18 de outubro de 2015

Avistando matizes

Avistando matizes
Suzette Rizzo

O que vejo são reflexos dourados,
mares azulados,
o colorido das flores campestres
enfeitando os olhos inventados
pelo Maior.
O que vejo são esperanças enfileiradas,
dias ensolarados,
amanhãs fortalecidos
um tempo enfim, melhor.
O que vejo merece uma escada,
um púlpito,
uma chuva de glorias a Deus
lavando esse  tanto de pó,
que me permita ver agora
com os  olhos da alma
e só.






Arquivo



Arquivo
Suzette Rizzo

O passado tem cadeira cativa
nestas noites melancólicas,
gritos de protesto,
som de choro escoado no ralo,
ardência de sal grosso...

E o pensamento não ousa intervalos.

O passado é um querer renunciar sem poder 
e é tudo que sinto, lembro...


É rolagem rápida pelo presente,
uma ou outra coisa infame, pendente...
Mas, eu,sempre, do passado dependente.





Apoplexia

Apoplexia
Suzette Rizzo

Guardei pedras,
nuvens densas,
invernos gelados,
cama fria...
Guardei no pensamento, 
negruras e fantasmas
e às vezes me odeio
por ter mantido na memória   
fisionomias caricatas.

Sofri sem anestesia !
Guardei tanta dor!

Preenchi esta alma
 por mais mil vidas futuras,
que por mim recusaria.
Odeio muitos desses rostos
que guardei,
reais  encostos’,causa das fobias,
e da maldita melancolia
que não seca,  
nem implode de vez.

Nem penso em reatar meu cordão,
para voltar um dia...
Não quero nem mesmo 
sangrar a essência  
através da psicografia.




A essência sabe

A essência sabe
Suzette Rizzo

Diria explicitamente a sensação
da alma afogada
no mar da ignorância que me cerca,
se pudesse

Escreveria além das amarguras
dos recalques e faltas,
medos do escuro
e eterna solidão.


Diria de mim o que posso:
A alma estranha e o sensível coração.

Explicaria cada versículo das escrituras
e para que o mundo compreendesse diria,
que em sopros bilenares, formou-se tudo,
natureza e criatura.

Nasci aqui por engano com certeza,
pois respeito a vida de todas as coisas
e com admiração observo
céus e estrelas.

Reconheço a pouca idade do planeta,
razão dos grandes males,
mas tenho espírito velho e não como carne.

Nasci aqui por acaso...
minha essência sabe!


Thursday, May 10, 2012




17 de outubro de 2015

Cofre



Cofre
Suzette Rizzo

Preservo segredos, tolas passagens,
enganos, transtornos...
Sou um cofre cheio de fatos peculiares,
recordações de gente disposta
a nulificar-me a alma,
borrar meus sentimentos,
eliminar meu ser,
desidratar meu seguimento.



Até aqui,
eu trouxe no peito, o coração acuado
e a certeza de ter resistido
sem qualquer tipo de ungüento.
O que sou de fato, no entanto,
anseia versos menos densos
e a dor interrompida...
Ai, bom seria pausar o ruim...
e só um tantinho de cor
antes do fim





14 de outubro de 2015

Efemeridade



Efemeridade
Suzette Rizzo

O coração anda tão solitário,
chorando a todo momento
uma tristeza antiga,
que vez em quando vem para os olhos
exibindo a mim mesma,
cada lembrança de abraço,
de beijo, carinho, entrelaço...
Mas eu não teria tempo
para perder mais tempo
com suas mentiras,
nem paciência de fingir entendimento
sobre o seu descontentamento
com coisas e pessoas.


Este coração ao contrário do seu,
irá prosseguir solitário,
porque as poucas tentativas me serviram
para saber e reconhecer
o que é e não é possível nesta vida.
Eu não quero inventar um contentamento
pois sei o quanto é passageiro...
Nem quero mergulhar no tempo
e dele extrair o que sei
morreu por inteiro.


September 24, 2010





Correntes


Correntes
Suzette Rizzo


Acorrentada sim,
a este destino de setas afiadas
e laminas amoladas,
podando amiúde a parte boa
e o frescor da esperança
por hora tombada






Impasse absurdo!
Sinto-me acorrentada
ao portão do paraíso,
vendo a vida existir a três passos
e eu... assediada pelo diabo

E assim, bloqueada pela vida,
que não permite soltura
apesar do livre arbítrio,
ora inibo a vontade de voar alturas
ora sinto impulsos 
de me espatifar no abismo






13 de outubro de 2015

Perspectivas




Perspectivas
Suzette Rizzo


Quisera não apenas
pensar e escrever romantismos,
mas colher frutos plantados,
molhar meus pés num rio
calmo,
sobretudo, ousar e ouvir o cosmo,
meu maior fascínio.





Quisera desviar carrancas que só eu vejo,
apagar da terra o demonismo,
espalhar estrelas pelo caminho
que ainda trilho.
Queria azuis somente!
Desmanchar da alma a sensação de cruz,
abraçar a luz.





Incubação


Incubação 
Suzette Rizzo 

Fértil de sentimentos
concebo imposta e acuada,
um a um esses filhos,
enchendo a barriga da alma
de desprazeres e tormentos.

Não são lindos os meus filhos,
nem possuem cor.
São descorados, insípidos,
desprovidos de forma
e fermentam muita dor ...
(Crescem com ares de insatisfação total
desde os tempos fetais).


Abasteço a alma, o peito,
a vida dessa cria que não busco,
de outros e mais outros sentimentos
que surgem por acaso,
sem coito, sem gozo...
involuntariamente.

Ah! Odeio esses filhos incubados,
embutidos,
mal-vindos,
impingidos subitamente.




Tudo é possível




Tudo é possível
Suzette Rizzo

É possível sobreviver aos trancos,
acostumar-se a falta de amigos
e, se bastar a escrita,
é possível sonhar sem mais ideais
ou caminhar sem meta.
Tudo é possível!
Desde que o sofrimento
não devaste da alma a fé
e a alma não se abasteça de vazios.
Tudo é possível com crença
e a solidão pode ser
sustentáculo do poema.


As manhas acontecem,
os pássaros cantam,
qualquer passado enobrece,
qualquer poema enaltece,
qualquer vento arrasta sentimentos,
qualquer água lava tormentos,
qualquer vida dilata e  rima,
qualquer coração trás poema.
É só querer dividir,
estar dentro de si,
escancarar o portal do dom,
deixar o secreto fluir.
Sou poeta assim.
Parindo meus sentimentos
com ou sem dor,
alimentando a mel  o prazer de ter
esses filhos de mim.
Suzette Rizzo


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12 de outubro de 2015

Anti-repressão


Anti-repressão
Suzette Rizzo

Não creio na falsa bondade,
na chamada amizade,
não creio nas escrituras,
naquilo que é pregado.
Não creio no computado
há séculos reprisado,
contudo, creio no holocausto conseqüência
de sangrento e oculto passado


Não reprimam minhas idéias variadas,
por eu não ter crenças alienadas
preferir meu lado filosofo, liberto
da mente nunca algemada.
Meu espírito alcança a vastidão,
segura outras mãos,
paira em sonhos no desconhecido.
Porém, nenhum fato anti-horário
descrito em livros seculares,
encontrei sentença  que me obrigasse
a crer em disparates doutrinários.
Há de haver um final
e certamente um recomeço
após a implosão deste mundo...
Espero não haja,
nenhum vestígio do desintegrado,
bom seria... um reinicio mais sábio.




Contaminação (no bom sentido)



Contaminação (no bom sentido)
Suzette Rizzo


Escrevo porque escrevo e não me importo,
sejam meus versos para alguns, tolices.
Escrevo porque palavras fazem mal
sufocadas,
se bem que  nem mesmo a tosse
expulse  o pó desta alma.
Escrevo para cantar o amor, 
as síndromes, a dor de amar...
por vezes  expulsar em versos
a tristeza do mundo cão,
deste penoso chão...
E me transformo até
em meu próprio tira manchas
e mesmo não sendo salamandra
ardo-me em chamas.



Contudo, o que realmente gostaria,
seria contaminar de poesia... 
Securas da alma humana






11 de outubro de 2015

Será que saudade morre?


                                             

Será que saudade morre?
Suzette Rizzo

Quanta saudade do amor
que transforma tempestade
em noite linda!
Amor que veste a alma de alegria,
a boca de sorrisos
e o pulmão de ares limpos!

Amei tanto em minha vida!
Perdi medos, corri riscos,
vi o céu em cada teto,
conversei com anjos discretos,
no paraíso dos meus sentidos!



Quanta saudade do amor!
Que nasceu de areia
e se auto-destruiu,
vazando das minhas veias,
o sentir que se esvaiu.

Quanta saudade da poesia
que vinha não sei de onde
e mágica, acontecia;
vestindo as noites  do luar
que o sonho atiça.

Quanta saudade das cores,
das tardes refletindo o crepúsculo, 
em teus olhos claros.

Será que um dia esta saudade também morrerá,
assim como morreu o mais lindo sentimento,
deixando meu peito inapto?