5 de março de 2018

Ainda é... sempre será - Suzette Rizzo





Ainda mora
na cor das folhagens,
no brilho do cristal,
na melodia que ecoa
em todas as horas.

Mora ainda,
em meu olhar parado, 
perseguidor de momentos,
miragens,
na busca incansável
da matéria dissolvida
no ralo dos sonhos
desta viagem.

Nada encerrado!
Nem a respiração...
o gemido
e nem o sussurro
do meu destino...
Trazendo à vida
o amor punido...
Amor que escoou,
escoa...
mas não seca!

Trágico, tem que ser!...
Lúcido, místico, eterno...
este amor que dilacera...
Amor que abre pouco a pouco
meus infernos!
Sim... minha alma não pensa...
Peca!

Suzette Rizzo - 2002



28 de fevereiro de 2018

Sonho exposto - Suzette Rizzo




Sigo em frente...
sou tua costela e a sombra da Eva
que te pertence.

Te guardo em meus braços,
te prendo no abraço,
balbucio uma canção misturada a oração.

E adormeces pensando nela...
na outra que é cria
do teu novo coração.

Observo teu globo ocular sob as pálpebras
a dançar mais apressado,
e sorris meio de lado,

carregando de vez meu sono
e o futuro deletado 
para baixo do colchão.

Meu peito é furacão, 
devastando a vida inteira
de uma estrada contramão.

Não posso voltar atrás,
muito mesmo recomeçar
em qualquer outro lugar.

Esfarelo-me lentamente,
misturando-me
a teu corpo de barro frio.

Serás sempre aquele Adão,
a minha sempre metade
e eu já sou o pó varrido.

Estás limpo da minha carne,
e cortaste as tuas unhas,
preparando outro amanhã.
Suzette Rizzo







Chico Buarque – Joana Francesa





















Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Je me dit loucura e de torpor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord

Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Je me dit prazer e de pavor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord

Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise

Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Je me dit preguiça e de calor
Já é madrugada
D'accord d'accord d'accord d'accord


27 de fevereiro de 2018

Olhar de poeta - Suzette Rizzo




Poeta,
ama o jeito de olhar e a cor,
não só trás em si DNA de poeta,
quando é,  fala do amor que dói,
da dor que corrói.
Poeta, admira o que ninguém vê,
plaina sob as nuvens de um jardim
e sonha, sonha...
Afinal, ser poeta
é vestir o ar de poesia,
possuir um escoador de sonhos
de seu interior...
É por isso que ele versa
tantas íris, tanta cor!

Suzette Rizzo




25 de fevereiro de 2018

Abertamente falando – Suzette Rizzo




Não tenho muito pra te dar,
exceto algumas palavras escritas,
outras monossilabicamente ditas...
Se quiser posso fazer carinhos,
buscar café sempre quentinho,
sem perturbar tua vida.

Posso um tempo ser assim!

Porque depois
vou querer seu tempo,
ele todo,
pois quanto a mim
passarei um rodo,
em qualquer período ruim

Suzette Rizzo -February 25, 2018 



Ardil – Suzette Rizzo




Jamais quis aburguesar nossas vidas,
ser a mesma rotina,
duvidar
com olhares de chinesinha.

Jamais quis acionar alavancas
do ciúme
e esperei realizar esperanças,
aromatizar estações,
nunca espalhar negrumes
em nosso jardim de vaga-lumes.

Sonhei tanto, tanto!

Ouvi coro, ouvi banjo
e não és anjo, nem lume!






21 de fevereiro de 2018

Poeta Álvaro de Faria



A poesia
requer cuidados
como
a um pássaro ferido.

Como uma freira
que cuida de um anjo
que se perdeu
com as asas quebradas.

A poesia
pede dedos delicados
para escolher
as palavras.

A poesia
tem vida frágil
como o poeta:

às vezes
nem chega a viver.

Álvaro de Faria - 13 02 2018


19 de fevereiro de 2018

Poesia (Hey You) – Suzette Rizzo




Gosto da poesia entendível,
aquela que a alma dita enquanto a lágrima escorre
ou o riso floresce.
Gosto da poesia que diz alguma coisa,
não aquela que apenas reúne palavras
ininteligíveis... 
Poesia  mesmo, sai do fundo e acresce!
Ei você!
Gosto de poesia que adentra a alma e encanta,
sobretudo, fosforesce!


Suzette Rizzo - February 19, 2018


6 de fevereiro de 2018

Enganação - Suzette Rizzo




Tua poesia era um banquete para a minha alma,
tão melodiosa que a canção se repetia
e mesmo em vigília a ouvia.

Tua poesia era berço, alento das noites frias...
Mormaço no verão, frescor de vento leve,
refrigério, luz, compasso.

Tua poesia era minha (pensei), estava em mim
como o ar que eu respirava, braços que abraçavam,
preenchendo meu corpo todo de suave torpor

Tua poesia não era minha,
descobri e morri ...
Foi ela que me matou.

Suzette Rizzo - 24 -2 -15





Travessuras poéticas - Suzette Rizzo







Mesmo que se esparrame
como chamas,
paixão sem dono e sempre acesa,
é somente insatisfação
de poeta sem direção!

Seus versos indefinidos
saqueiam palavras, que afiadas
gracejam palavras doces...
É o mundo do poeta
catador de tudo e nada!

Amaria andar sangrado,
sentindo o vento que soprasse a dor,
mas cadê a ventura da dor?

Ah! Nada além de travessuras!

Mero poeta libertário,
consumido por chamas estéreis,
imune as amarras e queimaduras!

Friday, February 27, 2015






31 de janeiro de 2018

Ruínas – Suzette Rizzo


Esta alma semi afogada no rio da vida,
estendeu as mãos
para aqueles que jamais conheceram
as profundezas das águas
ou a comiseração.
Não importa o que escrevi ou escreva,
alguns talvez leiam depois
e acredito poucos abarcarão
o ritmo deste coração.
E assim, naqueles dias de alma semi afogada,
alagada, saturada...
quem conheci ou há muito conhecia
não me ergueu daquele chão!

Suzette Rizzo - 2017









Nona hora – Suzette Rizzo




Coloco tudo em seus lugares,
cada etapa da vida, cada cilada
cada qual em seu espaço.

Coloco a vida na estrada
e vivo momentos flores,
noites enlameadas.

Atravessei dias mais dias,
massacrei-me como uva nos lagares,
desvesti-me das surpresas
e na nona hora gritei:

Eu nem vivi meu Deus!!!

Não sei o que vale ou valeu,
se o tempo devasta a vida
se coisa por coisa morreu.

Suzette Rizzo -January 30, 2018





30 de janeiro de 2018

Das profundezas – Suzette Rizzo






Penso tristezas... 
Não para atraí-las, mas sim chora-las.
Talvez para que também se espalhem
por este mesmo chão
onde os duros marcham
e os bons se debatem.
Penso tristezas de quatro patas,
de guelras, de asas, 
na tristeza interior de algumas criaturas,
no universo choroso lamentando os seres escuros,
esses que nada sabem do amor,
esses que não se importam
e apenas vivem por viver,
para então morrer,
sem saber que estão mortos para o depois

Suzette Rizzo - January 30, 2018






28 de janeiro de 2018

A vida no Mundo (Oposição) - Suzette Rizzo



A vida não é um poema de Tagore
nem o desencadear de um vento visitante...

É, creia, um drama temporário
não a linda canção dos pássaros.

A vida é o lar carcerário,
um tempo quase sempre trágico.

Saiba, a vida fura como estiletes
fere com unhas de bruxa,

dilacera como os caninos das feras
ingere como a morte ingere, nossa alma.

Vida é poema deficiente,
capaz de deleitar a vista

e ao mesmo tempo esmagar--nos
medíocre e ensandecidamente

Porque o mundo segundo Nietzsche  
é um monstro paranoico e lamacento
e somos  irmãos de quem disse.

Vida é sonho caído da estrela
que o mundo escorraça

e o chão freia,
em meio ao todo de mentes doentes

E os ideais espatifados no solo
não são de um meteoro

ou rápido cometa
sofrendo de vez a queda

Além disso, vida é só perda
e é lenta como um burrico
empacado em frente a cerca.
                                         Suzette Rizzo
           
2003




- Rumi -



“Saiba então que o corpo é apenas uma peça de vestuário.
Procure o usuário e não o manto”.
                                                 Rumi