7 de maio de 2017

A mesma (II)


A mesma 
Suzette Rizzo
Sou a mesma sentimentalista,
a mesma devaneadora,
mas não posso ser a mesma neste
tempo semimorto,
nem devo mais aconchegar-te
em meu velho sonho.
Sou a mesma, embora o espelho
não mais me reconheça.


Ah! Segreda-me a alma:
“Não serás jamais a mesma 
embora queiras”! 



Breve relato


Breve relato
Suzette Rizzo


Pensar que me vesti de mil futilidades
para agradar os mil seres em ti existentes.
Pensar que rápido deslizei entre escuros,
imergi, saturei-me, surtei,
independente do disfarce aparente.




Sublime momento sonso!


Atravessar a fronteira de modo inconsequente,
leviano,
apoiada num sonho tolo,
imaginando em ti o amigo, o ombro!









Agradeço





6 de maio de 2017

Extenuação

Extenuação
Suzette Rizzo

Falta de sorte, tantos golpes!
Serão reações aos meus atos,
e esse o meu passaporte
na companhia de Tongo?
Um pouquinho de luz no caminho
um tantão de escuridão
e mais sofrimento longo?
Que biografia essa minha!
Filha da lua negra?
Justo daquela deusa?


Falta de sorte, existir cativa!
Ser parente da morte
desde sempre enterrada viva.
May 6, 2017



A poesia do pensamento



 A POESIA DO PENSAMENTO
                            Suzette Rizzo


O pensamento cria a palavra
e a alma faz poesia...
Por isso afundo-me na essência
e trago de lá minha cria.







E vejo nos pássaros o poema,
sou um deles sobrevoando a terra
por entre as árvores,
beijando as flores,
com olhinhos  assustados,
notando o tamanho dos seres
depredadores.


E sinto-me um cão, um gato,
temendo o ser planetário.
O que farão, quem são eles?
Porque tão pesados,
de pés assustadores,
num repente em meu pulmão
e eu pelos ares.

E sou agora um animal de grande porte
e penso ser tão forte
que nem me preparo ao bote
para defender-me...
Mas esses seres armados, impiedosos,
estão sedentos da minha morte.

E sou também , 
indefesa flor miúda,
paralisada,
gritando sem que alguém ouça:
-Acabo de nascer , não me matem!
Mas, estou  à mercê do homem
que não sabe,
venho da terra viva
como tudo que nasce.

E assim vou indo;
sentindo a dor do mendigo,
do velho deixado no asilo
da criança abandonada
com seus sonhos desiludidos,
impossibilitada de respostas,
entregue ao mundo, esse padrasto,
fazedor da  marginália.

Não há o que eu não sinta
sem ao menos ser atriz.
Incorporo o sofrido e o feliz,
arrancando de mim
a força motriz
para expor o meu amor.

Tenho um mundo cá dentro,
esse incompreendido,
inaceitável...
copia do grande carbono do infinito
desse universo bom e mau
ternura ou canibal.

Para entender, cresci e preparo-me;
Serei mais em meus futuros,
agora que o primário é passado
e concluo mais um degrau
do meu ciclo em ascensão
deste meu ser plural.

Ser poeta significa saber sentir,
consentir a alma que venha à tona
liberada completamente.
Ser poeta é saber colocar pra fora
o lado frutificado,
aprisionado por eles,
os duros e incultos
das coisas do coração.

Sou poeta sim!
Porque meus pensamentos
cantam
o panorama da vida,
acompanhada da melodia
da alma escondida.

Suzette Rizzo
















Melancolia (II)

Melancolia (II)
Suzette Rizzo


O hálito gelado da melancolia
morava naquela casa e não saia.
O choro fazia eco, aderido
ás paredes frias.
Foi mesmo assim... quando o sol escapou
da vida que pensei minha.
Não houve mais desígnio nem fissura,
amanhãs, aventuras...


Somente melancolia esparramada pelo piso,
na alma,  
nas plantas,
nos espelhos,
nos olhinhos dos meus bichos. 


August 23, 2012



Síntese

Síntese
Suzette Rizzo

A minha não era a rua dos Trevos,
mas as arvores eram verdes
e as questões gigantes;
uma sede hidrófoba de desvendar
temas intrigantes.
Mas somente ao chegar aos 40,
abriram-se os cortinados
e comecei por entender a energia Criadora.
Aos 40 anos li filosofia,
aos 40 anos vivi um capitulo emocionante
de paixão , amor, ternura, carências muitas.
Aos 40 anos me separei de vez,
aos 40 anos sofri privações terríveis,
aos 40 anos me tornei espírita,
não mais menstruei.
Aos 40 anos me senti um trapo,
cada vez mais farrapo,
aos 40 anos morri de fato.
Parei de viver a matéria,
escondi-me no fundo do poço
em total inercia.
Parei de falar, existir
e me via um estranho no ninho
se me olhavam de esguelha
como se eu fosse um ET daninho.
Um ano significou dez, mais um ano mais dez
e depois de 12 anos completei 120.
Quase me tornei pedinte,  
mas sobrevivi e aprendi a ser ouvinte,
resignada, gente, apesar do destino ferrenho...
Pois é!
Que garra tive, que garra tenho!
May 3, 2017




5 de maio de 2017

Errante

Errante
Suzette Rizzo

Busquei a porta dourada
e percebi não ter nascido 
para transporta-la.
Tenho lá algumas intuições,
vez em quando inspiração aos versos,
boa vontade, esperanças...


Porém realizações refreadas
pelo universo.

Busquei resposta aos carmas
e fiz o que pude para encontra-la
em meus aposentos interiores
atolado em magoas .
Não poderia ter cruzado
o limiar do ocultismo,
por maior fosse a  vontade
de  chegar ao lugar buscado.
Então, prossigo meu caminho,
atravessando portas estreitas,
pontes bichadas,
sentindo desde o inicio
esta alma trancada!


















4 de maio de 2017

Sinopse


Sinopse
Suzette Rizzo

Resumindo:
Enterradas as lembranças
no subterrâneo da alma.
E não deixarei que as unhas cavem,
nem mesmo
a superfície do passado.
Não há mais tempo de restaurar o destino,
muito menos atira-lo aos corvos
visitantes dos telhados.




Deslumbre



Deslumbre
Suzette

Quisera gritar como adolescente da casa vizinha,
correr do Bicho papão
como na infância minha,
retornar alguns anos quando a vida era esperança
e o sonho, ilusão audaz.
Quisera o tempo parasse de voar
que a luz me estacionasse
no tempo que não se caminha
nem pra frente nem pra trás.
Quisera gritar, cantar, dançar,
chorar pela avenida, aquela,
numa tarde de chuva grossa,
sentir o que era espontâneo
e eu chamava de amor.





Indagação



Indagação
Suzette Rizzo

Por ele, fiz o que pude e não
nos tempos de privação.
Por ele, vaguei madrugadas,
por ruas perigosas,
querendo salva-lo das contravenções.
Fiz de tudo...
E ele por quê não se cuidou?
Não correu dos riscos, da má vida,
não se aquietou em seu canto,
não aceitou a provação merecida?
Foi uma grande punição 
e pergunto aos seres dos céus
desde o triste acontecido,
por quê ele se deixou morrer,
por quê matou meu sonho paradisíaco!