26 de dezembro de 2015

Nostálgica alma - Suzette Rizzo














Do tempo em que vim,
havia pureza de olhar,
sentimentos leais...
Havia paixão, volúpia também,
mas respeito era primordial. 

Não sei quantos séculos faz,
não sei se esperei tanto 
no astral,
mas certamente vivi,
no tempo do amor real. 

Sinto que fui camponesa
em países civilizados...
Amei o verde e ovelhas
e morei numa casinha
com alpendre de florinhas. 

Tive um amor... só um,
amor que preenchia meu céu
de estrelas
e o cabelo dele, refletia a luz da lua,
dourava aos raios de sol
e, essa imensa alegria
foi sempre o meu melhor. 

Por isso, este século devora-me
corpo e alma...
tempo de vida sem amor,
de falsidades  indecentes
tempo de um pais cuja bandeira,
o homem desrespeitou. 

Por isso, 
procuro um retorno qualquer,
busco nos sonhos
o verde do campo, os bichos,
o camponês que naquela vida,
me fez gostar de ser mulher.

Suzette Rizzo 






25 de dezembro de 2015

Último amor


Último  amor
Suzette Rizzo

Passou por mim como brisa
e refrescou a aura febril,
depositando em minha boca
o sorriso esquecido.
Iluminou, assim como o luar
prateia a rua
e como os raios de sol
que se alastram
ao se despedirem da lua...


Então, aqueceu esperanças,
abrindo um novo caminho
para eu prosseguir.
Transformou-se em grande árvore
sombreando meu cansaço,
ninando o insone passado
esquecido de dormir. 
Foi o filho pra eu ter cuidados,
afagar, fazer mimos...
e sentir-me simplesmente útil.
E foi pai
para proteger-me do mundo
aconselhar-me com sabedoria
afastar-me das rapinas...
Tornou-se sonho para seguir-me
de modo sutil,
ser par da alma minha.
E foi anjo lindo, doido,
príncipe e amigo,
Apolo e arcanjo,
meu último amor.


Suzette Rizzo _ 30 12 2000




23 de dezembro de 2015

Por que será?



Por que será?
Suzette Rizzo 

O tempo avança
e já não abre portas
com trancas

O fortalecido enfraquece
e a esperança 
já não cabe nas entranhas



Resta o frio das montanhas,
o som do vento arrastando
as folhas machucadas.

Já não sei o que penso,
nem se o tempo me acompanha...
um cisco fecha a visão da estrada.

O tempo cresce e me atrapalha

                               Suzette Rizzo



Ponto




Ponto
Suzette Rizzo

Esta alma esfolada
já purgou anseios todos 
e de ti ficou apenas
ralo contorno.
Meu pensar te afasta,
minha alma se basta,
o poema se fez meu dono.



É ele a jorrar de mim palavras
nenhuma daquele horror. 
Nos dividimos enfim... 
Ficou o odor
dos momentos putrefatos
que senti através do celular.
Não, não quero rever estragos
nem entender teus sinais.






22 de dezembro de 2015

Uma noite assim



UMA NOITE ASSIM
Suzette Rizzo

Uma noite assim, como esta,
de grande lua cheia...
desperta sons antigos,
amores perdidos
e o sangue das veias.

Da vontade de buscar
estrelas de ontem...
O mesmo bolero e dançar
no mesmo lugar

Contudo, o tempo, esse agressor da vida,
reabre  feridas
se a alma suplica um sonho caído,
nos vãos do passado.




Então , fecho a janela,
apago tal lua...
e  que a noite seja nua de miragens

Se as nuvens pelo menos
encobrissem o coro das reprises,
e apagassem noites mais felizes...

Sentiria somente a saudade,
roendo de leve as cicatrizes
do coração...

Teria então, 
a possibilidade de pernoitar conformadamente,
com  minha solidão.


Suzette Rizzo




Meus Mestres


MEUS MESTRES
Suzette Rizzo 

Aqueles que me magoaram foram os mestres da minha resistência...
Aqueles que me maltrataram foram os mestres da minha compreensão...
Aqueles que me impedem de viver são os mestres da minha consciência...



Aqueles que fizeram da minha vida um tempo de dor são os mestres da minha coragem...
E todo aquele que me traiu, derrubou, causou desanimo de viver, foi mestre do meu aprendizado...
E todo aquele que calou-me ou impediu-me de falar foi mestre da minha resignação.  

Todo aquele que segue um mesmo caminho é mestre do outro...
Ninguém é capaz de atropelar um destino traçado por leis desconhecidas
e, aquele que atropela, é sempre mestre de algo.
Tive muitos mestres ao longo da vida, aprendi com eles a rejeitar o mal
e a escolher o caminho que mais se identificou comigo.
E todos os mestres que tive pegaram-me pela mão, sem que eles próprios
soubessem...
abriram-me os portais do autoconhecimento e da afirmação da minha criatura.  

Aquele que quis atirar-me à fogueira e, de inveja cortou meu destino, fez-me um bem...
foi o mestre dos meus conhecimentos atuais
e esses conhecimentos são responsáveis por meu crescimento.
Cresci, embora não aprenda a perdoar a criatura má, aquela que faz algum mal aos seres  indefesos.
Estou falando dos animais: Meus mestres da matéria amor.
Aqueles que sabem perdoar, amar, retribuir e defender suas famílias.
Não sou eu a ser mestre dos pequeninos seres, mas sim eles, com seu abundante amor.
Compreendi que um simples inseto pode ser mestre do respeito à vida

 Suzette Rizzo _ December 27, 2004





27, 2004 

Meu Natal



Meu Natal
Suzette Rizzo

É Natal !
Natal no planeta inteiro.
O festejo da divina luz...
Gostinho de céu
emoção maior.

Mas, eu,
comemoro os anos
da minha solidão
na casa morta...



Vestida
de noite silenciosa
e ausências...
todas !

Suzette Rizzo









20 de dezembro de 2015

Tolices




Tolices
Suzette Rizzo


Sinto-me estranha diante do meu reflexo
se atentamente analiso
o ser que olha-me.
Sinto-me estranha dentro do sonho,
incapaz de enxergar de fato
a minha pessoa.
Sou uma estranha quando anoitece,
quando a janela se fecha
e percebo-me  parte das sombras
de todas as coisas.
Penso, penso, penso e me pergunto:
Por que sou tão tola?
Por que não sou tola?









11 de dezembro de 2015

Preferências


Preferências
Suzette Rizzo

Prefiro pensar nas dificuldades,
outras infelicidades,
morrer de insônia,
enxergar sombras,
caminhar sobre pregos
e prefiro até mesmo os berros
desta solidão,
a sentir as dores daquela saudade.



Melhor pensar na morte,
nas minhas dívidas,
nos milhões de medos
e melhor tudo mesmo
que manter apegos.

No entanto, infelizmente, repasso
cada segundo daquela experiência amarga,
distante e fria como a lua,
embora não mais veja um bom motivo pra vestir
a saudade quase nua.

Quero apenas adormecer de vez
as lembranças que sobraram
ou atirá-las pela janela
bem no meio da rua,
só para ver quem atropela
este total desprazer,
que é temer qualquer resquício
de uma infame saudade tua.


August 26, 2011






Abstenção


Abstenção
Suzette Rizzo

Congestionei a alma
deste desequilíbrio de fases passadas ...
Quisera hipnotizar-me,
esquecer-me  de vez 
viajar além de mim.
Enjoei de pensamentos fúnebres,
amargurados,
pesados,
sem fim...



Quisera o alivio das feridas
estar imune ás dores da vida,
ou no mínimo amortecida
feito porre de gim.




Bruno de Paula









7 de dezembro de 2015

Tom Cau

A CARNE E O AMOR

Comer, manipular ou comercializar carne certamente não é um ato de Amor e portanto não é algo praticado por quem de fato seja espiritualizado.

Nunca encontraremos nenhum homem ou mulher iluminados ou santificados que ainda matem animais ou comam carne.
Tom Cau






6 de dezembro de 2015

Lenine de Carvalho * Encontros


Encontros...
Lenine de Carvalho



Estranha alcatéia, tímida, esquiva,
Quase sempre incompreendida
Espalhada pelo mundo...
Mas, quando se encontram,
Esses solitários Lobos-Poetas
Se reconhecem....

Encuentros....

Rara manada, tímida, esquiva,
Casi siempre incompreendida
Diseminada por el mundo....
Pero, cuando se encuentran,
Esos solitários Lobos-Poetas
Se reconocen.....

DUETO* Suzette Rizzo e Cleide Canton



Recepção
Suzette Rizzo

O que recepciona a chegada
da madrugada,
são os sonhos borboleteando
através das lembranças.
É a lua quando nova
fazendo covinhas
no espelho,
os cristais pipocando o quarto
das visitas rotineiras.

Ouço um sussurro que é meu e não é,
sentindo a lágrima involuntária
que a mão coça,
expulsando um mosquito que não há.
Encontro finalmente o oásis
nos olhos cerrados,
na mente adormecida,
que me eleva imprudentemente
ao lugar exato,
de um certo poente.
                                     April 30, 2008

Chegada
Cleide Canton

São as notas
que vibram em desacordes,
os semitons
que se perdem em surdina,
os agudos
que ferem a carne,
os graves
que assustam os sonhos,
a partitura
que faz dançar os compassos
aos olhos cegos,
os responsáveis
pela desarmonia.
Apenas as flores
ainda colocam a cor
sobre o velho piano
usado e descartado.
Algumas pétalas
mostram  sinais de cansaço
e se preparam para tombar.
A voz ainda tenta,
enfraquecida e rouca,
ensaiar um lá menor.
O que se ouve
é apenas
o eco da saudade:
"Hoje, eu quero a rosa
mais linda que houver"...

SP,01/05/2008
00:40 horas