22 de janeiro de 2018

Milhares de milênios - Suzette Rizzo



Dentro de você,
existe a experiência de ter sido
um cão sem dono
ou um boi que se encaminhou
ao matadouro.

Talvez um cavalo puxador de carroça,
quem sabe um leão de circo, maltratado,
um pobre gatinho solitário,
uma ave de asas quebradas,
um peixe correndo dos outros

Muitos bichos você foi!

Dentro de você,
moram águas de um rio,
uma flor, entre as muitas
de um jardim
e, corre terra, corre amor,
as químicas do universo
e o carbono do infinito;
em todos, em você, em mim.

É ! Até mineral você foi.

O cão com fome, pense nele,
sentindo faltas...
pense no boi em direção ao matadouro,
no cabrito, no carneiro
prevendo o fim,
e o medo que já  sentiu
a se esparramar por dentro.

Depois refresque os pensamentos...
para isso você viveu
as águas doces de um rio...
E sinta a flor do coração
enfeitando dias feios desta sua vida:
tenha tolerância com aquele
de alma menos evoluída.

Você também a teve pequena,
um dia.

Porque na subconsciência
moram seres primatas,
índios selvagens,
seres extraterrestres.
Só não sei se existe planeta
em maior atraso.

Pois é! Dentro de você mora o Verbo
e uma imensa bagagem,
do tamanho dos seus anos de universo!

É isso! Dentro de você
mora o poema perfeito:
A Criação de DEUS !

Autoria – Suzette Rizzo
Respeite os Direitos Autorais




Amortecida - Suzette Rizzo





Ando  por aí,
passo leve e vagaroso...
não há pressa de chegar
a lugar algum.
Não há pra onde
dirigir meus sonhos
e as ilusões já não são
ânsias bisonhas...
Agora voam
para além dos horizontes,
onde vivem
as verdades mais estranhas.
Mas não é  pra lá que me dirijo
Estou sem combustível
até pra isso.
Suzette Rizzo


Ancoradouro - Suzette Rizzo




Neste silencio, procurando um ideal,
qualquer,
parada no meio da sala interrogando o “sopro”
que me faz viver entre fantasia e lógica,
assim estou.
Ouvindo apenas mutáveis respostas,
sentindo-me plantada neste planeta lindo...
impressionada com Quem  nos plantou.

Inquieta-me a idiotice das criaturas
e busco então a legitimidade de tudo isso,
exigindo desta cabeça inconformista,
respostas mais lógicas.

Encontro explicação metafísica, filosófica,
da física quântica e busco assim curiosa
entre literatura poética e viagens cósmicas,
a Verdade das verdades,
de modo  menos nocivo e primitivo.

Ancoro de modo intenso neste transtorno depressivo,
perguntando-me não os porquês da existência, 
mas... “pra quê existo”???


Suzette Rizzo


19 de janeiro de 2018

Osho


OSHO




Na Pele ( Elza Soares e Pitty)


Olhe dentro dos meus olhos
Olhe bem pra minha cara
Você vê que eu vivi muito
Você pensa que eu nem vi nada
Olhe bem pra essa curva,
do meu riso raso e roto
Veja essa boca muda
Disfarçando o desgosto
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales
Na pele leito de rio
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales
Na pele leito de rio
Contemple o desenho fundo
Dessas minhas jovens rugas
Conquistadas a duras penas
Entre aventuras e fugas
Observe a face turva
O olhar tentado e atento
Se essas são marcas externas
Imagine as de dentro
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales 
Na pele leito de rio

Elza Soares e Pitty






















18 de janeiro de 2018

Veneno – Suzette Rizzo




Não posso aceitar o tal frasco do veneno 
que a avó alertou após o AVC. 
‘No terreno, enterrado, 
um mal para nós e você’. 
Será que ela viu? 
Será que alguém disse? 
Será um problema de vidas passadas 
guardado na sub consciência, 
pulando pra fora na hora triste? 
Mas o fato é que ingerimos  
o tal veneno da adversidade.  
Sofremos todos, morreram todos 
e eu continuo sentindo os males 
em cada casualidade. 
Suzette Rizzo

17 de janeiro de 2018

Ligação – Suzette Rizzo



Em plena marulhada, 
esta alma não cessa de agitar sonhos, 
remar por dentro e recuar, 
confusamente irritada, 
perseverantemente  semi afogada 
no vai e vem daquele amar. 
Esta alma relembra tempos de sol, 
resfria-se das lágrimas, 
nem é lama nem é pó... 
Somente alma salgada, 
da outra tão coligada  
lembrança que inda dá nó .


Suzette Rizzo


16 de janeiro de 2018

Ocultação – Suzette Rizzo



Sinto:
Os seres que fui nas entranhas,
o hoje que abocanha,
a morte que agora se assanha,
e o restante é papo chato, furado,
do viver da criança.
Estou mosca de aranha,
teia danificada,
criatura enganada
e o olhar desconfiança
a desviar das lanças...
No fundo, sou apenas poeta do meu rio,
cobertor do meu frio,
traída como Oiá,
guerreira como Iansã.

Suzette Rizzo




14 de janeiro de 2018

Apego – Suzette Rizzo



Tenho apego aos meus poemas,
são meus os pensamentos
e sinto-me alguém quando escrevo.
Se pudesse esparramaria versos
por teus dias,
escreveria infinitamente sentimentos diversos,
desejos (os meus) aos teus, inversos
e até publicaria em tua alma
meus sonhos discretos.
Se eu pudesse degelar corações
com meu poema acalorado,
de alegria riscaria os céus
como um cometa desvairado!


Suzette Rizzo - January 12, 2018



13 de janeiro de 2018

Peregrinando - Suzette Rizzo



Penso seriamente,
vasculho conhecimentos
escrevo o que aprendo,
converso idiotices.
Busco meus semelhantes,
sentimentos profundos
pensamentos parecidos... 
Pergunto onde estão os seres
despreocupados com futilidades,
onde estão os mais preparados
as mentes mais receptoras
das grandes verdades.
Não tenho com quem falar.
Estou só neste planeta decrépito,
primitivo, cruel.
Morando neste buraco 
vestindo esta roupa de carne 
entre seres vazios, que andam de ré.

Suzette Rizzo
Respeitem os Direitos Autorais


Escolha – Suzette Rizzo



Há muito desisti de votar.
Pago multas, pequenas multas
que me permitem não escolher
nenhum desses farsantes.
Não aceito imposição, é também isso!
Afinal, democracia ou ainda não?
Saturei-me dessa politicagem imatura,
dessa imutabilidade mental
do valor do ser ao poder,
da mistificação,
do povo e seus ridículos louvores.
Não votarei mais!
Se não encontro convicção, voto não!

Suzette Rizzo - Tuesday, January 04, 2018

10 de janeiro de 2018

Empréstimo – Suzette Rizzo



  
Empresta-me tua festa   
para que eu sorria
a ilusão que resta.
Empresta-me tua alegria,
cansei dos espinhos,
do cinzento céu desta terra,
guerras arcaicas,
das chuvas e ventanias...
Empresta vai?
Carisma, ternura, magia!
Cansei de chorar!
- Suzette Rizzo - 


Uma noite a mais - Suzette Rizzo



Lá fora as mariposas,
na mesa um vinho barato
(onde andará o saca-rolhas)?
Pra variar a MPB do momento,
algumas canções nostálgicas
e os versos, meu unguento, 
sustento da alma sem companhia.

Lá fora, nem mais gente
ou qualquer movimento,
hoje, nem lua de outono
ou brilho de estrelas...
Aqui a escuridão da sala,
a solidão escorrida do telhado
às paredes do quarto.

Minha boca está cerrada,
corpo, peito e tato  
penetrados pelo frio.
Que droga a rotina, agora,
sem porquês, sem talvez...
Droga de vida emborrachada 
como sobra de pão francês!
Suzette Rizzo 



8 de janeiro de 2018

Trave – Suzette Rizzo



Sou maior que a minha dor,
e venço-a.
Maior que o meu desejo,
então consigo.
Maior que o amor,
então amo mais.
Se minha mente  atrai problemas,
derrubo-os.
Os seres não mais me afetam,
impeço.
Sigo, eliminando absurdos...
Coisas do mundo,
breco!

Suzette Rizzo - Monday, January 08, 2018







Truculências – Suzette Rizzo




Meus pensamentos possuem garras,
recordações assassinas,
visão borrada, esquálida.

É assim como adentrar porões,
fixar os olhos nas paredes pálidas,
e chorar fases crisálidas.

Mas meus pensamentos possuem garras
e lá estou renascendo asas quebradas,
recordações reprimidas,
tiranias sofridas.

Meus pensamentos possuem aço amolado,
estragos, retalhos...  
viu só?
Além de unhas afiadas.

Suzette Rizzo - January 3, 2018 




Voragem – Suzette Rizzo


Poderia me engolir
qualquer redemoinho
junto a sina mau escrita.

Saudade do pouco aconchego,
dos defeitos, do cheiro,
dele inteiro...

Mas, na verdade, o que falta
é aquela companhia,
papo bom, mente aberta, poesia...

Agora, silencio, sala deserta,
portas fechadas,
vida sem janelas.

Saudade
da sensação de ninho,
eu, seu pardalzinho!

No presente, jejum de tudo,
som de coisas quebradas,
lacuna gelada,

dissolução de alma,
corpo caindo,  
sensação redemoinho!

Suzette Rizzo -  January 08, 2018










6 de janeiro de 2018

quando o poeta dorme - nanamerij






quando o poeta dorme...
os sonhos vagam
sem rédeas
sem regras
sem rumos

quando o poeta dorme...
os sonhos voam libertos

revirando almas áridas
desfazendo vontades tortas
acordando tantas  noites mortas

o homem triste - canta
o amante perdido- volta
a mulher amada - retorna
a moça feia -   se enfeita
o menino pobre - enriquece

a vida se faz inteira....qualquer desejo acontece

quando o poeta dorme...empresta sonhos
- nanamerij  -



FOI UMA FELICIDADE IMENSA PARTICIPAR


Cérebro submisso – Suzette Rizzo



Revoaram, revoaram... e por fim se foram
todas aquelas visões perseguidoras.
Hoje, posso até recordá-las em conversas,
mas, não mais afetam meus sentimentos
recordações perversas.
Será verdade? Ou quero que seja assim.
Penso também,
estar pensando no atual em demasia,
cristalizando novas ironias
e bom seria se também revoassem  
estas coisas adversas.
No entanto, seria preciso desativar
essa parte da mente
que me permite sofrimentos,
deixa-la correr junto aos ventos,
deslembrar seria alento!
Difícil lidar com isso!
Difícil desmemorizar lampejos
se acompanhados do cortejo
dos mesmos desejos inimigos 
deste cérebro a eles submisso. 

Suzette Rizzo - January 6, 2018