23 de julho de 2015

Vida e Morte




Vida e Morte
Suzette Rizzo


Olhei-me em teu lago
de águas claras,
hipnotizei-me da tua beleza.
Não poderias ser Narciso
nem eu uma princesa.




Mas cravei tuas feições no pensamento
e tive cem mil pressentimentos
concluídos.
Do primeiro beijo
ao derradeiro estampido






21 de julho de 2015

Caráter

Caráter
Suzette Rizzo

Ilesa!  Não sei como!
Se fui arrastada
por caminhos pedregosos,
cercada de gente canalha,
do mundo refugiada.
Nenhuma cicatriz exterior,
embora tenha a alma
marcada a ferro pela dor.



E dói avistar no fundo da noite,
na tela mental do pensar,
cada bote, toda queda
sentindo a ferida
coberta de sal.
Ilesa!  Nem acredito!
Parida como fosse lixo
e par do bem e da moral.


15 de outubro de 2012






Brasas

Brasas
Suzette Rizzo

Nem o vozerio identificável
na minha cabeça
expulsa os traumas maduros,
deleta as entortadas setas
ou me livra dos tantos venenos
que o mundo me fez ingerir.
Não cessam de gritar tormentos,
nem se deixam escoar no tempo,
que sinto vazio fugir.
Neste deserto de mim
mora o eco de um berro
que eu berro sem voz
ou consolo de afins.


Há fogo no interior do meu céu,
 sim!


July 8, 2012



20 de julho de 2015

Asas


Asas
Suzette Rizzo

Tenho asas
quando o sono se aconchega
e desprezo então meu corpo,
pesado das tristezas que carrego
e vôo e vôo...

Tenho asas leves, de plumas,
olhos de pássaro,
observadores, discretos...
Vou pra longe, num passeio longo
e sonho e sonho...



Sou tudo menos esta carcaça
e quanto às lembranças felizes,
tão esporádicas,
à noite voltam...
sempre voltam...

Tenho asas para escapulir da terra,
deste mundo insano e cruel,
desta selva humana que detesto,
longe, tão longe do céu.

Tenho asas e dou graças
de poder voar madrugadas,
visitar os anjos de luz que volitam
além dos últimos véus.


November 16, 2010 






Acomodação

Acomodação
Suzette Rizzo 


Deixei pra viver depois
e o tempo abocanhou
a minha vida!

Esperei acontecessem por si
as coisas que eu quis
E o que eu quis se desfez
no tempo que perdi.




Agora, apaixono-me sim,
pela ânsia do amor.
Por criaturas que não posso ter,
por tudo que não posso mais.
Porque o tempo, aos poucos,
roubará de mim o exterior!

Então, nem mais sonho ilusões terrenas
Sinto-me nos braços no infinito, apenas.
Caminhando por entre os túneis celestiais,
cujo olhar escorrega tristemente
em meus restos vitais!

Ouço a melodia da madrugada
trazendo pra dentro a saudade
das coisas que não concluí;
na esperança de conseguir
acontecessem por si!

                            Suzette Rizzo

Almas tolas

Almas tolas
Suzette Rizzo

E se carência não existisse,
tão pouco solidão?
Se eu tivesse realmente me apaixonado
e se a química batesse...
Então, meu Deus,
pobre da minha alma!
Quantas vezes será,
que a mesma história se repete,
as mesmas palavras são ditas
e a cigarra aparece no meio da noite
perto da grande pedra...
Meu Deus!


Quantas vezes os lobos ladraram
dentro dos sonhos,
quantas vezes se fez infeliz
quantas vezes foi incluso, excluso,
quantas virou as costas,
o celular se perdeu,
o e mail deu defeito
(e por outra)... saiu fora.
Quantas vezes, falou do limbo,
(do seu)
do escuro,
das crenças,
dos mantras,
da meditação que nunca fez,
pelo menos não pra valer.
Quantas vezes embarcou
nesse ou naquele navio,
quantos será que ele foi?
E eu caí nessa armadilha,
entrei de cabeça (eu e elas todas)
Meus Deus!
Quantas ALMAS sós e tolas!

Suzette Rizzo

February 22 2014





19 de julho de 2015

Além do limite

Além do limite
Suzette Rizzo

Estou a mais neste cenário,
por isso o céu me expulsa aos poucos.
Sou contra tudo e quase todos!
Ninguém nunca se afunda
nesta alma estranha, detenta... 





E se alguém  foi par em outras eras,  
nem se lembra .

Estou fatigando com meus poemas
de palavras melancólicas,
pensamentos simbólicos,
repetindo  e repetindo 
o velho/novo tema!
Estou sobrecarregando este cenário,
mas a alma teima... teima...  
neste destino arbitrário .





18 de julho de 2015

Sustentação

Sustentação
Suzette Rizzo

Sou alimentada pela natureza,
pela paisagem noturna,
pelo  céu crepuscular,
pela beleza dos animais.
Sou nutrida por sentimentos
gerados por esta alma sensível,
sustentada por amores que tive,
pela brisa do tempo.
E bebo da fonte da magia,
bebo cada fantasia,
satisfaço-me no vento.
Do ser humano bebo a sabedoria
de alguns,
a poesia de outros...
E acredites ou não,
bebo, saboreio ou vomito de mim
experimentos todos


Saturday, July 18, 2015






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Xô pensamento!

 pensamento!
Suzette Rizzo


Xô pensamento!
Leva o olhar frustrado,
a criança que fui faz tempo,
o passado que arde,
a decepção de granito,
caindo do céu da tarde.


Leva pra longe esse ontem
atormentador,
aquele tempo de amor,
leva embora o arco íris
da manhã feliz,
o nome escrito no muro da esquina
com pedaço de giz...
Arrasta pra longe, de vez,
estas noites solitárias,
madrugadas impregnadas
de lembranças vitais,
palavras insensatas...
Xô pensamento!
Leva no vento tudo isso,
para eu poder encontrar Narciso,
cair no lago  iluminado
e apagar tempos malditos.








17 de julho de 2015

Viagem terrena

Viagem terrena
Suzette Rizzo

Viajei pelos pântanos do sofrimento
por entre paisagens de amores murchados...
atolei-me em lamaçais,
rolei  abismos abandonados,
trancafiei-me entre muros de horror.







Vivi assim por um tempo e depois,
envolta no invólucro do espírito,
atravessando vales transcendentais,
permiti-me conhecer além
fugir dos mortais.
Vivi tudo,
do amor ao pavor de amar,
do desejo a desmoralização de mim mesma,
da credulidade a conseqüência
da carência de todas as fomes a aceitação
da insegurança a desilusão total
Entrei de cabeça nessa luta de condições
pensamentos, situações diversas
e tentei arrancar a venda dos olhos...
Implorei a chance da evolução,
e concluí enfim: 
Que livre arbítrio
gera contravenção.






16 de julho de 2015

Comandada

Comandada
Suzette Rizzo


Testam-me,
não sei quem, de onde vem,
qual lugar reside quem me testa.
Sinto-me espreitada,
dominada, contaminada
regulada por algo
que me apara arestas.
Desconheço a minha real identidade
e exceto saber-me poeta de alma
quem me testa devora-me o sono,
a vida, a calma.




Não sei em qual esquadra vim
ou em que mundo estou...
Se é ele simulado, paralelo,
fabricado...
Talvez seja mesmo algo computado,
qualquer molde infeliz
avaliado de tempos em tempos,
quem sabe uma amostra a mais
tipo robô da Matrix.
Posso pensar mais o quê,
se levam-me a agir como não quero  
e não consigo ser feliz ?









Coisas por dizer

Coisas por dizer
Suzette Rizzo


Perguntaram-me 
por que me visto de tolerância,
aturo hipocrisias,
por que não tranco a porta,
se já me arrependi
de ter caído porque eu quis
em vil armadilha.




Tranquei sim,
qualquer abertura  da alma.
Calei expressões, cobri a pele
da melhor lingerie,
deitei, dormi.
Não sustento egos,
nem pretendo inflá-los.
Que os desavisados o façam
e não se firam nos pregos
da boa fé

- 2014 -







Carl Sagan




Reflexão de Carl Sagan


A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica.




15 de julho de 2015

Cativeiro

Cativeiro
Suzette Rizzo


Penso na alma aprisionada
a este mundo senhor do mal,
tentando arrancar da essência
o bom do ser imortal.
Penso no mundo 
como um caminho de barro 
cravejado de espinhos
e uma fada interior 
com sua mágica varinha,
tentando manter a alma limpinha.
Estou aprendiz neste grosseiro mundo,
mas consigo ficar em pé.
Tem gente que engatinha,
e gente que anda de ré.




Ainda me sentarei no banco de uma praça cósmica
para admirar o azul da ex e primeira morada.
Ainda estarei liberada de cativeiros aprendizes,
das correntes e cordões umbilicais... 
Ainda serei a leveza do vento e o brilho da luz
lavada da dor e do pus.


Wednesday, May 02, 2012





14 de julho de 2015

Prostração

Prostração
Suzette Rizzo

Ai, como são irritantes os ecos do vazio,
a agudeza destes gritos ferindo tímpanos!
O meu vazio sorve energias, desejos,
esparrama ares demais aflitos no dia a dia
Ai, o vazio contamina os órgãos,
pensamentos,
relincha como um cavalo entristecido
e apaga lento a chama viva.



O meu vazio não tem nome
e, exceto o nada vagando as horas
de um tempo incolor,
somente o freqüente som das coisas ocas.
Vazio não ama, não tem dor...
E o meu possui sensações
de um ciclone sugador.


Wednesday, June 13, 2015

13 de julho de 2015

Cretinices





 Cretinices
Suzette Rizzo



Serviu para que eu me enxergasse estúpida,
crédula...
Para que eu acordasse a realidade escondida
nas  bordas dos anos.
Serviu para que eu me visse ainda mais carente
a ponto de forçar sentimentos
e depois morrer muito
tamanho dano e lamento.
Serviu pra coisa alguma
e eu... preenchi espaço vago,
até acordar mais uma.