2 de agosto de 2015

Caminhos mal trilhados

Caminhos mal trilhados
Suzette Rizzo


O universo prepara 
e faz a entrega:
Consciência e pernas

Passos mal dados
ou rumo incerto
é queda certa por aqui
neste clone do inferno.




Existe uma voz interna
e quem não ouve
obstrui a passagem do anjo
e o corpo tropeça.

A consciência é sempre
um recém nascido...
que grita ou cochila

e, se nada se modifica
é penosa a justiça
e não deixa de ser castigo.

Mas o dedo de Deus ameniza,
superficialmente amorna
conforme o merecido.

A mudança para a esquerda
ou direita,
acontece pouco a pouco;

Cada qual com seu escopo.




1 de agosto de 2015

Caio em mim

Caio em mim
Suzette Rizzo

Quem sou eu nestas horas,
quem serei amanhã,
quando o tempo sobrecarregar
nossas essências  
de anseios irrealizáveis
e os sonhos forem soterrados
sob o pé das montanhas!
Quem estará no meu lugar
ouvindo o que ouvi,
sentindo o que senti!



O que serei então nessa hora
inda mais vazia
do que foi antes de ti,
se Já sou coisa alguma nesse tempo de espera,
de horas suspeitas, incertas
em que caio em mim!

Suzette Rizzo
September 22, 2013




Azedumes


Azedumes
Suzette Rizzo


Caí de um sonho  do além,
na superfície do meu planeta.
Entre arvores, num dia de sol,
cachoeiras ao redor
levemente cai do azul
para ser algo melhor.



Na verdade, não foi assim,
fui pedra no sapato,
estorvo, cambalacho
e nem sei pra que vim.
Pra ser poeta não foi,
nem mesmo pra ser mãe,
nem pra passear de andor.

Mentira que me sinto
com missão a cumprir,
carma sim e dos grandes...
Quem nasce pedra no sapato,
é massacrado
porque entope o acesso a vida.

Suponho ter sido
um parto difícil,
não querendo passar pelo túnel,
muito mesmo sentir o frio
do futuro desconforto.

É verdade que assim me sinto,
verdade a história da pedra...
mentira que gosto da vida,
que me sinto completa.
Escrever escrevo, realidades,
o lado azedo do poeta 





29 de julho de 2015

E. Ethelbert Miller

*Preciso de alguém para tirar o meu corpo da cruz. *

*Tenho buracos nas mãos devido ao toque. *

* Os meus pés como palavras impedem-me de partir. *

 *Há demasiadas questões sobre o porquê de falharmos. *

* Recuso confessar se amo ou peco *


E. Ethelbert Miller


25 de julho de 2015

Momento de Paz



GREGORIAN FEAT SARAH BRIGHTMAN - 
MOMENT OF PEACE 
(Momento De paz)



Agravamento




Agravamento
Suzette Rizzo


Exauridos estivemos
na vil etapa
das horas perdidas.
Contundidos, estuporados
pela vida, nos entregamos
a planos suicidas.



E aconteceu...  
Teu corpo esticado no chão
morto por assassina mão,
deu fim aos tormentos...
Naturalmente pediste antes de nascer
o tiro perdido...

Junto a teu ser inanimado
meu destino interrompido.

Como fantasma
não mais aquece-me a matéria
nem tranquilizas a noite
abandonada em mim...
Somente atropelas a minha saudade
com a aparição
do seu  pontilhado azul cristalino,
refazendo incabíveis ilusões.  

No entanto, nunca mais
abafarei meus penosos gritos
castradores talvez, do teu riso 
Mil perdões... te peço...  por isso. 


24 de julho de 2015

Meia-boca



Meia-boca
Suzette Rizzo

Não poderia estampar
a máscara da felicidade
em minha cara
porque o oposto gruda no rosto.
Nem poderia fingir nunca,
porque a verdade é meu lema
e essa bandeira ergo
seja como e onde for.


Não poderia ser
uma outra que não sou
nem mesmo pra contentar
fantasias de amor.

Coisa banal
tatuar ares sorridentes
quem não tem...
Se a vida não sorriu,
não sorriu e ponto final.
Não poderia ter olhares curiosos
ou estúpidos,
porque não acho graça
em semblantes únicos.

Não posso correr
do meu subconsciente,
nem luzificar as sombras
da minha alma.
O emocional descomedido
faz parte da minha vida
e me arrasa...
Minha sensibilidade máxima
jamais se acalma.

Nunca virei à mesa,
não rodei a baiana...
mas já  me sentei na calçada
e chorei
borrando a cara.
Sou o mecanismo
de uma obra meia boca
por ora inacabada




23 de julho de 2015

Vinho


Vinho
Suzette Rizzo


Houve uma teia de ressentimentos,
um emaranhado de incertezas
vitimando nossas almas.
Houve desordem na mente e no espírito,
pensamentos laçados
e nenhuma calma.



Houve orgia nas palavras daquele cara
e nas minhas 
não mais a paz consagrada...
Apenas a transmutação do dharma
preparando carmas
Houve uma teia embaralhada,
entrelaçando instintos,
frases loucas de vinho tinto 
e a dor do  fincar de estacas.






Vida e Morte




Vida e Morte
Suzette Rizzo


Olhei-me em teu lago
de águas claras,
hipnotizei-me da tua beleza.
Não poderias ser Narciso
nem eu uma princesa.




Mas cravei tuas feições no pensamento
e tive cem mil pressentimentos
concluídos.
Do primeiro beijo
ao derradeiro estampido






21 de julho de 2015

Caráter

Caráter
Suzette Rizzo

Ilesa!  Não sei como!
Se fui arrastada
por caminhos pedregosos,
cercada de gente canalha,
do mundo refugiada.
Nenhuma cicatriz exterior,
embora tenha a alma
marcada a ferro pela dor.



E dói avistar no fundo da noite,
na tela mental do pensar,
cada bote, toda queda
sentindo a ferida
coberta de sal.
Ilesa!  Nem acredito!
Parida como fosse lixo
e par do bem e da moral.


15 de outubro de 2012






Brasas

Brasas
Suzette Rizzo

Nem o vozerio identificável
na minha cabeça
expulsa os traumas maduros,
deleta as entortadas setas
ou me livra dos tantos venenos
que o mundo me fez ingerir.
Não cessam de gritar tormentos,
nem se deixam escoar no tempo,
que sinto vazio fugir.
Neste deserto de mim
mora o eco de um berro
que eu berro sem voz
ou consolo de afins.


Há fogo no interior do meu céu,
 sim!


July 8, 2012



20 de julho de 2015

Asas


Asas
Suzette Rizzo

Tenho asas
quando o sono se aconchega
e desprezo então meu corpo,
pesado das tristezas que carrego
e vôo e vôo...

Tenho asas leves, de plumas,
olhos de pássaro,
observadores, discretos...
Vou pra longe, num passeio longo
e sonho e sonho...



Sou tudo menos esta carcaça
e quanto às lembranças felizes,
tão esporádicas,
à noite voltam...
sempre voltam...

Tenho asas para escapulir da terra,
deste mundo insano e cruel,
desta selva humana que detesto,
longe, tão longe do céu.

Tenho asas e dou graças
de poder voar madrugadas,
visitar os anjos de luz que volitam
além dos últimos véus.


November 16, 2010 






Acomodação

Acomodação
Suzette Rizzo 


Deixei pra viver depois
e o tempo abocanhou
a minha vida!

Esperei acontecessem por si
as coisas que eu quis
E o que eu quis se desfez
no tempo que perdi.




Agora, apaixono-me sim,
pela ânsia do amor.
Por criaturas que não posso ter,
por tudo que não posso mais.
Porque o tempo, aos poucos,
roubará de mim o exterior!

Então, nem mais sonho ilusões terrenas
Sinto-me nos braços no infinito, apenas.
Caminhando por entre os túneis celestiais,
cujo olhar escorrega tristemente
em meus restos vitais!

Ouço a melodia da madrugada
trazendo pra dentro a saudade
das coisas que não concluí;
na esperança de conseguir
acontecessem por si!

                            Suzette Rizzo

Almas tolas

Almas tolas
Suzette Rizzo

E se carência não existisse,
tão pouco solidão?
Se eu tivesse realmente me apaixonado
e se a química batesse...
Então, meu Deus,
pobre da minha alma!
Quantas vezes será,
que a mesma história se repete,
as mesmas palavras são ditas
e a cigarra aparece no meio da noite
perto da grande pedra...
Meu Deus!


Quantas vezes os lobos ladraram
dentro dos sonhos,
quantas vezes se fez infeliz
quantas vezes foi incluso, excluso,
quantas virou as costas,
o celular se perdeu,
o e mail deu defeito
(e por outra)... saiu fora.
Quantas vezes, falou do limbo,
(do seu)
do escuro,
das crenças,
dos mantras,
da meditação que nunca fez,
pelo menos não pra valer.
Quantas vezes embarcou
nesse ou naquele navio,
quantos será que ele foi?
E eu caí nessa armadilha,
entrei de cabeça (eu e elas todas)
Meus Deus!
Quantas ALMAS sós e tolas!

Suzette Rizzo

February 22 2014