17 de abril de 2015

Poema triste


Poema triste
Suzette Rizzo


Cuidou de mim,
desta alma aos destroços
com seus muitos ossos,
quase no fim.
Cuidou tanto,
que chorei escondido
pra que não carregasse em seus ombros
os dele e os meus escombros.





Cuidou de mim,
mais do que eu dele
e hoje me cuida em sonhos.


Friday, April 17, 2015

Pensamentos do primeiro dia de 2010



Pensamentos do primeiro dia de 2010
Suzette Rizzo 


Ah! Sonhos mágicos
que debutaram comigo
por passarelas de felicidade!
Agora, se escondem
entre os nós do peito,
pelas bordas da cama,
pelas frestas da saudade.  

Sentimento mau este!
Temeroso de expor a continuidade
dos lampejos de esperança...



E hoje, na fase adulta,
esta total liberdade incrivelmente oprime
e só me assusta.


Suzette Rizzo _ January 03, 2010

Pensamentos de sempre


Pensamentos de sempre
Suzette Rizzo

Agora,
estou aflita neste mundo,
desconhecendo os caminhos,
o lado melhor a seguir,
sentindo na pele a fase pior,
triste demais por concluir
que meu ninho virou pó.

Ando com medo de relembrar
passos dados,
o pranto chorado...
juntá-los.

Atrás de mim um caminho deserto,
a frente um túnel a me arrastar
e nem tenho fôlego para chegar
do lado de lá.

Antes,
um domingo de sol me animava,
ativava a alma, atiçava o corpo.

Mas hoje, o sol me aborrece!
Chama de volta
tudo tudo que me entristece.


April 18, 2010 

Pensamento, mais um...

Pensamento, mais um...
Suzette Rizzo


Entorpece,
deixa-me muda,
desnuda segredos,
e é só um rosto
nos sonhos que tenho,
das coisas que lembro,
apesar dos pesares
e do tempo.


Suzette Rizzo_ February 08, 2010 

Pensamentos de uma noite a mais


Pensamentos de uma noite a mais
ou
(Ternura antiga)

Suzette Rizzo



Não quero mais sair por ai
brincando de namorar o proibido,
nem continuar fazendo de conta
que eu gosto dos momentos
e do jeito dele rir...
Porque essa é uma mentira deslavada
que igualmente me arrasa,
pois não gosto de mentir.

Lenise Marques



"E Deus criou as flores
e agradando-se da obra pensou:
__E se além de belas, coloridas
e delicadas voassem?
E então criou as borboletas."


Lenise Marques

Aventura

Aventura
Suzette Rizzo


Nasceu sem querer nascer,
parida sem querer,
porém nasceu.
Que fosse assim
e que essa fosse eu.
E até hoje me pergunto
reprisando a vinda e querendo,
só querendo descobrir,
porque vivo ainda.
Escorreguei no tobogã do cosmo
caí aqui na vida dura!

Gente!
Que péssima aventura!






Futuro e fronteiras

Futuro e fronteiras
Suzette Rizzo

Não quero extraí-lo de mim
nem escorrer seus olhos
da minha saudade.
Também não posso esquecer
tempos omissos,
tão pouco os suplícios
da secreta verdade.



Não quero, não posso,
queimar estes anos
como fossem banalidades
criancices,
ou um rol de planos mal engendrados.
Muito menos desejo fugir do destino,
que estou certa,
o trouxe como arrimo e defesa,
ao meu ser precisado de atravessar
futuro e fronteiras.





Silêncio

Silêncio
Suzette Rizzo


Céu limpo
e algumas estrelas.
Observo, busco naves,
ouço o silêncio que zumbe
fazendo ruídos agudos
como assunto grave.

Silêncio grita...
A princípio até pensei
estar com labirintite.
Entrei em casa
e a TV baixou zumbidos,
agora ouço barulho vivo.

Silêncio é poema
do escuro que berra...
É o lembrar das guerras,
tristezas desta era
melancólica terra.

Silêncio silencia,
segreda, cochicha,
enquanto a estrela brinca
de brilhar,
na noite que é isca
pro sonho pegar.

16 de abril de 2015

Avesso das horas

Avesso das horas
Suzette Rizzo


Atrapalhados ponteiros
atrapalhando pensamentos.
Atrapalhados segundos
atrapalhando o mundo.
Atrapalho-me
neste sonho atrapalhado
de olhar o relógio da torre
e ver enormes ponteiros;
Marcando tão profundo,
atrapalhações
do meu tempo estrangeiro


Brisa

Brisa
Suzette Rizzo

Posso ser um jardim florido,
uma fonte de águas limpas,
um céu de constelações variadas...
Posso ser árvore, o mundo,
carbono de tudo,
a semente do pomo
brotando de mim mil almas.
As vezes, parece,
escrevo um tema soprado
vindo num véu de calma,
adentrando as entrelinhas
de um sonho paradisíaco ...
Mas...   
Quem pensa por mim, tudo isso?






Maldita rua

Maldita rua
Suzette Rizzo


Minha rua tem cheiro de umbral,
cheiro de crueldade,
má índole, cheiro da Richthofen.
Minha rua tem olhos, tem ócio,
cães prisioneiros de péssimos homens.





Minha rua tem cheiro de coisa queimada
e pra rematar moro na esquina
bem no T da encruzilhada.
Peço um castigo:
que o fio de alta tensão
caia no chifre desse Damian,
carcereiro do seu cão.
E o resto que sinta o fogo,
só os bichos que não







Análise rápida da solidão

Análise rápida da solidão
ou
além dela
                    Suzette Rizzo

Analiso a fundo este exílio
involuntário.
Solidão não é não ter alguém do lado,
falta de amigos que te ouçam,
algum tipo de vida social...
Solidão é uma brecha
por onde penetram angustias,
sensações tristonhas,
saudade  dilacerante da vida
e por tê-la conhecido um dia
mais florida,
agora, cola-se  à essência boicotada,
vazia!




Solidão é punição e mora na alma
aberta a marretada e depois cerzida 
para que nada caiba,
nem mesmo outra alma.


March 29, 2013

Nem o poema

Nem o poema
Suzette Rizzo



Míngua a lua no céu marinho,
míngua a ilusão na escuridão
aqui no meu cantinho.

Inspiração pequenina,
minguada, fugidia
sem continuidade.

Se houvesse algo pra pensar
se houvesse um sonho
uma saudade qualquer...

Mas...
Nem o poema me quer!




Unção

Unção
Suzette Rizzo


Que loucura!!!
Sentimento seja ele qual for
enlouquece!

Tira a alma do prumo
a cabeça perde o rumo
o receio esmorece.





Que louca sou!!!
Gritando assim por dentro,
por fora ao relento
querendo calor.

É mesmo assim o amor,
quando encobre a dor
vira unguento.