23 de novembro de 2015

E a terra...


E a Terra...
Suzette Rizzo

E a Terra...
olhou tristemente os corpos distendidos 
pelo chão,
horrorizou-se diante a tanta depredação sem sentido


Desolada, perdeu seus olhos nas queimadas,
nas vidinhas assustadas das flores e animais...
Percorreu seus olhos nos rios poluídos,
chorou como nunca!
A Terra chorou o planeta sem destino.




Reuniu irmãos da natureza,
e juntos,
rezaram ao Pai-Mãe da Criação,
a falta total de amor.

Pediu perdão ao Semeador
intercedeu pelos filhos do bem,
renascidos dos seus céus,
sob  a Luz do Grande Amor.

Mergulhou em sonhos de esperanças
sem olhar para trás;
Levando consigo o peso
da imensa dor.









22 de novembro de 2015

Sonhando II


Sonhando II
Suzette Rizzo

Ando cerzindo rasgos de sonhos
a beira de um rio margeado
de flores campestres. 

Sob as arvores, vejo bordados fundo céu
e, a leveza das nuvens enfumaçadas
desenham
lembranças cobertas de véus. 

Ando sonhando melhorias,
querendo a beleza das novidades,
a paz que não tenho, brotada,
entre paisagens sonhadas. 




Ando ávida de amor, conversa leve...
Um acontecimento bom que permaneça
a céu aberto. 

E que eu possa trocar a noite só
por companhia...
e a nostalgia pelo raiar do sol.

Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados






...e a vida


...e a vida
da minha carne,
parou nos dias
da paixão última.
Fui rasgada
como um vestido
surrado,
olhada como um
farrapo,
desprezada
como restos de comida.




Meu batimento cardíaco
enfraqueceu,
as cores se perderam
na praça
da minha motivação...
E de lá pra cá ,
não houve ressurreição.

O que vi
no interior do pensamento,
foi a total distorção
do tal amor,
hoje atrofiado,  
tornando a vida
do meu sonho
apenas um rio seco,
sob um céu danificado.


Suzette Rizzo _ January 31, 2006





Barrreira cerrada


Barreira cerrada
Suzette Rizzo

Não posso atirar setas
nem descarregar meus impulsos
em quem me olha
como um doce sem sabor.

Não é certo desbrecar a doidice
das minhas emoções
na mente sadia de quem não tem
carências acumuladas,
muito menos sente como eu sede de amor.


Não é certo!

Por isso guardo as setas,
atiro meu arco no meio do oceano
prendo no peito os desejos
e jamais tentaria dessedentar
quem bebeu águas que não bebi

Por isso existo outra pessoa
aos olhos do tal amor que alimenta,
encoraja,
mas coloca barreira cerrada
nessa fronteira,

por onde não atravessa a coragem 
de extravasar estes anseios
de mulher apaixonada


Suzette Rizzo _ December 10, 2005



Chamariz


Chamariz
Suzette Rizzo

Há uma estrada de dores
regada a brilhos da natureza...
Uma estrada de ilusões
enfeitada de verdes e flores
sombreada porém de amargores...

Pelo caminho, tantos acordes,
amores,
espécies diversas a nos seguir...
outras logo a partir.




Há uma estrada enfeitada
de cinza e de sol,
no centro da terra um coração de fogo,
por dentro da alma o Maior
.
Mas... na vida há o golpe do engodo,
nos fazendo menor
nos dando tão pouco. 


21 de novembro de 2015

Disseminação




Disseminação
Suzette Rizzo

Pálidos pensamentos
transbordando pieguices,
contorções,
ocas palavras.
Não mais aprecio versos vagos,
demarcados...
não mais leio os teus...  borrados
de vinhos decantados,
repetidos,  fraudulentos,
finalmente exonerados.
Não mais aprecio a tua liberdade
de falsas visões pueris,
preenchidas de parêntesis e púbis
e seus tantos perfis.
Desces-te em meu conceito,
queimas-te tua pose de poeta
para sempre, por aqui.

12 de novembro de 2015

A poeta Almma sentiu e escreveu por mim






se... 

não sei
se desdigo
o que eu disse

não sei
se quero
o que eu quis

não sei
se minha poesia
é ferida ou cicatriz...

Almma

31 de outubro de 2015

Chô pensamento!


Chô pensamento!
Suzette Rizzo

Chô pensamento!
Leva o olhar frustrado,
a criança que fui faz tempo,
o passado que arde,
a decepção de granito,
caindo do céu da tarde.
Leva pra longe esse ontem
atormentador,


aquele tempo de amor,
leva embora o arco íris
da manhã feliz,
o nome escrito no muro da esquina
com pedaço de giz...
Arrasta pra longe, de vez,
estas noites solitárias,
madrugadas impregnadas
de lembranças vitais,
palavras insensatas...
Chô pensamento!
Leva no vento tudo isso,
para eu poder encontrar Narciso,
cair no lago  iluminado
e apagar tempos malditos.









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Estava em meu canto
chorando meus mortos, 
recordando ilusões,
a alma tristonha,
os olhos vazios, 
nenhuma emoção.
Um sonho me acorda,
outro sonho e mais outro
e esses sonhos se cruzam
na minha cabeça.


Não sei mais onde estava, 
na verdade flutuava
longe daqui.
Quis viver, me perdi.
Também morro.
Morri.


Suzette Rizzo
August 27, 2013

28 de outubro de 2015

Envergadura



Envergadura
Suzette Rizzo

Quantas cores escuras
tem agora meus sentimentos
e quantos passos em terra árida
dei, dou...
nesta rotina de viver envergada
como um galho,
que o temporal quase quebrou.

O mundo aprontou-me ciladas
e a vida deslocada,
atirou da janela do último andar
esta alma inutilizada...
E não havia mais ninguém,
lá em baixo, na calçada. 

Desorientada, sufoquei-me,
nas cores sombrias...
Desiludida, não reparei
na estrada bifurcada
e nos vultos que perseguiam
meu vulto fantasma...

Falhei sempre...
E continuo sem mesclas de alegria
escrevendo ainda páginas e falhas,
sonhos que me desprezaram
e desprezam-me,
borrando dias e noites
de piche e lágrimas.  




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Escrevo como se purgasse,
liberando-me da dor.
É bom sentir por dentro
somente a leveza do amor.
Deste modo suavizo a tensão,
escrevo ânsias de paz,
viajo para além daqui
para longe dos seres do mal.
Depois nos misturamos,
(eu e ele)
entre os ipês amarelos,
sob  os tons azuis do céu


anestesiada por completo,
dos meus flagelos...
É assim que amo,
é assim nosso elo!


Suzette Rizzo








25 de outubro de 2015

Culpa



Culpa
Suzette Rizzo

Aí que dor eu sinto
entre estomago e coração!
Será mesmo que é por descuido,
abuso, mau uso,
dor de plexo solar
ou carências rastreadas
de além daqui,
buscando conchas de bem estar!



Ai que dor no pulmão,
pulmão sem mais tanto ar!
Que entrega aos ouvidos a sintonia
de quem arrasta esse caminhar.
Ai Luz Divina, clareia!
Minha alma se entrega e segue
entre seres irreais.
Suzette Rizzo


Ancoragem



Ancoragem
Suzette Rizzo

Eu quis viver como se dançasse
pelo grande espaço,
livremente, em total liberdade.
Quis sentir a leveza do corpo,
como se flutuasse a vida no Todo.
Eu quis a paz desconhecida,
como a vejo nas paisagens,
descobri-la em mim, ainda aqui
nesta viagem...
Quis luz nos pensamentos,
jamais a densidade e consistência
que possui o lado oposto.
Eu quis o certo,
não somente ser criticada
por ser como sou...
quis extravasar sem medo a pureza
das minhas atitudes,
a maciez de sonhos claros,
precisão nos meus intentos
e quis vislumbrar do amor o esboço
e brilhos do seu contorno... 
Desejei virtudes
e poemas que representassem
o balé de um sonho em vida.
Mas... as sombras conspiraram
e pessoas me amarraram
ao pé da mesa...  
assim sendo, percebi-me vencida.
E não pude fugir
nem se refletiu em mim
o brilho das estrelas

Pintura* Manuel Castelin

August 02, 2013




24 de outubro de 2015

Coma


Coma
Suzette Rizzo

Não quero ser musa,
não quero ser hora
não quero ser algo,
não quero ser fada...
Não mais ser a rolha da garrafa,
viver na redoma,
nem entrar em geladas...
Quero mesmo é derreter carências,
voltar a ser oca,
liberada dos leões
e quero sim excluir a inocência,
curar as lesões...



E sem mais penitências
ou qualquer ex sintoma,
quero, juro,
entrar logo em coma.