10 de junho de 2015

Bueiro


Bueiro
Suzette Rizzo

Aqueles versos de amor,
voaram pela janela
numa tarde ventania.
Arrastados,
seguiram seu caminho,
e caímos no bueiro:
Você primeiro,
depois  a minha poesia.
Nunca mais escrevi seus olhos,
nunca mais desenhei  passagens,
fases boas ou não.
Tudo no bueiro:
Você e minha inspiração.






Depuração




Depuração
Suzette Rizzo

Onde estarão os pares,
a semelhança no pensar,
onde os filhos que tive
noutras vidas,
onde estarão os acertos
se os desacertos desgovernados
espremeram sem dó
por todos os lados esta alma ácida?
Onde estarão os familiares,
aqueles todos desencarnados?
Onde estarão guardadas
as profissões do passado,
o aprendizado vivido,
onde estará escondido,
(se é que tive algum dia)
meu lado vivo?
O que sei é que de bom,
algumas coisas o Universo me concede,
na hora H sempre consigo.

July 12, 2011

Desencantos


Desencantos
Suzette Rizzo

Desencantos são tão frios
tão injustos,
assim cercando com seus vazios
o futuro arredio...
Impõem escudos e viseiras,
perguntas sem respostas,
portas trancadas da alma
que justamente se revolta.

Desencantos queimam as ilusões,
roubam esperanças, alegrias
nos derrubam no chão.
São tão repentinos esses desencantos,
reais choques térmicos
de sol e geleira,
doendo a vida inteira.

Desequilibrados os pensamentos,
confundem-se entre si
e choram, lamentam
e  de tão intenso parecem ser
o fim de tudo.

Mas... alguns passos adiante
sempre haverá um vulto
a se aproximar...
Uma estrela fazendo sinal,
outra historia a germinar.









Desfecho

Desfecho
Suzette Rizzo

Um certo sabor exótico
encontrar no depósito
das lembranças
razões e resumo das fases diversas
de um  tempo utópico.

Mas é bom tapar ouvidos
aos sons mais atrevidos
daquela voz,

misturando o que foi dito
de bom ou ardido.

O melhor mesmo é deixar dormir
o que secou,
seguir  a estrada das surpresas,
atropelar desastrosos vínculos.

Fechar a porta,
a caixa,
o exaurido,
viver novo inicio.





Borralho





Borralho
Suzette Rizzo

Só pra viver e não ver
o destino em branco,
talvez...
Só pra mordiscar o lábio
de raiva e tentar desta vez
um xingamento classe A ?
Quanta conversa repetida,
e que desfile idiota eu veria,
pior que tudo, eu já sabia.
Tento voltar a ter paz,
mas algum tempo atrás
se pudesse embrulharia minha alma
no sulfite A4...
e o vento que me levasse
pra longe da lembrança do anfiteatro
em que assisti três  atos
mal representados.

Pior!
Pra reviver sentimentos carcomidos
fiz-me  borralho
foi isso!



9 de junho de 2015

Autenticidade

Autenticidade
Suzette Rizzo

Não invento esperanças,
gostaria de vê-las esparramadas
por todos os cantos
dos poucos acontecimentos.
Não invento sonhos,
apenas sonho  
caminhando por entre lembranças
de rostos perdidos no espaço
das coisas findas ou não.
Não invento emoções,
sinto-as,
nesses devaneios carregados
de algumas boas saudades
e desejos tantos e profundos,
sensações agora
de vazio, adversidades
e um ou outro flash bom.

Não invento a má vida,
ela é,
quando observo o mundo
e sinto essa vil realidade
sob meus pés.


January 11, 2013


Auge das coisas

Auge das coisas
Suzette Rizzo

Cheguei ao ápice da saudade,
da depressão,
das coisas tão chatas da vida,
das gordas desilusões.
Amei até o ápice do amor,
calei-me até o ápice do silêncio,
fantasiei-me de algo que não sou.
Atingi a pouco
 o ápice melancólico do pássaro
que viu a porta da gaiola aberta
e de medo não voou.

                     October 14, 2012

Atropelos



Atropelos
Suzette Rizzo

O decair envergonha,
o não ter impulsiona quando possível
ou desanima de modo incrível.
Ah! Minha história possui
um pouco de tudo,
um pouco de qualquer sentimento,
um misto de atropelamentos.



Vida a meu ver é um Contêiner
que pode parar na hora H
ou passar por cima.
Vida é meio que vento...
aragem embelezando as folhas
ou tempestade destruidora.
Já estive a beira do abismo,
já estive no alto do mundo.
E só sei que perder inibe,
pois há quem despreze
e há quem que pise.
Mas reconheço:
Um pouco por culpa do destino
outro pouco dos meus deslizes.


8 de junho de 2015

Afora



Afora
Suzette Rizzo

É óbvio gostar de ouvir suavidades
a ser espetada por mentiras
com jeito de verdade.

Mas...

Por isso a casa é vazia, a cama é fria
e me abro sinceramente em cada poesia.

Jamais ouso despertar desejos nos outros,
tão pouco camuflar meus receios
que são maiores que os sonhos,
e falsos beijos.

Raramente me entrego a fantasias
pois repetidas se tornam sofridas.

Mas, há pouco, entreguei-me a delírios,
detectei  sarcasmos e espinhos
e desisti  então do amor,
fonte da vida

6 de junho de 2015

Agora não



AGORA NÃO
Suzette Rizzo 


Por ora,
não estou disposta a mergulhar
o túnel do tempo,
nem sentir a poesia aflorando
por entre as paredes
daquela fase ruim!

Ficarão suspensas
as recaídas e fantasias...

E quando, outra vez,
a vida brotar das águas
e delas eu renascer,





esquecida da dor mais outra vez,
então, sim, farei  novamente,
poesia pra você!


Suzette Rizzo


David Carradine


5 de junho de 2015

A pedra e eu


A PEDRA E EU
Suzette Rizzo

Estéreis os seus sentimentos...
Não progridem,
não procriam...
apenas revelam inexistência...

São como pedras sós,
que não se unem nem se dividem
e são frias, imóveis...
(serão vivas)?

Mas, se uma pedra não ouve
e não vê,
permanece eternamente onde estiver
numa exagerada paciência
(estará morta)?




Olha!
Entre você e a pedra
não há mesmo,
nenhuma diferença,


Autora:Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados

A reencarnação do amor




A REENCARNAÇÃO DO AMOR
Parte superior do formulário
Suzette Rizzo
Parte inferior do formulário

Nascerás outra vez.
ganharás nova vestimenta
não tão atraente
e desta vez olhos negros
porque os teus olhos
de mata virgem


causou vertigens
e depois muita dor.

Terás outro signo,
não aquele que penetra
segredos da alma,
extrai necessidades...
nem os mesmos beijos
de chama ardente.

Na subconsciência
terás um breque
como alerta
que te fará fugir dos vícios
e sentiras dor
em algum lugar do corpo,
vestígios do teu suicídio.

Mas serás feliz
porque destes amor
aos necessitados
e calor aos solitários.
Como eu que renasci
das cinzas
por ti, meu amado.


Suzette Rizzo

















3 de junho de 2015

Momentos


Momentos
Suzette Rizzo

Surpreendo-me cabeça baixa,
fixa no frio piso...
Tomara ninguém  veja
a boca amuada, a face sem viço.
Não me assombra a alma confinada
neste encarceramento que me impus...
Não me assombra a tal praga
que me atiraram quando nasci.
Não me ergo, mas não importa,
não me iludo neste mundo sem graça,
não mais me deixo enganar
por almas ladras ou ingratas
Surpreendo-me assim
pra lá de desiludida,
bem menos telepática...
Meu desejo no momento
é viajar


Wednesday, June 03, 2015

Bifurcação


Bifurcação (II)
Suzette Rizzo


Guiavam-me teus olhos
e palavras florescentes.
Alimentavam-me os versos na madrugada,
tuas mãos acariciando meu cabelo,
tua alma na minha, trançada!

Quanta conversa boa entre um e outro café,
cinzeiro abarrotado, olhos nos olhos,
vidas entrelaçadas...
Quanta coisa boa sentíamos,
naquele nosso cantinho da sala enluarada!



Como pode?
Porque as coisas se partem pelo meio,
o coração se divide,
a alma pende a outro ser...
Por quê?

Quantas tolas madrugadas
essas de agora,
assim...  Bifurcadas!



1 de junho de 2015

Psicose


Psicoses
Suzette Rizzo

Reúno o silencio da casa,
o silencio da rua,
o silencio do vento,
o silencio da  noite,
o silencio da alma...

Seria bom
nesse aglomerado encontrar-me cara a cara
com a calma
e que essa calma não desandasse avisos,
nem mitos cultivados

Seria bom se todas as coisas confusas
fossem de mim expulsas...
Bom demais sobrevoar meu corpo
acima das lutas...

Seria bom, como seria!
Espalhar-me por outras bandas
desfolhar loucuras 






31 de maio de 2015

Atoleiro


Atoleiro
Suzette Rizzo

Sinto um peso de séculos...  
Há tanto me desmancho em lágrimas!
Meço assim, secularmente
a dor que destrói meu  limite;
E pensar, nem faz tanto,
o destino ousou um convite
(porém de grego)
causando-me depois conjuntivite
tanto pó  e desnecessárias substancias,





noites insones, questionadoras,
bronquite crônica..


Tranquei-me com meus cães,
deixei-me amar por eles
com seus olhares verdadeiros.
E bastou-me
para então concluir que o convívio
com ser humano,
é mesmo  cair num vasto  atoleiro
forrado de insanos