23 de dezembro de 2014

Lua pequena


Lua pequena
Suzette Rizzo

Uma pequena lua enfeitou de luar o meu
e outros quintais
e lembrei das vezes em que sentamos num banco
improvisado de tijolos
e conversamos sobre fases nada naturais.
Relembramos tristezas,
porém o vento gostoso da noite,
não permitia qualquer lágrima.
Voltamos ao presente,
a observar a pequena lua
compreendendo o vento que revirava ex fases
para escrever novas páginas.



Ontem, a mesma lua enfeitou de luar
o meu e outros quintais,
mas desta vez não tive com quem conversar...
Olhei o céu igual e desigual
e lembrei apenas
daquela noite  de lua pequena;
Agora? 
Não cavo da alma
nem meia lauda de poema


Monday, June 04, 2012

20 de dezembro de 2014

Nova ressurreição


Nova ressurreição
Suzette Rizzo


Nas horas de abandono
quando o corpo se deita
acontece o turbilhão de pensamentos.
E eu sei,
que mesmo que haja uma outra
atravessando seu tempo,
é de mim que você lembra.



Difícil esconder sentimentos
ou a carência que se alimenta
de redobrados desejos.
E você sabe o mal que me fez
e quanto tempo perdi
matando de mim, você.

Impossível
expulsar necessidades,
o tédio, as verdades,
angustias, saudades...
No entanto, o mais terrível,
é afastar esperanças
de continuidade.

E coloco-me em seu lugar,
procuro seus motivos,
trocamos de coração,
fechamos os olhos ...
E não é com surpresa
que descobrimos,
a importância da razão
e que ambos ansiamos
com afinco,
nova ressurreição.


2005

Poetas e amantes


Poetas e amantes
Suzette Rizzo

Nas ruínas misteriosas da alma
forradas de velho cimento,  
escreveu poemas mundanos,
todos no esquecimento.
Voltou a alma poeta
a preferir luas inteiras
e noites ao pé da lareira.



Voltou o dom e o paladar
poesias de primeira.

Retornará o poeta mudado,
se nem na memória vive
aventuras do passado?
Ela, aguardará...

Por enquanto o que há 
são utopias,
encontros em sonho e quem sabe,
na fonte dos namorados...
Para que juntos se inspirem por lá
e juntos renasçam cá;
Poetas e amantes,
nem tristes ou frustrados,
apenas enamorados.

                                   April 04, 2010

Dois beijos


Dois beijos
Suzette Rizzo

O mesmo sopro de vento
calmo irá repetir-se,
toda vez que eu mentalizar
a primeira madrugada
e dois únicos beijos;
O último e o primeiro...
Na escada e no final daquela
estrada!

Estarei sempre na mesma...
Não querendo recordar
e totalmente entregue
a esta mistura-conflito
de querer não odiar
quem tocou meu coração,




acendeu fogueiras
e deixou fagulhas
em meu destino!
Suzette Rizzo


18 de dezembro de 2014

Experiência


Experiência
Suzette Rizzo 

Experimento a sensação
de estar sendo conduzida pelas mãos
por entre nuvens de algodão,
cujos seres fosforescentes,
acendem luzes sobre meus versos. 

Experimento a sensação da mistura
de dois pensamentos num só...
Alguém em mim querendo dizer
as coisas que não sei...
e eu encantada, interpondo a vez. 

"Foi um grande passo,
tentar conhecer, tentar viver
espiritualidades'
dizem eles, aos meus ouvidos...


"Um grande passo querer crescer,
entre dores e lamentos,
perdas e sofrimentos.

Um grande conhecer experimentar o dom,
arrastar a alma para o imã celestial,
velejar por mares desconhecidos"...

E foi mesmo assim ...
Como se eu fosse um neném,
chegando ao mundo dos vivos.


17 de dezembro de 2014

De encontro a mim


De encontro a mim
Suzette Rizzo 

O medo de cavar lembranças,
reverenciar um tempo sinuoso
ocultado de mim mesma,
causa pânico...
Quisera espremer
 tumores cármicos, petrificados
e esse ainda não seria
o preço pior do alivio.



O desejo é atormentador,
no entanto saudoso da magia
dos momentos vividos,
cujas galáxias entornavam
seiva refrescante,
expulsando o pó do tempo,
alimentando minhas células
da sensação marcante.

Daria tudo
para reencontrar o ouro,
de um instante intenso
em emoções !
E ajoelho-me
perante as efígies das lembranças
como fossem sacras;
agradecendo o ciclo,
mesmo assim, incompleto
e a futura recordação
do amor sentido na terra
Que apesar dos pesares...
se fez, tão breve.

                           Suzette Rizzo

15 de dezembro de 2014

Sempre...

Sempre...
Suzette Rizzo


É sempre abril
no tempo e na alma,
quando escrevo a poesia
do amor surgido,
na fase mais negra
do meu destino. 

É sempre final de verão,
noites ainda quentes
e a musica envolvente,
vinda de dentro...
junto a visão que ocupa espaços
todos que a vista alcance...
aqueles que a alma sente.


É sempre abril!
Embora a madrugada seja mais fria
e eu tenha tantos problemas,
dissecando a serenidade
desse único alento !
Suzette Rizzo





14 de dezembro de 2014

Poeta:


Poeta:
Suzette Rizzo

Vi castelos reconstruídos
e derrubados em Nuremberg,
anjos tristes nos albergues
e vi o que me concede
o pequeno deus.
Vi gerânios-pendentes morrendo ao sol,
o final da preservação ambiental
rolando águas enlameadas.
Vi  sonhos perdidos
por entre ideais derretidos
no fogo das  almas.
E me vi num vasinho suspenso
entre restos de lírios amarelos
e forrando o solo vi cactos gigantes,
exterminando o Grande cultivo.
Poeta,
eu vi  elohins
embalsamando versos.

Suzette Rizzo

October 24, 2007

Ausência de pirilampos


Ausência de pirilampos
Suzette Rizzo

Brisa, amenizando o febril,
esboçando em minha boca
sorrisos adormecidos.

Lua, prateando a rua,
abrindo caminhos escuros
para eu prosseguir.


Arvore,sombreando meu cansaço,
desfolhando meu passado
para minha flor se abrir.

Filho, pra eu cuidar,
fazer mimos, afagar,
senti-lo meu, único.

Pai, para proteger-me do mundo,
aconselhar-me com sabedoria,
afugentar do meu redor todas as rapinas.

Amor, lindo, menino,
Apolo e arcanjo,
pirilampo do meu destino.


Suzette Rizzo

13 de dezembro de 2014

Liberta



Liberta
Suzette Rizzo

Em meus sonhos
lavo o mundo com cloro,
desinfeto o solo,
choro por ele as maldades,
e te escôo dos meus olhos.
Acordo inundada de sol,
abro o programa onde digito
meus poemas
e escrevo então algo limpo
de se ler...

Liberta do teu ímpio ser !

Assombro



Assombro
Suzette Rizzo


Hoje, a impressão
é de ciranda de anjos
a meu redor.
Espanto que alimenta esperanças,
atenua o agito interior,
derruba o muro refreador
de sentir da vida a dança. 



A impressão é de sol
apesar do tempo dissimulado
e o corpo parece casca
sem recheio,
tamanha leveza. 

Hoje, inacreditavelmente
a impressão é de desmanche
dos poemas chuviscosos; 

Se foram  os danosos sentimentos
e me surpreendo despindo a vestimenta
das palavras lamentosas. 

Escrevo agora a sensação da calma
o cessar do temporal dos versos
e da ventania furiosa.


Autora:
Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados


12 de dezembro de 2014

Equívocos


Equívocos
Suzette Rizzo

Tantos  equívocos  neste trajeto
que já nem sei se durmo no ponto
ou percorro rumo incerto.

De qualquer jeito,
melhor é  ver o mundo da proa,
pra não chorar o tempo ardido,

a canoa furada.
a história sem viço
a volta da azia


E se foi alento, ungüento...
além disso, meu amigo, adivinhe,
foi o brinde do momento


A pedra e eu


A PEDRA E EU
Suzette Rizzo


Estéreis os seus sentimentos...
Não progridem,
não procriam...
apenas revelam inexistência.
..

São como pedras sós,
que não se unem nem se dividem
e são frias, imóveis...
(serão vivas)?



Mas, se uma pedra não ouve
e não vê,
permanece eternamente onde estiver
numa exagerada paciência
(estará morta)?

Olha!
Entre você e a pedra
não há mesmo,
nenhuma diferença,

Autora:Suzette Rizzo
Todos os Direitos Reservados