3 de junho de 2015

Momentos


Momentos
Suzette Rizzo

Surpreendo-me cabeça baixa,
fixa no frio piso...
Tomara ninguém  veja
a boca amuada, a face sem viço.
Não me assombra a alma confinada
neste encarceramento que me impus...
Não me assombra a tal praga
que me atiraram quando nasci.
Não me ergo, mas não importa,
não me iludo neste mundo sem graça,
não mais me deixo enganar
por almas ladras ou ingratas
Surpreendo-me assim
pra lá de desiludida,
bem menos telepática...
Meu desejo no momento
é viajar


Wednesday, June 03, 2015

Bifurcação


Bifurcação (II)
Suzette Rizzo


Guiavam-me teus olhos
e palavras florescentes.
Alimentavam-me os versos na madrugada,
tuas mãos acariciando meu cabelo,
tua alma na minha, trançada!

Quanta conversa boa entre um e outro café,
cinzeiro abarrotado, olhos nos olhos,
vidas entrelaçadas...
Quanta coisa boa sentíamos,
naquele nosso cantinho da sala enluarada!



Como pode?
Porque as coisas se partem pelo meio,
o coração se divide,
a alma pende a outro ser...
Por quê?

Quantas tolas madrugadas
essas de agora,
assim...  Bifurcadas!



1 de junho de 2015

Psicose


Psicoses
Suzette Rizzo

Reúno o silencio da casa,
o silencio da rua,
o silencio do vento,
o silencio da  noite,
o silencio da alma...

Seria bom
nesse aglomerado encontrar-me cara a cara
com a calma
e que essa calma não desandasse avisos,
nem mitos cultivados

Seria bom se todas as coisas confusas
fossem de mim expulsas...
Bom demais sobrevoar meu corpo
acima das lutas...

Seria bom, como seria!
Espalhar-me por outras bandas
desfolhar loucuras 






31 de maio de 2015

Atoleiro


Atoleiro
Suzette Rizzo

Sinto um peso de séculos...  
Há tanto me desmancho em lágrimas!
Meço assim, secularmente
a dor que destrói meu  limite;
E pensar, nem faz tanto,
o destino ousou um convite
(porém de grego)
causando-me depois conjuntivite
tanto pó  e desnecessárias substancias,





noites insones, questionadoras,
bronquite crônica..


Tranquei-me com meus cães,
deixei-me amar por eles
com seus olhares verdadeiros.
E bastou-me
para então concluir que o convívio
com ser humano,
é mesmo  cair num vasto  atoleiro
forrado de insanos






29 de maio de 2015

Varredura



Varredura
Suzette Rizzo

Jogando fora, atirando longe,
não propriamente tristezas
pois elas fazem parte dos sentimentos...
Mas as mágoas que nada são
além de raivas acumuladas,
como as folhas de outono o são
pelos ventos que forram calçadas.
Varro tudo isso...
cada qual com sua vida
e quem partiu tinha mesmo que partir.



A vida é feita de estilhaços de momentos,
abraços e xingamentos...
Estouraria muitas lembranças
como um balão de criança,
outras extirparia a estilete...
Mas, varro apenas, bem varrido,
o malfazejo do meu tempo...
Não deixarei nenhum farelo
debaixo do tapete.


October 14, 2011 

Reflections Of My Life



Reflections Of My Life 

25 de maio de 2015

Revelação

Revelação
Suzette Rizzo




Quis encontrar alguém semelhante...
Encontrei o oposto,
cai no poço,
foi só desgosto!
Gostava dos mesmos livros,
das mesmas musicas,
parecia ter bom senso,
estar igualmente cativo
nesta vida.

Meu amigo lá de cima
desde o inicio preveniu,
segredou...

Nem precisava,
ele mesmo, o tal, se revelou!
Suzette Rizzo


”Quando a gente tenta de toda maneira dele se guardar
Sentimento ilhado, morto, amordaçado
Volta a incomodar” Fagner

INFELIZMENTE AUTOR DESCONHECIDO

24 de maio de 2015

Sofridas lembranças



Sofridas lembranças
Suzette Rizzo

Recordações ferozes
do tempo algoz
de exílio reposto,
ensopado de lágrimas noturnas
no vazio do quarto morto.

Caneta ao lado,
diário necessário,
rotina de falar comigo
e, ouvir o escárnio
de mim mesma,
entre poemas compulsivos.

Ressoam, atingindo
os sonhos que inda tenho,
derrubando no chão deste outono
em que piso,
as folhas ressequidas de ontem, 
estaladas como gritos









Enquanto...


Enquanto é tempo
Suzette Rizzo

Abstraio coisas de mim,
bagatelas do tempo injusto
e outras que nem desfruto.
Nada melhor que ensacar o entulho
calar da alma o barulho,
recomeçar.

E vamos então as coisas experimentais,
viver alheios ao destino,
dobrar algumas esquinas,
andar por ai apressados,
tal qual corre a vida
pra chegar antes de nós.

Pronto! Estamos sem corpo físico,
apenas sonhos restaram,
talvez certa luz mágica.
Não é fácil nos enxergarmos...

Quem sabe, 
possamos flutuar com leveza
nossas essências
ou talvez estejamos medrosos
da nova existência

Pior que aqui não será...
Embora não haja
muitas escolhas por lá.
E quem somos, como somos,
a exposição dos pensamentos
mostrará.

Por enquanto,
abstraio defeitos de mim
atirando-os ao vento...
Que lá não há.






18 de maio de 2015

Emocional


Emocional
Suzette Rizzo

Esquentou, esfriou...
Eterna paixão choque-térmico,
e nada que valha a pena
relembrar,
nada que valha poetar.
É como um não que nos desilude,
estação de verão que não começa,
como amor quando frustra,
derrota apesar da luta,
e nada resulta, afinal.
Esquenta, esfria...
E por fim suicida-se
no meio do lamaçal,
do eterno esterco emocional.

Suzette Rizzo 



14 de maio de 2015

Acontecimentos casuais






Acontecimentos casuais 
Suzette Rizzo

Aconteceu uma tarde, 
uma noite,
muitas esperas e tudo o mais,
pura conversa fiada,
remendada, papo-boteco,



de fim de semana recheado de ilusão.

Sempre soube disso tudo e mesmo assim,
esperei que vingasse,
que aquele amor temporão
jamais me dispensasse.

Fez-me acostumar e aprender a esperar,
não sabia bem o quê.
Um lero-lero danado, repetido,
acachaçado...
mas o amor tem dessas coisas:
Tapa o nariz, fecha os olhos
e permite o ouvido de pinico.

E na esperança de um amor
em meu destino,
deixei, deixei mesmo, tudo isso!
Mas em vez de príncipe encantado,
encontrei um cínico declarado,
que fez minha alma de circo.

Mas... “ninguém se encontra por acaso”

Suzette Rizzo



Isn't it a pity* Eric Clapton


Não é uma pena?
Eric Clapton

Isso não é uma pena?
Agora, não é de se envergonhar
como despedaçamos nossos corações
e causamos dor um ao outro?





10 de maio de 2015

...e a vida


  ...e a vida
Suzette Rizzo

 
...e a vida
da minha carne,
parou nos dias
da paixão última.
Fui rasgada
como um vestido
surrado,
olhada como um
farrapo,
desprezada
como restos de comida




Meu batimento cardíaco
enfraqueceu,
as cores se perderam,
na praça
da minha motivação...
E de lá pra cá ,
não houve ressurreição.
O que vi,
no interior do pensamento,
foi a total distorção
do tal amor,
hoje atrofiado... 
Tornando a vida
do meu sonho
apenas um rio seco,
sob um céu danificado.
Suzette Rizzo 

Comparações ( II )


Comparações (II)
Suzette Rizzo 

Estávamos no mesmo jardim,
mas meu ser não te curou
dos sonhos vãos
nem me fechaste a porta
das tolas ilusões.
No entanto, depois de ti,
saí do labirinto negro,
atravessei a magia dos verdes,
bebi fluidificação.


"não são as plantas que curam, mas sim, seus elementais:"
(a alma das plantas).


Medicina Oculta/Samael Aun Weor

Encaixes






Encaixes
Suzette Rizzo

Toco, mastigo,
alimento-me das energias da terra,
do planeta em que vim.
Acaricio, amo a pele,
os pelos dos seres vivos
habitantes do mesmo jardim.
Amo aquele semelhante
cuja energia se encaixa
ao meu ser querubim.

OSHO*O amor é uma flor rara*


O AMOR É UMA FLOR RARA
OSHO



O amor é uma flor rara.
Ele só acontece às vezes.

Milhões e milhões de pessoas vivem na falsa atitude de que amam.
Elas acreditam que amam, mas isso é só uma crença.

O amor é uma flor rara.
Às vezes ele acontece.

É raro porque só pode acontecer quando não existe medo, nunca antes disso. 

Isso significa que o amor só pode acontecer a uma pessoa profundamente espiritualizada, religiosa. 

O sexo é possível para todos. 
A familiaridade é possível para todos. 
Não o amor.

2 de maio de 2015

Desmotivo

Desmotivo
Suzette Rizzo

Ando mediunizada acho,
possuída  por algo que não gosto,
recolhendo o que era pra ser morto,
soltando pelas narinas certo fogo.
Ando repensando o dia todo
o que foi corpo,
enraivecida desta memória sonsa,
Irracional, distorcida,



ressuscitada vez em quando
pra espancar a minha vida.
Ando perceptiva, imaginativa sei lá,
tentando cremar  antigo nó
e soprar o pó.

1 de maio de 2015

Gastura





Gastura
Suzette Rizzo

Os sonhos estão de bruços,
o peito em soluços,
o pulmão encharcado,
meu grito irritadiço.
Não tenho hoje tantos problemas,
mas solidão faz tudo isso!


Friday, May 01, 2015