8 de março de 2015

Pedras... Tropeços


Pedras... tropeços...
Suzette Rizzo 



Desvio-me das pedras,
de pessoas miscigenadas
de alma-roca.
Desvio-me, mas atravessam elas
minha estrada,
em todas as minhas horas.
Tento imantar novas esperanças,
saltar aquelas que não quero,
mas, são pedras tão insistentes
que nelas tropeço.




Desvio-me...  mas passo a vida assim,
dando de encontro
com tudo que não me sustenta.
Não posso mais engolir o que dói
nem desejar o que rói...
Cansei dos tropeços e pedradas
e da vida que mói. 



November 21, 2004

Flores venenosas


Flores venenosas
Suzette Rizzo

O coração pulsa dores
e desajustes da alma
que aos poucos se recompõem.
Por isso, esta solidão temporária,
eu sei, se diluirá no futuro.
O sol renascerá,
e eu, o verei imensamente lindo
e jamais, outra vez, escuros.


Por ora,
não encontro semelhantes
de raciocínio
e não me adapto aos extermínios
deste planeta sombrio.
Por ora,
mergulho os olhos no infinito
para não ver tanta guerra.

Exausta desses povos terrenos
e suas deficiências  de pensamentos
ausência unânime de sentimentos
com os reinos da natureza,
gostaria mesmo de nocauteá-los.

Nem sabem o quanto são coitados!

Estarão muito mais  
enterrados no mausoléu da terra
com seus danos e culpas
tais criaturas impiedosas...
e renascerão da raiz de todos eles
flores venenosas.

Quanto a mim,
rejeito o gosto de argila
e vultos das serpentes seculares, 
cravados nestes milênios
impregnados de insanidades
   


Saturday, November 22, 2008 

3 de março de 2015

No portão



No portão
Suzette Rizzo

Delineei–te por trás das pálpebras,  
exaustas da visão da sala sombria.
Deitei-me no tapete vermelho
e tentei extrair tua voz,
do vazio ao meu ouvido.

Só podia ser mentira!

Não te irias assim sem mais nem menos,
só porque expulso por mim
numa hora de fúria.
Na verdade, na excitação,
nem me lembrei da outra,
espreitando no portão.



Fuga


Fuga
Suzette Rizzo


Dormir, fugir,
é o sonho de uma insone
intolerante às lembranças, 
lambuzadas da má sorte
de patéticas manhãs.
Se pudesse arrastar a alma,
a levaria aos portais da calma,
e...  talvez adormecesse de mim
aquele moço,
entre nuvens sem rosto,
sem gosto...

2 de março de 2015

Caminhos da vida


Caminhos da vida
Suzette Rizzo

Vou indo magoa afora,
nestes caminhos que me foram reservados
entre um turbilhão de desenganos e monotonia.

Resignada ao entrave,
apesar do tédio maldito
trancando-me a sete chaves,
vou inventando paraísos,
compreendendo,
aprendendo,
quase dissecando sentimentos,
contagiando (que dó!) meus cachorros...

E nesta apatia sem remédio,
desaconchegada neste verão sempre inverno,
vou lapidando o nome eterno.

Estou surda ao sermão do viaduto,
já fiz e rezei tudo e a nada fiz jus.
Perdi-me entre meu luto
e a saudade fixada na cúpula
do meu abajur. 

Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados 

O que haverá?


O que haverá
Suzette Rizzo

Que haverá amanhã,
hoje à noite,
daqui a pouco,
de bom,
de leve
ou desgosto?
Haverá uma ponta de ilusão,
uma pequena sensação de felicidade?



Que haverá em meu sonho?
Terei um?
Daqueles bons,  
de saudade satisfeita,
amor antigo,
paixão que deleita...
Que haverá na madrugada...
uma noite estreita?
Um túnel,
uma passagem de agulha,
coisa alguma?
Que haverá nesta alma além de lembranças,
além da constância desta angústia
de nada saber
cravada nas entranhas!

1 de março de 2015

No verão passado


No verão passado
Suzette Rizzo

Peço-me cautela sempre
em meus momentos impacientes  
Ordeno-me que volte a ser o que eu era
antes do dilúvio do verão passado.
Chovi muito por dentro,
asfixiei-me em alagados pensamentos.
Deixei de lado a vigilância
e lanço agora nas palavras
a dor e a raiva daquele afogamento.
Meu lado calmo se perdeu
após um sonho paradisíaco
e traição pelas costas.
Era um sonho tão azul!
Pisei em falso, que droga!
E a mulher que eu era
fechou-se em copas.


Carnaval


Carnaval
Suzette Rizzo

Carnaval é poesia...
luz colorida...
vida da chuva
quando bate na janela
acordando rimas.
Carnaval faz o filhote
quando rodopia,
atrás do seu rabicó.
Carnaval é transpiração,
cabelo molhado de  dançar.
Carnaval, é o Boa noite do coração
aos raios de luar.



Carnaval é alegria...
para o poema  chorar.

RODA DE POESIA IV/2005 - CARNAVAL.
para e-book do Grupo Poesia e Art

Dependência



Dependência
Suzette Rizzo

Nenhum fato mais feliz nesta vida!
Nenhum amor respingando alegrias
na essência sombria.
Analiso os sonhos rasos,
onde refresco os pés da caminhada,
mas o corpo transpira medos,
que vão do intimo a superfície
dos inclusos pensamentos.
Por isso, a solidão é sombra imensa,
mas é dela que dependo;
Assim sendo, qualquer ficção
ou impressão de companhia
é como água da fonte...


Vivo das fantasias que se achegam 
junto ao vento das noites
e matam a sede no meu dia a dia.
O resto é simplesmente açoite!        

28 de fevereiro de 2015

Uma história que ouvi por aí




Uma história que ouvi por aí
Suzette Rizzo

Aos trancos e sem deixar transparecer
a exaustão,
fez o que pode, coitada,
para não desiludir quem amava.


Mas, abismada não sentiu carinhos,
nem foi beijada.
Não se sentiu abraçada
porque espontaneidade não houve.
Depois disso, desprezada,
humilhada,
colou na net poemas envelhecidos
idênticos ao seu passado
aqueles dos seus arquivos.
Perdeu o entusiasmo,
exceto a necessidade do desabafo.
Senti pena,
doeu vê-la enxovalhada...
Mas o anjo que nunca abandona,
contou-me ela,
aconteceu-lhe na madrugada.
Acarinhou o maltratado rosto
bebeu suas lágrimas.

Parecenças


Parecenças
Suzette Rizzo

Poderias ser um barco
navegando mansamente
neste mar...
Esperei a serenidade do amor,
às cavalgadas  
de um ser recém desligado
do reino animal.
Esperei algo realmente doce,
que destoasse da maioria
dos conhecidos sabores...

Porém...
Que decepção perseguidora!
És simplesmente igual
e causador das mesmas doresl



Aspirações



Aspirações
Suzette Rizzo

Queria a mente limpa
e preguiça de pensar.
Meu passado atropelado,
amores desbarrancados,
as últimas vidas jogadas no entulho,
aquele sono esbranquiçado
perdido no oásis,
num canto qualquer do mundo.

Queria triturar poemas tensos,
recomeçar...
Ter outro anjo que soprasse
e melhor despertasse
meus versos  pré natal.


Queria em mim um espírito ativo,
mais amante das coisas pueris,
enfim, mais egoísta,  mais vivo.

E a mente limpa,
pelo menos uns tempos,
longe de mim e qualquer outro fermento.
Não pensar de jeito algum nas farpas
do destino purulento.


27 de fevereiro de 2015

Travessuras poéticas


Travessuras poéticas
Suzette Rizzo

Mesmo que se esparrame
como chamas,
paixão sem dono e sempre acesa,
é somente insatisfação
de poeta sem direção!

Seus versos indefinidos,
saqueiam palavras afiadas,
pilheriam doces palavras...
É o mundo do poeta
catador de tudo e nada!

Amaria andar sangrado,
do vento que soprasse a dor,
mas cadê a ventura da dor?

Ah! Nada além de travessuras!

Mero poeta libertário,
consumido por chamas estéreis,
imune as amarras e queimaduras!

Friday, February 27, 2015

25 de fevereiro de 2015

Escorregão



Escorregão
Suzette Rizzo 

Surgia como dinheiro ao necessitado,
alimento ao esfomeado,
carinho ao carente.
Surgia dentro da noite,
dos olhos,
nos sonhos que se preenchiam,
extinguindo da alma a exaustão.





Assim como quem tira uma venda
ou a cruz dos ombros,
conseguindo então
livremente caminhar
rumo a salvação.

E fluiu pelos poros
sentimentos, instintos,
lagrimas e sorrisos,
acúmulos de esperanças
de felicidade.

Desejos e loucuras semearam-se,
é verdade,
no coração apaixonado,
até então medroso das perdas,
ardido dos medos do novo e do passado.

Surgia com força total
como semente brotada na terra,
separada do joio,
expulsando obstáculos e danos
quando a boca se rasgava do riso solto...

Havia desnecessidade das palavras...
Estava amando!!!

Lua Nua


Lua nua
Suzette Rizzo

Lua nua,
branca lua,
toda nua,
em frente a minha janela...
Clareia esta vida,
acende a estrada da ilusão,
ofusca recordações poluentes
desveste com teu luar
esta densa solidão!


Autora: Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados