30 de novembro de 2014

Uvas doces




Uvas doces
Suzette Rizzo

Pensar em nós
amolece, inspira,
anoitece verão.
Mesmo que nada
hoje se encaixe 
na minha ilusão. 



Alguns passos beira mar,
pousar os olhos
na preguiça das águas
oscilando sobre elas o luar
trás saudade...

Mas a luz das estrelas
desmancha o cenário,
assim como odores da natureza
nublam tudo de lágrimas

Não resolve pensar
cachos de uva moscatel
que ele gostava.
Tentativa vã,
adoçar pesares
sempre ativos na memória

Nem mesmo resolve
pensar cores claras...
Tristeza acinzenta entranhas,
fere praias azuladas.


Suzette Rizzo

Gruta sagrada



Gruta sagrada
Suzette Rizzo 
                               

Vou trilhando um novo caminho
sem olhar dos lados,
sem querer sentir o tempo
ou saber a quanto o momento
leva-me por hora. 

E entro naquele bar,
como se fosse uma gruta sagrada
ou jardim encantado,
deixando-me ser vítima
de certo olhar detonador. 

Depois...
é como se eu pisasse em plena estrela,
bebesse o licor dos deuses
e, flutuasse sobre a minha cidade...
consagrando a tal loucura
que me mata de saudade ! 

Ando assim, perdida,
meio tonta, distraída,
dançando a todo momento
por salões iluminados
dos meus novos pensamentos
Suzette Rizzo

Melancolia


Melancolia
Suzette Rizzo           
Acordei melancólica...            
não sei o que há comigo.
Nada mudou
e as mesmas tristezas
fazem parte da minha rotina .

Acordei querendo não acordar   
e, depois, querendo botar pra fora
ares contaminados,    
esses que preenchem meu pulmão
de nicotina.
                             
Tenho dormido pouco e mal
e nem sonhar tenho sonhado.       
Uma foice zumbe alto
em meus ouvidos                                       
e poda no grito as ânsias de paz.    
                                                              
Na palma de minha mão
há destino cortado...
e há mesmo!
Tudo me foi recusado.

Abro por acaso o bloco de poesias...
Meu Deus !
Estão purgando as madrugadas...
tenho alma infeccionada.
                                                                
Passo a tarde nesta agonia,
açoitada por sons desgarrados...         
Aconteceu há tantos anos!
Mas, estão cravados e gravados.                                                    
                 
A noite vai chegar, o dia amanhecer,
e mais anos chegarão...
Chegarão ?
Ai Deus ! Quero não ! 
Quero não !
        

Suzette Rizzo

27 de novembro de 2014

Meu Natal


Meu Natal
Suzette Rizzo

É Natal !
Natal no planeta inteiro.
O festejo da divina luz...
Gostinho de céu
emoção maior.

Mas, eu,
comemoro os anos
da minha solidão
na casa morta...
Vestida
de noite silenciosa
e ausências...
todas !


Suzette Rizzo

Ética



Ética
Suzette Rizzo

Não poderia ser patriota
porque sou humanitarista.
Na acepção da palavra
já fui idealista,
socialista,
contudo, jamais petista
(Nada a ver!... Tolice e pura confusão
ser Maria vai com as outras).
Indignada com o baixo nível
da moral e suposto bem,
gostaria de perguntar:
Quem quer o bem do povo?
E o povo? 
Equivocado com promessas...
pobre gente!  
O que sabe hoje este povo
cego, crente e necessitado
correndo atrás de vintém?
Perdão, 
ando escrevendo o que vem.

26 de novembro de 2014

Pela vidraça


Pela vidraça
Suzette Rizzo

Vejo-me abraçada a cruz,
a minha,
aglomerado de historias daninhas,
madeira bichada.
Resta-me lembrar o olhar
que se infiltrou no meu,
o corpo que amei,
palavras acaloradas...


Resta-me a ilha, a lembrança  
e o apocalipse tristonho
dos nossos sonhos

24 de novembro de 2014

Estigmas


Estigmas
Suzette Rizzo

Moro dentro de um poema
inacabado,
entre cartuns,
histórias de amor frustrado,
desgostos
e o horror de conhecer por dentro
esse tal sexo oposto.
Daí o vazio, daí o choro continuo
borrando recordações pequenas,
as mesmas que foram grandes
desfeitas pouco a pouco.
Moro aqui neste poema-desabafo,
um dos raros prazeres,
embora sorvendo cacos
e, expelindo deuses.
Moro num buraco negro
quando fecho os olhos
revejo cicatrizes,
sinto o gelo dos medos
e escrevo.


O novo som do coração


O novo som do coração
Suzette Rizzo

Assim como um sonho, era impalpável.
Sonho visto de longe!
Por mais que acenasse, inalcançável.

E os olhares se cruzaram...
mas, não foi aquela impressão de reencontro
carma ... e muito ao contrário.

O que sei é que vim para amá-lo.
O que sei é que seu coração
jamais será corsário

Ah! Você me ganhou assim desigual
e nada arbitrário!

Será meu poema de cada dia
do novo calendário!

November 24, 2014

Sim sim...Não não


Sim  sim...Não não
Suzette Rizzo

Odeio falta de palavra:
Quando digo nunca mais,
é nunca mesmo.
Se a alma está vencida,
se acontecer revivo-a,

senão,
deixo-a estremecida,
a ermo.
Odeio vai e volta,
coisa que termina
pra mim não tem volta.
Então, saiba!
Se me aceitar é assim:

Odeio falta de palavra.

Nova luz


Nova luz
Suzette Rizzo


Luz que vejo e nem lampeja,
encoberta como as almas,
enfraquecida como energia roubada,
brilhe por favor!...


Entre por esta janela,
acende esta vida sem cor.





E foi pedindo ao meu Autor
que ele veio...  
gêmeo do outro,
melhor que o outro,
poeta do corpo.


Arquivei águas roladas,
exterminei a monotonia,
sequei parte das lagrimas.
Voltei  à continuidade
por um tempo refreada!



23 de novembro de 2014

Trocas

Trocas
Suzette Rizzo

Entenderia o mundo,
se o mundo fosse lúcido,
se a criatura humana
não devorasse a cobra
além das maças.
Mas a maldade cresce
a sabedoria  decresce,
e o poeta revela o avesso
buscando rimas ruins
Pobre do escritor e de mim,
a mercê deste destino escarnecedor
de temas cadentes.
Porém, mais pobre ainda
quem finge asas
e oculta tridentes

Borralho


Borralho
Suzette Rizzo

Só pra viver e não ver
o papel em branco,
talvez...
só pra mordiscar o lábio
de raiva e tentar desta vez
um xingamento classe A ?
Quanta conversa repetida,
e que desfile idiota eu veria,
pior que tudo, eu já sabia.

Tento voltar a ter paz,
mas algum tempo atrás
se pudesse embrulharia esta alma
no branco A4
e o vento que me levasse,
pra bem longe da lembrança 
do anfiteatro,
em que assisti três  atos
mal representados.

Pior!
Pra reviver sentimentos carcomidos
por desilusões,
fiz-me outra vez borralho...
Foi isso!

22 de novembro de 2014

"Reagindo"


"Reagindo" 
Suzette Rizzo

Reagindo...
Sob uma avalanche de magoas,
entre doses de nostalgia
e lembranças flageladas .

Resistindo...
ao escuro da desesperança,
pavor do futuro,
à saudade do alguém
insensível as ausências .

E o mundo vai engolindo,
mordendo a carne fraca,
de quem se entrega sempre mais
as indecências.

Minha estrela desanda
longe da minha Íris,
que talvez, agora, machuque
outros olhos.

Apenas prossigo,
atravessando restos de incêndio,
temendo qualquer incentivo,
a tentação do inimigo
impedindo meus pés em terra

e induzindo-me aos sonhos,
que tenho tentado extirpar,
com súplicas e rezas ! 

Suzette Rizzo    

Artificialidades


Artificialidades
Suzette Rizzo

Quer loucuras
e não é para mim o homem certo,
assim incapaz de prolongar
ou sentir
sentimentos concretos.

Tão perdido!
Nem percebe
a necessidade da maturação.

Que pena, não condiz
as expectativas deste coração...
Nada acrescenta, fortifica
ou me conduz
à serenidade da vida.

Dei um passo em falso,
logo eu! 
Pisei torto, telúrico...
pensei seguir o facho certo,
porém...
Essa luz é de mercúrio!

Suzette Rizzo


February 21, 2010

20 de novembro de 2014

O piano


O piano
Suzette Rizzo

Ouço ainda as notas preguiçosas
saindo do meu piano...
era enjoativo repetir exercícios...
aquele som chato,
nem gravado na memória
de tão chato !

Mãos de pianista, diziam,
mas, longe disso...
ainda tenho mãos pequeninas
e nenhuma vontade de aprender...
Queria apenas saber tocá-lo
como uma concertista !

E foram-se os avós...
o piano foi fechado e depois 
transportado
para onde coube...
Nunca mais foi tocado
exceto por curiosos...
os muitos que eu soube.

Ouço a musica como fosse o ar
e aspiro-a, tentando rever
as cenas,
de vovó sentada ali...
absorta entre as canções
que jamais esqueci.

Restou comigo velhas partituras...
lembranças do piano século 19,
que nem mesmo coube onde moro!
Suzette Rizzo