25 de março de 2014

De alma para alma
Suzette Rizzo

Senti a dor do corte
de todos os punhais,
mas engoli as lágrimas,
mantendo atitudes formais.

Nem ousei não ser como me vias
em suas visões espectrais.
Mas, temi desde o primeiro dia
o acenar da esquina e voltar
aos meus dias hibernais.
Voltei!
Então, se eu não gritasse,
tudo doeria
e teria que extravasar.
embora saiba limitar.
Mas impulsividade acontece
quando chega a sufocar.
Ciume fermenta, amor leveda,
fumaça abafa
e teu jeito alimenta...
Esse amor fertilizou meu jeito de olhar!!!!
Apunhalada por versos
e mentiras... perdão,
falei demais!

24 de março de 2014

Emigrantes
Suzette Rizzo

Seria eu Kamala da primeira etapa,
ele o Sidarta por quem me apaixono.
Ouvimos o rio, procuramos a fundo
um viver fora do mundo.
E vamos indo entre conflitos,
cada qual com seu destino.



Vivemos juntos alguma história,
pelo menos por alguns passos
dividindo a mesma hóstia.
Espero apenas ser lembrada,
como mulher amada
nunca de outra forma.
Pois o céu abriga astros

e as estrelas cultivam hortas. 
Decapitação
Suzette Rizzo

Mais um tempo usado, obsoleto,
correndo ponteiros .
Mais uma página enterrada no gueto
do meu roteiro.
Mais um sentimento repelido
mais um pouco de uivo,
mais um pouco de escuro
debaixo do travesseiro.

Mais um pouco de magoa,
mais um pouco reprisado,
mais um tempo tragado
e expelidor desta alma filha
de destinos traiçoeiros...

Assim me sinto:Cara de palhaço.
Como fosse um cigarro barato
no tablado do barateiro ou 
simplesmente um vento corriqueiro.
E pior,
decapitada por Perseu
e a cova do coveiro.
Suzette Rizzo



Asas podadas
Suzette Rizzo

Cortaram-me as asas,      
a  liberdade  sonhada, suplicada ,  
chorada milhões de séculos.

Reconheço-me mais uma vez,
em idêntico exílio
nesta alma aprisionada,
sempre em destroços...                    
Voltei   
seqüência do meu martírio.                         

Destino infame, castração eterna,  
impotência absoluta diante de tudo...
Nem em sonhos alcanço alturas!
Resto-me  alma sombria,
guardando os mesmos lutos...  

Sou vida curta
caída em caos profundo!
Minhas asas abstratas
não conseguem nunca
viver futuros.


Suzette Rizzo_ 

23 de março de 2014












Diferenças
Suzette Rizzo

Não ficaria sem te ouvir dizer alô
mesmo que fosse apenas alô.
Daria um jeito de chegar ao teu ouvido
mesmo que fosse telepatia,
só pra gritar a saudade
que sempre dizes ter sentido.
São pequenas coisas
que fazem dar crédito ao sentimento
do outro.
Percebeu a diferença?
Eu te abraço com todos os tentáculos
de um polvo.

MAIOR QUE TUDO
Suzette Rizzo

Maior que a dor da saudade
a dor da ausência,
do olhar carinhoso
as vezes malicioso
pedindo indecências

Maior que a falta
a solidão constante,
a alma em frangalhos
e o escárnio do futuro
em branco,
sempre solidário.

Maior que o instante passado
revivendo a vida do corpo,
é a luz  invadindo meu espaço,
constância alentadora
piscando a visão plasma..
Meu sustentáculo !


AGOURO
Suzette Rizzo

Havia um corvo, um ninho deles
em meu telhado,
agourando a minha vida
matando tudo que era meu.

Um corvo que sujava a paz,
estraçalhava o futuro,
farejava desgraças
e afastava de mim, tudo.

Eu não via esse corvo,
mas alimentava a esse e a todos
agasalhando-os com meus temores.

Não sabia que estavam lá...
E quando pude senti-los, já não tinha casa
e ele, o rei fortalecido, devorou-me a alma.

                                      Suzette Rizzo

22 de março de 2014


Como elefante (2)
Suzette Rizzo


Não esqueço...
Sou como elefante.
Mentira dizer que esqueço coisas
tatuadas no âmago,
coisas que exigiram demasiada atenção,
coisas gravadas nos bits da memória.




Não esqueço quem me cortejou,
quem magoou profundo,
quem meus olhos observaram,
não esqueço quem faz parte
das páginas da minha história.
Não esqueço quem me consola,
quem sei que a boca nem diz
mas intimamente chora.
Não esqueço os degraus da vida,
nem a marcha fúnebre
que esta alma deplora.
Não esqueço os estilhaços
nem as suturas
da dor que perfura.
Sou como elefante, ando devagar,
em cada passo meia década
e um acumulo de dor,
a vazar pelo olhar.


21 de março de 2014

Hoje... Sem perfume
Suzette Rizzo

4 horas, 39 minutos.
Não consigo escrever,
não consigo dormir
nem coordenar idéias.


Encolhem-se todas as palavras,
a melhor frase se atrapalha
e aquele perfume de maça,
prenunciador da inspiração,
evaporou. 

Hoje, a poesia se desatou de mim,
adormeceu na dimensão vizinha,
não quis sair de casa.
Não há sintonia,
comunicação mística
e minha alma esta vazia.

Escreverei amanhã, se houver visita. 
Suzette Rizzo



Suas Palavras       
Suzette Rizzo  

Suas palavras
foram sempre estrelas,
bailando por sobre os tapetes
da minha emoção...
E reluziram por todos os cantos,
como aglomeradas constelações.




E cantaram clássicos,
mergulho da alma nua
em poemas-sedução.
Dançaram como chama frágil
de pequena vela,
rimaram seriedades,
acenderam tempos mágicos !
          
Suas palavras me deram colo,
acariciaram meu cabelo,
beijaram meus sonhos puros
e ninaram meu cansaço...
Como se fossem braços,
abraçando meu futuro !

Mas, suas palavras agora cochicham
atrapalhando meu desejo de esquecer,
os gritos que ainda expulso.
  Suzette Rizzo


20 de março de 2014

Total escassez
Suzette Rizzo

Preciso amar para que a inspiração volte,
não basta dor e melancolia,
não basta angustia ou apatia
para tecer poesia.
Preciso amar aquele amor de tirar o fôlego,
sabe qual?
Aquele que o coração quase sai pela boca
quando chega,
aquele que ao ouvir a voz... só a voz

e a gente flutua, voa como passarinho,
sentindo aroma no ar.
Preciso amar para esparramar meus versos
por aí,
deixá-los abraçar a quem necessite
de um contato... como eu.

É simplesmente vital

amar pra renascer.
Desfecho
Suzette Rizzo

Um certo sabor exótico
encontrar no depósito
das lembranças
razões e resumo das fases diversas
de um  tempo utópico.

Mas é bom tapar ouvidos
aos sons mais atrevidos
daquela voz,
misturando o que foi dito
de bom ou ardido.

O melhor mesmo é deixar dormir
o que secou,
seguir  a estrada das surpresas,
atropelar desastrosos vínculos.

Fechar a porta,
a caixa,
o exaurido,
viver novo inicio.





19 de março de 2014

Desejos de voltar - Suzette Rizzo

























Quisera ter a meu lado
quem dedilhasse algum instrumento
e tocasse canções de amor
aos meus ouvidos...
Fizesse-me juramentos,
e eu pudesse descansar desejos
de voltar atrás.
Não tenho! 

Então, alguém piedoso, por favor,
traga-me aquelas borboletas
de asas aveludadas
e, alguns bem-te-vis do quintal
da minha infância,
a esta vida extenuada de querer
e não ter vida normal. 

Tragam-me um pedaço de quindim,
biscoitos de polvilho da vovó...
E por favor, levem de mim
este destino pestilento,
fértil em tormentos,
como mariposas reproduzindo-se
nas lâmpadas suspensas. 

Depressa, por favor,
antes que eu endoideça neste cercado,
morra sem pedir licença
e outra vez volte ao passado
pra ser criança outra vez.
                                          Suzette Rizzo






18 de março de 2014

Agora
Suzette Rizzo

Foi reunindo versos,
guardando ternuras,
excluindo assim carências,
extravasando defeitos,
caminhando sem perceber
por um labirinto estreito
sem qualquer destino.
Agora, ficou visão de lagoa seca, 
pra de vez em quando 
ele brincar 
de ver peixinhos.


Senso
Suzette Rizzo

Abracei o poema, mais um,
pendurando no peito palavras,
dissecando-as,
sentido-me pelo meio.
Perguntei-me tantas vezes o  que fui,
o que sou
senão a continuidade da miragem,
senão uma ilusão desfeita...


Continuo em desvantagem
sendo sempre fantasma,
num repente evaporado
como plasma..