1 de dezembro de 2015

Pedacinhos de realidade



Pedacinhos de  realidade
Suzette Rizzo

Experimentava a disritmia,
apaixonada como nunca...
E platonicamente envolvida
ganhava,
o melhor presente da vida.

Nem mais lembraria
dos golpes do destino,


da decadência repentina,
dos pesadelos no mosteiro,
outros sonhos asfixiantes.

Assim pensou!

Seria colorido e prazeroso
esquecer dias anulantes,
mesmo que  ilusão.
E o bom de tudo, sentir
o máximo do sentir.
Era ele a metade, não da maça,
mas do que faltava no coração.

Errou!


Suzette Rizzo_April 04, 2010




Semântica


Semântica
Suzette Rizzo

Compreenda meus sinais,
os devaneios e a fúria não revelada 
do que me coube arquivar
sem que eu quisesse.



Compreenda esta ausência
de reles ideais e esses desânimos
que abarcam meus dias
e a alma ainda tece.
Não invente palavras
apenas cresça comigo,
tente!


July 8, 2012





29 de novembro de 2015

Exílio




Exílio
Suzette Rizzo

Acendem-se neste isolamento
milhões de pensamentos,
que gosto e não de ter.
Além destas paredes
e por atrás da minha porta,
existe um mundo distante,
mais perto desse Deus que fingem crer
e não se importam em conhecer.
Passo pelas igrejas da moda,
ouço gritos, cantoria...
vejo gente assídua, muita alegoria...
e depois disso ouço o mal
saindo nas palavras
das almas desalmadas.
Neste isolamento penso, reflito,
busco lúcidas respostas no infinito


Sunday, November 29, 2015






Tempo



Tempo
Suzette Rizzo

Besteira, correr atrás do tempo
como se pudesse ser pego...
Idiotice correr atrás dele
com ou sem medo...
Tempo possui
motor possante,
perde-se na estrada
e a gente o perde de vista.


O tempo é constrangedor...
faz esquecer o que não se quer esquecer,
lembrar o que não se quer lembrar.
Concluo que o tempo é dor
sem anestésico,
pior que isso...  o tempo é antiético

Suzette Rizzo_

Sunday, November 29, 2015





Enigmas * Fernanda Guimarães



Enigmas
Fernanda Guimarães
 

Há caminhos cifrados,
Onde os pés se deixam vendar.
Talvez se entreguem as perguntas,
Adiando o próximo passo, o júbilo
Ou protegendo-se das lágrimas.
Há uma premeditada contenção
Vestida pelas rendas da cautela.
Respiram gestos de incertezas
No retorcido e fadigado silêncio.
Quanto tempo, há de se esperar 
Pelo que tanto se deseja? 
Quanto ainda demorará 
Para que os lábios unam letras 
E vençam o medo da palavra? 
Quantas luas adormecerão,
Até que os olhos despertem
Sem recear as cores que desconhecem?


Sou mesmo esse abismo de mim
Sempre repleta do que não sei transbordar



!

Direito ao Delírio * Eduardo Galeano


Direito ao Delírio é um texto do poeta uruguaio Eduardo Galeano que revela ser possível um mundo diferente, 
mais fraterno e mais humano. 
Temos o direito de delirar sempre. 






27 de novembro de 2015

Emocional



Emocional
Suzette Rizzo

Esquentou, esfriou...
Eterna paixão choque-térmico,
e nada que valha a pena
relembrar,
nada que valha poetar.
É como um não que nos desilude,
estação de verão que não começa,
como amor quando frustra,
derrota apesar da luta,
e nada resulta, afinal.




Esquenta, esfria...
E por fim suicida-se
no meio do lamaçal,
no eterno esterco emocional.


Suzette Rizzo 






Tardes



Tardes
Suzette Rizzo

Tardes fantasiosas,
hipócritas,
mentirosas...
Tardes demasiadamente estúpidas
enjoativas,
esconderijo de quem anda imergida
em carências e sabe disso.



Pobreza de tardes virtuais,
experimento idiota
de quem se afunda em momentos
para extrair ungüentos






Fracionamento


Suzette Rizzo

Quero tanto zerar meus erros,
habitar o Éden,
aceitar de bom grado os desígnios
ser conhecedora das Leis Divinas...
É o único meio
de estar depois entre lírios.

Diante do espelho,
analiso a alma navegante
que há por trás de quem sou.
Visto uma vivencia desastre
gosto apenas da poetisa
que nesta vida me habitou...

Pouco falo por mim,
mas enxergo, descrevo, escrevo
através dela,
desta alma entregue a dor.  
E se doada foi
a capacidade de ser como sou,
agradeço o dom ao meu Autor.

Herdei a astúcia da raposa
e algo de credulidade incrível,
apesar dos anos.
Mas é a raposa interna
a me prevenir
quanto a futuros danos.

Há um espírito sensível
encobrindo a mulher,
criei-me  assim, pouco de instintos;
A matéria jamais suplantou
o zelo ao amor em qualquer tempo.
E esta poetisa agradece a Deus
ter sentimentos. 








Gente como eu e não

Gente como eu e não
Suzette Rizzo

Tem gente que se casa com silencio,
solidão, vazios...
Tem gente que tenta suicídio
por fraqueza,
resultado de decepções, delitos...
Tem gente que nunca amou na vida,
outras gentes… amam em demasia.



Tem gente rodeada de inimigos
e gente sem amigos.
Tem gente que escreve a vida,
tem gente que até desconhece o significado
de um gesto de carinho.

Mas ai que vontade de fazer um bolo,
arrumar a mesa,
com alguém tomar um café quentinho,
papear dia inteirinho...
Então choro, desisto do bolo, da toalha na mesa
e até de me sentar para um café.
Tomo da térmica, café barato,
e sem qualquer companhia.

Comigo somente a nostalgia!
Mas, tem gente como eu,
que jamais se acostuma
á casa vazia.

Tuesday, April 03, 2012






Impulsos





Impulsos
Suzette Rizzo

Paixão aguda,
fermentada,
violadora dos meus pudores.

Parece uma erupção,
semente rasgando a terra
chip viajante de interiores...



Pena mesmo... tenhas tantos
amores
e espírito tão profano

Pareço ter por dentro um exercito
de negras energias
metralhando  esperanças.

E  assim, esmolando algo de ti
a esta paixão excessiva, adormeço,
para acordar impulsivamente amando

e disposta a pagar seu preço.


September 11, 2007 







Nada sei de mim



Nada sei de mim
Suzette Rizzo 

Que sei eu do além horizonte,
das curvas do planeta,
das imagens que vejo
deste universo espetacular.
Que sei eu além do que ouço,
além do que sinto,
além... muito além do céu
se além mar nem sei o que há.


Que sei eu de mim
por mais que tente descobrir
quem já fui.
Que sei eu de como foi pertencer
aos três reinos
alem deste atual
Que sei eu afinal, se me esqueci!







Estava em meu canto



Estava em meu canto
Suzette Rizzo

Estava em meu canto
chorando meus mortos, 
recordando  paixões,
a alma tristonha,
os olhos vazios.
Um sonho me acorda,
outro sonho e mais outro
e esses sonhos se cruzam
na minha cabeça.



Não sei mais onde estava,
na verdade flutuava
bem longe daqui.
Quis viver, me perdi.
Também morro.
Morri.





26 de novembro de 2015

Lembranças coladas


Lembranças coladas
Suzette Rizzo

Não mais abraço o travesseiro,
caí na real...
não é corpo nem tem rosto
e deixou de ser um meio.
ou apoio vital
Nosso elo se abriu
e o laço se desfez...
Agora somos dois pedaços
distantes, desintegrados
e o travesseiro embolado
apenas acolhe vazios
por todos os lados.
Quem diria!
Nem abraço, nem esteio
e a mim nada restou...
Mas, quem foi, levou meu cheiro,
e isso eu sei que ele levou.

Suzette Rizzo_

September 16, 2007





Pensamentos de uma noite a mais





Pensamentos de uma noite a mais
ou (Ternura antiga)
Suzette Rizzo

Não quero mais sair por ai
brincando de namorar o proibido,
nem continuar fazendo de conta
que gosto dos maus momentos
e do jeito dele rir...
Porque essa é uma mentira deslavada
que igualmente me arrasa
pois não gosto de mentir. 

Suzette Rizzo