26 de dezembro de 2015

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Nostálgica alma
Suzette Rizzo


Do tempo em que vim,
havia pureza de olhar,
sentimentos leais...
Havia paixão, volúpia também,
mas respeito era primordial. 

Não sei quantos séculos faz,
não sei se esperei tanto 
no astral,
mas certamente vivi,
no tempo do amor real. 

Sinto que fui camponesa
em países civilizados...
Amei o verde e ovelhas
e morei numa casinha
com alpendre de florinhas. 

Tive um amor... só um,
amor que preenchia meu céu
de estrelas
e o cabelo dele, refletia a luz da lua,
dourava aos raios de sol
e, essa imensa alegria
foi sempre o meu melhor. 

Por isso, este século devora-me
corpo e alma...
tempo de vida sem amor,
de falsidades  indecentes
tempo de um pais, cuja bandeira,
o homem desrespeitou. 

Por isso, procuro um retorno qualquer,
busco nos sonhos
o verde do campo, os bichos,
o camponês que naquela vida,
me fez gostar de ser mulher.


Suzette Rizzo -2004