17 de setembro de 2014

Mergulho


Mergulho
Suzette Rizzo 

Mergulho nos capítulos
da vida 
querendo emergir lívida,
lavada de todas as amarguras
porque transbordo-as
e as energias obviamente
extrapolo.

Fiz um pacto comigo
e aprenderei a dizer o que penso,
a desafogar o coração.
como aprendi a não ter mais
medos bobos,
como aprendi a ouvir barulhos
de madrugada
e entende-los naturais

Aprendi aos poucos a embrenhar
os olhos na escuridão,
a enxergar contornos,
a ter amigos espirituais
a pedir socorro as religiões
(sem distinção).

Aprendo a perdoar mais e mais
após certas panes...
E ele,
que hoje habita outro plano
aprende o meu amor
que é grande.

Suzette Rizzo

"O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permita."

GUIMARÃES ROSA

10 de setembro de 2014

Assim seja







Assim seja
Suzette Rizzo

Duas faces,
    bem e mal.
    Nas costas do sol,
        a escuridão...
        Frente a ele,
                iluminação.




                Duas faces
                         num mesmo rosto...
                   Pólos opostos
                            num mesmo corpo.

                   Há quem seja filho da luz...
                 Há quem seja trevoso.
              E o mundo, meio a meio...
           Filhos de um lado e do outro.

         Daí a luta, esta guerra sem paz.
            O bem querendo a elevação...
                O mal almejando destruição.

                   Trava-se, então, a batalha.
                       O sol se condensa e congela,
                                    apagando toda a luz.
                            Vencerá a escuridão?

                        Espero que o bem,
                            não seja o senhor da guerra...
                Espero que o mal, de tão escuro, seque,
             Porque é essa a coisa certa !

Suzette Rizzo
2004


Borboletas


Borboletas
Suzette Rizzo

Pousavam sobre as hortênsias,
sobrevoando o pequeno jardim
bem cuidado,
colorindo a ternura daquele tempo,
hoje, momento retrato.

Tão bom,
sentir a vida sem receios...
sentar-me à mesa do jantar,
ouvir  vozes amigas,
todos  a minha volta
completando a minha  vida !

Partiram ...
Momentos, família...
e não mais notei borboletas
em outros jardins...
A casa, agora uma Clinica...
e as hortênsias, que dó! 
Junto ao entulho,
entre cacos de tijolos
e borboletas mortas.

Tudo morre...
Ilusões, fantasias e qualquer segundo...
Nada fica,
exceto o tempo presente
e o girar do mundo !

Estou, entre  escombros de tudo...
Em meio a visões descoloridas...
Forçando a lembrança
das vozes queridas
e ouvindo os sons do silencio,
nas horas da minha vida.

Alguma borboleta amarela,
bate as asas
em algum lugar do planeta...
Porém, vivo entre meus despejos,
solidão e vazios... 

E exceto saudade, nada sinto,
nada ouço, nada vejo !

Suzette Rizzo
05/07/00


7 de setembro de 2014


Eis a questão
Suzette Rizzo

Certamente sou mística!
Só não sei se devo viver
nesta ansiedade de enxergar
além do que eu possa apalpar.
Ser místico é bem mais que sentar
em posição de lótus e meditar,
bem mais que ajoelhar no altar,
bem mais, bem mais...


Ser místico significa acreditar
que uma árvore pode curar.
Significa penetrar
o interior do pensamento
e nele flutuar.

Ser místico não será jamais
centrar o corpo entre mil velas,
nem vestir preto, roxo ou branco...
Ser místico é ter alma limpa
nem de Cristo ou Zaratustra...
nem tanto ao céu, nem tanto a terra,
mas no meio e alheio a esta bagunça.

Ser místico é saber com convicção
que uma alma percorre milênios...
e sentir nos tais desenhos que se formam
nas paredes,
não apenas imaginações corriqueiras,
mas existências verdadeiras,
acarinhando nossos sonhos e verdades
ensinadas por inteiro.

Sou mística sim!
Respeito a vida estagiária
e, quando fecho os olhos,
flutuo em meu oceano 
onde se acalmam tormentos.
Assim espero a paz do Cosmo,
dar seus sinais no vento.

O mundo que vejo
no interior dos pensamentos,
é o mundo das verdades,
oposto a este das mentiras.
Mundo em que meias palavras bastam
e, uma tempestade de fluídos
abastece a minha alma
pelo umbigo.

Entregar-me ou não,
eis a questão!

Suzette Rizzo_ 2005

4 de setembro de 2014


PALÁCIO SONHO
Suzette Rizzo


As copas das árvores
se fecharam
e vi o rendado verde
de fundo azul do céu.
Caminhei
sob o sombreado
da minha rua...
virando  aos poucos
aquela página
e o cenário enluarado,
que logo seria um sonho,
como hoje é!

Fechei as janelas do
apartamento,
dando adeus
a imensidão noturna
e as constelações
da noite limpa.

Gravei tudo
minuciosamente...
Tranquei
a porta do palácio-sonho
e, hoje, ainda dói lembrar...
Do aniquilamento total,
do ruir de tudo sobre mim...
Fase essa que ousa viver
imortal !


04 08 2004


Imperecível
Suzette Rizzo

Tentei dissecar as entranhas
desta saudade imperecível,
que jamais esmorece
em qualquer situação...
Impossível !

E querendo afastá-la
atirá-la aos confins, revivo-a
e mal reafirmo a necessidade,
volta aqui...
nem minguada ou estressada
em minha emoção !

Esperança... vestígio último,
amor vivo acendendo a alma,
preenchendo pensamentos,
dias, noites e todas as coisas
deste meu mundo,
sem ele, quase parado !

Tento apagá-lo,
matá-lo dos sonhos,
amordaçar a boca que continua
sentindo e sentindo o beijo...
Beijo que não cessa nos pensamentos!

E nada incinera esta saudade...
E nem mesmo agora
que o passado é morto, 
nada se gasta, nem um pouco ! 

Suzette Rizzo_ O9 12 02

Entre amantes

ENTRE AMANTES
Suzette Rizzo

Entre amantes não há muros,
portas trancadas
ou chuvas de inverno.
Apenas o tempo diminuto
correndo maluco
estrada afora. 

O que há são sucessões de
agoras...
oxalá intermináveis,
pensamentos transportáveis
de um ao outro,
versos imutáveis,
sentidos aguçados 

E... infinitamente, estrelas
que se multiplicam,
salpicando de brilho
o templo do olhar,
o ninho de amor,
a sensação de Paraíso !


Suzette Rizzo

3 de setembro de 2014



O sono dos justos
Suzette Rizzo

É tão triste o engano
e tão leve o despertar!
Tão escura a descoberta,
tão cósmica a consciência
sem peso.
Não gostaria de lembrar
de cada ser trapaceiro
que me rodeou
e o coração sinceramente amou.
Essa parte quando lembrada chumba
a levitação posterior
Mas vida é isso
e a transparência existirá
infelizmente só depois...
Lá onde o pensamento é externo,
impraticável a falsidade,
o segredo escancarado
 e afinal o desvendar
de que nada foi oculto.
Por enquanto me basta
o sono dos justos.

September 3, 2014

23 de agosto de 2014


Apesar...
Suzette Rizzo 

Tinha ferrões nas palavras
e flores nas mãos.
Olhar firme e sedutor,
a boca bem delineada,
rosto de arcanjo,
cachos loiros de anjo
e era ele o meu amor.

Tinha o grave na voz,
fala pontuada,
som baixo, medida certa,
do jeitinho que eu gostava

Primeiro atirou-se a crosta
e depois fora da terra.
Foi ele quem procurou vícios,
espatifou-se como vidro,
mas sou eu a sofrer vazios.

Verdade macabra, porem verdade;
De sonho a pesadelo,
de amor a desespero. 

Então, levou meu sonho,
as flores do campo da sala,
as manhãs que eu tanto amava.

Saudade das mãos macias,
mãos que pra sempre acariciarão
esta minha alma em chagas.