11 de agosto de 2015

Reflexo




Reflexo
Suzette Rizzo


Um reflexo
na parede do quarto
encanta os olhos
maltratados pelo pranto.
Algo de luz, meio azul,
algo divino, de cima,
adormece feito anestésico 
as dores da minha cruz.
Um reflexo...
será sem nexo?
Será um sonho, uma ilusão...
quem sabe um dom!





Sei não!
Faço preces,
fixo a parede
e o branco azulado cresce.


Suzette Rizzo_ March 24, 2010 



Tempo de imaginação



Tempo de imaginação
Suzette Rizzo

Esvazie a nostalgia,
saboreie pêssego com vinho tinto,
açúcar, musica e poesia.
Queres atravessar o oceano
num barco a vela?
Desperta então, a tua fantasia.

Procura a tua ilha,
teu espaço silencioso,
tua estrela cadente, mágica,
passando diante dos olhos
bem devagar...
Esmiúça a imaginação,
ama quem vem com sorriso
trazer do horizonte
os brilhos de emoção.



Deita a cabeça no colo da terra
e banha teu rosto nas águas
salgadas do choro
deste planeta maravilhoso.
Consola-o, acarinha o verde,
mata a praga, apaga o fogo.

Lembra da tua infância,
enxerga tuas mãos pequenas
sentindo as pétalas das flores.
Nostalgia?
Não, apenas saudade multiplicada
dos momentos e das cores...

Do tempo em que as fadas
expulsavam dores.



Nós dois


Nós Dois
Suzette Rizzo

Éramos nos dois
sob  a nossa lua...
Nós dois e nossos gemidos,
nós dois e o encanto da noite,
nós dois indiferentes
a tudo.

Era a nossa poesia,
nosso olhar vertendo
calma,




o amor colhendo mútuos
desejos,
num êxtase total
de beijos.

Nossas mãos se soltaram
uma da outra,
nosso olhar se desviou,
nosso amor carcomeu-se
tamanho ciúme... 

e juntou-se as geleiras
do frio adeus


Suzette Rizzo

7 de agosto de 2015

Ilusão

Ilusão
Suzette Rizzo


Tantos sentimentos embaçam
nosso espelho!
Tantas vezes nos indagamos
diante dele
e conseguimos respostas honestas.




Qualquer alegria transparece,
qualquer dor empalidece…
Mas, quanta ilusão também,
quando o espelho nos reflete.


Fevereiro 19, 2007



Palácio Sonho


Palácio Sonho
Suzette Rizzo 


As copas das árvores se fecharam
e vi o rendado verde de fundo azul do céu.
Caminhei sob o sombreado da minha rua...





virando  aos poucos aquela página
e o cenário enluarado,
que logo seria um sonho,
como hoje é!

Fechei as janelas do apartamento
dando adeus a imensidão noturna
e as constelações da noite limpa.

Gravei tudo minuciosamente...
Tranquei a porta do palácio-sonho
e, hoje, ainda dói lembrar...
Do aniquilamento total,
do ruir de tudo sobre mim...
Fase essa que ousa viver
imortal !





5 de agosto de 2015

Amor oculto




Amor oculto
Suzette Rizzo

Cala,
não nega, nem afirma
e o silencio para bom entendedor...
basta.
Mas, eu, como péssima fingidora
nessas coisas de amor oculto,
revelo no olhar, sem querer,
tudo que ele lê.



E assim, vou seguindo
por este caminho sem luar...
E assim, o mundo ruindo,
sem que eu possa nem gritar.
E ele mudo,
desviando seus olhos para tudo...
só não querendo cruzar os meus,
já conhece meu mundo.

O que ele não sabe é da profecia...
ou o anjo me iludira?
O que ele não pressente é que a rotina,
ou estressa ou aproxima.
E assim, vamos indo...
Ele ,mudo, e eu, do meu jeito
pedindo... pedindo,
pouco... pouquinho...
Esperando muito !


Suzette Rizzo 

4 de agosto de 2015

Alma cármica

Alma cármica
Suzette Rizzo


Sonhei um caminho forrado de papeis A4,
e neles,
pensamentos e poemas lidos, relidos
como são os passos dados.
Sentia a alma abraçada a quenturas,
como se do corpo de cada poema
exalasse sutil mormaço.





Sonhei tantas coisas que não li ou escrevi,
cerquei-me de sábios e poetas queridos
nesse abraço.
Era um caminho verdejante,
numa redoma cristalina,
o oposto desta vida.
Acordei entregue a arrumação das gavetas,
entupidas da papelada de horas e horas
da inspiração drástica
desta alma cármica.






Enfado



Feel Blue
Suzette Rizzo

Tento estar totalmente sóbria,
entregue a nada,
como se meditasse a noite
entre ondas da enseada.
Apenas alguns segundos
e  me endureceria o corpo
e me adormeceria a alma
e não sentiria as águas.
Mas, não gostaria desse vazio,
causaria tal e qual
(escarne de poema fingido)
tingindo cores de tudo
de nada.




Totalmente sóbria
encolho pensamentos,
‘suas’ pilherias amontoadas
sob o jardim do meu templo
e fora da minha alma.
Devo-me um repouso
e comprimo um a um
os instantes de um tempo
sonso...
Não conseguiria meditar,
algo atrapalha!
Há uma gruta escura minguando
meu  bem estar
Desgraçadamente penso, penso,
penso .......
Até a cabeça doer
e a lágrima secar



Du Monde


Du Monde
Suzette Rizzo

Caminhava por seus dias,
muito distante da paz
e não sentia os efeitos da luz,
porque as trevas eram densas demais.
Atirava-se aos abismos,
preparando sua cama com delírios.





E de nada resolveu
aquele sinal da cruz diário
antes de dormir
ou seus agradecimentos a Deus;
Se  a conduta era digna do mundo,
e dos céus, jamais!

Era absurdamente sedutor
e creio ter sido esse o problema.
O mal crava os dentes naquele
que desperta amores ensandecidos.

Mas ele não era mau,
apenas do mundo.
Certa promiscuidade,
mas não consciente ...
Apenas, irritantemente  ativo...

E leigo nas questões morais,
atirou-se no lamaçal,
sem querer.

Se foi para sempre, tragicamente;
aquele anjo meu,
du monde.
Suzette Rizzo

19/08/2005





Sonhos & Visões



Sonhos & Visões
Suzette Rizzo

Visões!
Envoltas em ares místicos,
permitindo-me compreender
emaranhados,
alguns sem qualquer sentido
vivo.




Estão em meus olhos,
na penumbra e no sono,
nos caminhos entre cascatas,
paralelepípedos antigos,
casas iguais
em estreitas calçadas.

Sonhos são motivos,
exaustão ou vazios,
saudade ou aviso,
sonhos tão aflitos,
suaves ou nocivos.

E ninguém solta a voz,
não sorriem porquê?
Não demonstram qualquer
emoção, nada aparente... 
Sonhos hipnotizantes,
telepáticos,
apresentando a diferença
no fato de estar viva

Sonhos...  tenho tantos!
Sonhos místicos,
encantados,
sonhos avessos,
atrofiadores
das visões sensatas.

Estão todos estranhos,
antigos e distorcidos,
povoados de seres plasmados,
desconhecidos e não,
alguns tão amigos!

Sonhos são pedrinhas
marcando
meu caminho! 


 Suzette Rizzo



3 de agosto de 2015

Desígnio

Desígnio
Suzette Rizzo

Alguns passos e cairia na armadilha,
outros passos e o abismo me engoliria.
Era um gosto meu ou o destino mal traçado
nos colocava cara a cara?

Só desalinho... e eu notava.
Vivíamos  de utopia, tanto eu quanto ele.
Alguns passos mais e me veria estatelada
na vida e na calçada.

Será mesmo que eu procurava
pela  dor
ou a dor me encontrava
por amor!

Nem me atrevo a questionar
quem veio expulsar

meu lado transgressor.






???


???
Suzette Rizzo

Amortecida a grande dor
da tua alma ?
Mentira porque a dor
só ameniza
e por si nunca se hipnotiza.

Dor da alma é assim
como pontada no peito,
que vai e que volta
sem hora.

Amortecida a grande dor
que te assola?
Nem suplicando!
O Ser astral
nunca foi anestesista
e o Criador não anistia.

Se não houver solução à tua dor,
acostuma-te com ela.
Estava escrito e ninguém apaga
ou modifica  nenhuma virgula,
do livro da tua vida.





Transpiração


Transpiração
Suzette Rizzo


Ai, para com isso,
ninguém gosta de sangue
exceto morcegos e vampiros.
Ninguém gosta de limbo,
nem canibalismo.




Para com isso,
sai do precipício,
do frio, do frio.
Se embrenha por lá.
no matagal,
vá plantar caraminholas
nas moçoilas do arredor.
Pára de ser o que não é,
de dizer o que não quer,
faça por ti o melhor.
Depois de um tempo,
tua poesia não sangra,
não credita,
nem dá nó.


April 13, 2014