5 de novembro de 2014

Ligeira explicação


Ligeira explicação
Suzette Rizzo

Duro é recomeçar
quando as pernas estão cansadas
e a cabeça machucada de magoas,
conseqüência de tudo que enxovalhou.
Alma é única e o tempo não desobriga
os consertos,
nem coloca enxertos nos vãos
que a vida cavou.


Por isso tentei sem resultados,
por isso sofri como louca,
por isso esta alma sempre encharca
e não se casa com outra.

(Responding ... )
 

Monday, June 04, 2014

4 de novembro de 2014

Fuga



Fuga
Suzette Rizzo

Cavalgo em meu cavalo negro
até o castelo de Merlin.
É feia a estrada,
feias são as visões,
mas, disposta a seguir em frente
chego lá.
Um velho sereno de barbas brancas
recebe-me,
convida-me a sentar em poltrona macia,
oferece-me café bem forte
e me diz:
Posso ser útil em alguma coisa?
Respondo que sim,
mas, não sei por onde começar.




É um sonho tão real,
quando ele fixa meus olhos
doa-se  e responde:
Triunfarás!


(Triunfei: Concretizando desejos de esquecer más fases,
péssimos amores e aquele imenso desejo de paz).

Posturas


Posturas
Suzette Rizzo

Pareço sempre alma terminal
atirada no lodaçal.
Uma mascara dramática,
par da comedia imortal.
Vitrines, espelhos...
quero-os longe do meu olhar
sem dono
e nem me olhem os inimigos
quando eu tiver que passar
em frente aos “peritos”...
em dilatar desgraças.

Enquanto eu for caricatura
deste tempo nocivo 
não quero cumprimentos,
falsos elogios,
críticas maldosas,
comentários idiotas...
muito menos ares de censura
e olhares de acupuntura
sobre antigas arranhaduras
e feridas similares.


Tuesday, May 22, 2012

3 de novembro de 2014

Outra vez saudade


OUTRA VEZ SAUDADE
Suzette Rizzo 

Sinto falta daquele homem
que admitiu seus sonhos fúteis,
cantarolando madrugada afora
sua imensa solidão. 

Ah! Quanta saudade daquele menino
que absorvia pensamentos,
elevava almas daninhas
ao topo do firmamento. 

Sinto tanta falta, do olhar pirilampeador,
confundindo-se às estrelas
do misterioso céu marinho...
sinto falta dos olhos verdes do meu amor ! 

Porém, essas lembranças serão caricias,
contrabalanço das provações.
E mesmo que eu sinta falta do corpo, do rosto
e sobretudo do espírito forte,
fornecedor de emoções... 

a saudade será o mel ás amarguras
e a luz invasora das rachaduras,
da minha alma que o conhecendo
deixou de ser escura. 


Suzette Rizzo

SERÁ?
Suzette Rizzo


Que flor é essa que nasce morta?
Foi será a sala fria
ou a mulher desiludida
a matá-la antes da hora?
Que flor é essa que captou
esta alma despetalada 
e sufocada morreu
em plena aurora!
Será que a dor afoga a rosa?


Suzette Rizzo

2 de novembro de 2014

Real Pesadelo


REAL PESADELO
Suzette Rizzo



Viveria bem uma lenda,
não esta estúpida realidade...
Um destino mais bem definido
na palma de minha mão,
não o rumo que as coisas
tomaram,
não  este cerco maldito.


Viveria bem,
uma historia de amor sofrido...
Não várias, não mortes,
embaraçando a alma aflita,
atirando-me na cara
tantas injustiças,
mantendo-me mal e viva.


E viveria bem,
se a inveja não me afetasse...
Se causas e efeitos
não pesassem tanto...
Se a alma magoada não latejasse...
Se os muros todos não desabassem...
Se de vez,
a covardia  não  me liquidasse


Viveria, não fosse esta legião
atirando-me contra a parede,
soprando sobre mim com fúria,
arrastando-me para trás...
Meus sonhos também atiram pedras
e nenhuma luz tem surgido,
em meio aos medos
destes reais pesadelos!



Suzette Rizzo

A vida no Mundo


A vida no Mundo
(Oposição)
                 Suzette Rizzo

A vida não é um poema de Tagore
nem o desencadear de um vento visitante...

Não é, creia-me, um drama temporário
nem a linda canção dos pássaros.

A vida é o lar carcerário,
um tempo quase sempre trágico.

Saiba, a vida fura como estiletes
fere com unhas de bruxa,

dilacera como caninos das feras
ingere como a morte ingere, nossa alma.

Vida é poema deficiente,
capaz de deleitar a vista

e ao mesmo tempo esmagar-nos
ensandecida e mediocremente

Porque o mundo segundo Nietzsche  
é um monstro paranoico e lamacento
e somos  irmãos de quem disse.

Vida é sonho caído da estrela
que o mundo escorraça

e o chão freia,
em meio ao todo de mentes doentes...

E os ideais espatifados no solo
não são de um meteoro

ou rápido cometa
sofrendo de vez a queda

Além disso, vida é só perda
é lenta e teimosa como um burrico
empacado em frente a cerca.
                                            Suzette Rizzo

Pássaro Desgarrado


Pássaro Desgarrado
Suzette Rizzo



Vejo um único caminho
encoberto pela neblina,
cego de tantas lágrimas.
Bem dizem as linhas desta mão,
todas entrelaçadas
como espinheiros,
que estas páginas cairiam nos bueiros
desta caminhada.

O aperto do sofrimento
e o agudo da  sensibilidade,
faz com que meu espírito
queira gestar luzes e cores.
e são esses os desejos
de quem aprendeu nas dores

Mesmo beirando abismos
ouço a chamar-me os sinos.
que entoam  pelas noites
deste meu mundo sem ninho.
 Sou um pássaro desgarrado,
que ecoa gritos...

Pousado em badalos desordenados
na ventania do destino

1 de novembro de 2014

Transferência


Transferência
Suzette Rizzo

É preciso uma raiva incontida,
um amor imenso,
uma tristeza enorme
para o teclado ser prato
e a alma morrer de fome.
Perco os olhos no branco,
perco o tempo que é pouco,
usando da transferência
que não me inspira,
só me inunda de ânsias doidas

Vida , vida!!!
Se pelo menos eu fosse loira!


November 1, 2014

30 de outubro de 2014


Enquanto é tempo
Suzette Rizzo

Abstraio coisas de mim,
bagatelas do tempo injusto
e outras que nem desfruto.
Nada melhor que ensacar o entulho
calar da alma o barulho,
recomeçar.

E vamos então as coisas experimentais,
viver alheios ao destino,
dobrar algumas esquinas,
andar por ai apressados,
tal qual corre a vida
pra chegar antes de nós.

Pronto! Estamos sem corpo físico,
sonhos ou luz mágica.
Não é fácil nos enxergarmos...
Talvez, possamos flutuar com leveza
nossas essências
ou talvez estejamos medrosos
da nova existência

Pior que aqui será...
não temos muitas escolhas por lá.
E quem somos, como somos,
a exposição dos pensamentos
mostrará.
Por enquanto,
abstraio defeitos de mim
atirando-os ao vento...
que lá não há.


June 01, 2008

18 de outubro de 2014

Conquista




Conquista
Suzette Rizzo

Inesperadamente
esse teu gosto invade
e não resisto...


Tanto que meu tato  desliza
sobre a textura da pele lisa
e sensações aquecem madrugadas,
cobrindo-me de desejos, aqueles contidos,
dando  aval as pretensões adormecidas,
desobrigando-me as reservas.
Por algum tempo sinto o torpor
da vontade estúpida
de pelo menos uma vez
a proximidade de nós.
Contudo, subitamente,
recolhe-se essa avidez
e exatamente como iniciou,
foge por entre as horas.
Então, lembro, choro a falta,
o bem e o mal...
Fumaça está
meu sonho de amor imortal.


15 de outubro de 2014

Suficiência


Suficiência
Suzette Rizzo

Minha casa tem poemas nas gavetas,
debaixo da cama,
na cozinha,
pendurados no espelho...
Minha casa não tem gente viva,
apenas lembranças e lembranças
e muita poesia
que eu rezo como um terço,
em cada canto, em todo verso,
no caderno apoiado nos joelhos.
Sob esta casa passa um rio,
das lagrimas que penetram dia a dia,
nos vãos do piso frio.
Minha casa não tem beleza
mas tem a marca da consciência,
cães correndo nas áreas livres,
pombas e pássaros acasalando no telhado
e toda a espécie de pureza...
Minha casa tem a poesia da natureza
e sobre ela pairam anjos,
punhados de sonhos,
milhões de estrelas!