulido...
Abrindo espaço a razão encarcerada...
E então, vestir-me do branco da paz
e da gloria de ter vencido.


Formidável seria,
viver outra vez um sonho imaturo,
com sabor desconhecido...
Contudo, estes desejos serão eternos, 
a clausura é o real inferno
do meu sagitarianismo.
Suzette Rizzo

22 de dezembro de 2013

PALÁCIO SONHO
Suzette Rizzo


As copas das árvores
se fecharam
e vi o rendado verde
de fundo azul do céu.
Caminhei
sob o sombreado
da minha rua...
virando  aos poucos
aquela página
e o cenário enluarado,
que logo seria um sonho,
como hoje é!

Fechei as janelas do
apartamento
dando adeus
a imensidão noturna
e as constelações
da noite limpa.

Gravei tudo
minuciosamente...
Tranquei
a porta do palácio-sonho
e, hoje, ainda dói lembrar...
Do aniquilamento total,
do ruir de tudo sobre mim...
Fase essa que ousa viver
imortal !


Arrebatamento
Suzette Rizzo

Escrevo devaneios,
sonhos de esteio,
poemas-desequilíbrio,
amontoado de sentimentos...
Permito que falem por mim
estes loucos pensamentos.

Perdeu um pouco a graça
sonhar anjos que se foram,
perdi o pique, o rebolado,
o sonho em série,
o epílogo comportado.

Chega dessa história!
Bom seria transportar-me 
a outro universo ou abaixo da terra,
girar como um pião,
sobretudo assombrar lá de cima
o jardim das mentiras.


Tudo é possível
Suzette Rizzo

É possível sobreviver aos trancos,
acostumar-se a falta de amigos
e, se bastar à escrita,
é possível sonhar sem mais ideais
ou caminhar sem meta.
Tudo é possível!
Desde que o sofrimento
não devaste da alma a fé
e a alma não se abasteça de vazios.
Tudo é possível com crença
e a solidão pode ser
sustentáculo do poema.
As manhãs acontecem,
os pássaros cantam,
qualquer passado enobrece,
qualquer poema enaltece,
qualquer vento arrasta sentimentos,
qualquer água lava tormentos,
qualquer vida dilata a rima,
qualquer coração faz poema.
É só querer dividir,
estar dentro de si,
escancarar o portal do dom,
deixar o secreto fluir.
Sou poeta assim.
Parindo meus sentimentos
com ou sem dor,
alimentando a mel  o prazer de ter
esses filhos de mim.
                                  Suzette Rizzo




A TUA POESIA
Suzette Rizzo

A tua poesia consome minhas tristezas...
Arrasta meus pensamentos às estrelas...
Mas, o teu olhar de fome, me atira
sem dúvida alguma
à fogueira.

Ah! Poeta...
capaz de morder  com palavras...
Homem, capaz de aquecer noites geladas...
Divides minha alma em duas:
Uma te quer...  Outra se guarda !

Suzette Rizzo 
Á Fernando Pessoa
Suzette Rizzo
(Perdão pelo atrevimento)

Se houvesses tido um cãozinho
não amarias tanto um tinteiro,
nem a semi-escuridão do teu cantinho.
Não estarias só em teu quarto,
sentindo a terrível solidão
que adentra a alma dos poetas.
Nos intervalos ririas com teu cão,
abraçaria-o de peito aberto
brincarias até a exaustão.
Faria poemas para ele,
entenderias ainda mais
o quão ínfima é a humana criatura,
serias mais feliz neste navegar da vida
do pulmão versus ar, sempre em luta.
Se houvesses amado um cãozinho
tal companhia não te oprimiria
e a solidão não o desolaria.
Tantas coisas, melhorariam amigo!
Não a sensibilidade ou a emoção...
Nunca precisaste disso...
Poeta nasce e morre alma e coração.
Contudo, te faltou calor Fernando,

um animal de estimação.

21 de dezembro de 2013

Nada está morto

Nada está morto
Suzette Rizzo

Alimento a alma deste amor
que descarna desejos,
seca outros beijos,
me acalma. 

E nada esqueço
que  tenha vivido,
com esse amor tanto querido,
mesmo tendo ele partido,
pra cumprir amargo carma. 

E nada evapora
na madrugada,
nem o tempo acorda a emoção,
de prosseguir a caminhada
neste plano de ilusão. 


E te dou colo, atenção,
muitas preces
e,  nossa recordação
parece domina,
toda e qualquer sensação. 

E  mato tua sede
com amor real
afastando-te de todo o mal,
encobrindo com o meu,
teu carente coração. 

Tens gosto de mel e de sal,
amargo-doce
que molha a boca,
apego de igual pra igual. 

E que me importa
se estas morto...
Se rasgo o céu das noites
e em mim te recolho.
                     Suzette Rizzo





ÊXTASE
Suzette Rizzo 

Você é para mim obra de arte, 
figura mística,
profeta das galáxias,
Apolo deste mundo...
É um ser incomum,
dotado de valores incomuns,
descobridor do noturno
às estrelas,
esse poema exótico
que flui dos seus olhos,
após as cachaças com groselha.
            
Você é para mim o chefe
dos deuses,
musas e assexuados anjos
e é nada mais, nada menos
que o sol da terra,
o vento Equador
e, decididamente,
o mais lindo arcanjo;

Quando sorri ares menino,
sussurra em meu ouvido
espalhando poções de amor.

Suzette Rizzo




Do céu de Goiás
Suzette Rizzo

Despencou uma a uma, todas as estrelas
do céu de Goiás, 
na noite em que o mundo abocanhou
meu sonho esperado de paz. 

Desabaram como fossem  de fogo,
queimando-me as esperanças,
arraigando vinganças
de tudo
na vida estranha  

Tanta estrada...  tanta pressa
pra cair na piscina depois do café,
suprir tantos anos rezados
com fé... 

E depois, voltar depressa,
cair feio do sonho, do ninho,
sentindo os trancos da estrada
e da vida,
tão duramente escalada... 

E a alma ? Tombada ...
Entre as pedras do caminho. 

Suzette Rizzo


20 de dezembro de 2013

Sequência - Suzette Rizzo


Falta instrumento musical
na orquestra dos meus sonhos...
No céu, menos uma estrela
com som de pistom,
qualquer melodia é falhada,
sem ele,
meu anjo bom.   
Há uma lacuna na página
do jornal,
uma mesa vazia na Redação,
falta um poeta na antologia...
Onde andará a poesia
do sensível coração ?! 

Meus sonhos de estrada
atravessam túneis, avistam
campos
e percebo a vastidão do mundo...
Nele há menos um lírio
e uma árvore sem frutos.

Falta alguém no planeta,
alguém que ninguém mais lembra
mesmo que nasça uma estrela...
Mas, se a vida do corpo
volta ao pó,
meu Deus, será que ele é,
sequência de girassóis?
                                  Suzette Rizzo
(Para meu ex marido falecido)  


















A idade das sereias
Suzette Rizzo

Queria a idade das sereias,
todas e nenhuma.
E dos mares toda a espuma
que a luz do luar cintila.
Queria as ondas correndo as veias,
 leveza na cabeça
e nenhuma lembrança feia.

Mas, sou mulher da terra;
Sangue, preocupação e pernas
em plena corrida.
Sozinha como a sereia,
porém menos vida.

E  lá se vai a ilusão da eternidade
da matéria lisa.
Coisa que a solidão enruga, risca e pisa.

Ainda escrevo meus versos...
Mas logo, nem lenda serei neste universo,
nem sereia sempre viva!
Suzette Rizzo


Transparência
Suzette Rizzo

Percebes que não te escondo
em meus versos,
embora te ame timidamente
e  te procure incessante
neste revoar universos?

Sabes sim!
Que estás refletido em meus sonhos
e que remendas meus restos.

Nada mais importa!

Hoje, te sonharei além 
de um poema transcendente,
para cair em teus olhos
como estrela cadente!

Suzette Rizzo


September 7, 2013
Interioridade
Suzette Rizzo


Chega um dia na vida
que o amor a dois
se funde na enxurrada
e desce ladeira abaixo.
Ninguém o procuraria
na água de esgoto,
lá, com certeza estará morto.
Chega um dia
que café na cama, a dois,
fim de semana na praia, dizem,
é programa dos mais moços.
Na verdade, procuro agora,
outros sabores,
chega de querer outras gentes, 
novidades...
Chega um dia na vida,
se não houver surpresas
não há também continuidade.
Por isso, chega uma hora na vida
que o melhor da vida,

é a luz da interioridade